“Tesão” (17/09/2010)

Tenho um breve rascunho de ti
Terei de sonhar com teu rosto
O resto tua silueta me entrega
Desculpe a invasão física
Mas o pecado se faz necessário
Sei que não sou o original
Tuas pernas envolveram outros
Tuas formas enlouqueceram tantos
Quero te consumir a chama
Com as mãos contra a parede
Não quero parar em uma noite
Contigo crio um expediente
Não me venha com ares de dama
Falo de dois corpos inconseqüentes
Nega esse calor na espinha
Nega tua boca salivante
O sinal para lhe rasgar a roupa
Mas fique com teus pudores
Te faz mais excitante ainda
Quero sentir teu corpo nu
Quero teu prazer mais vulgar
Arranhando-me toda pele
Tua carne viva em suor
Meu Deus!Que orgasmo!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Uma Eternidade” (17/09/2010)

Quero tirar poesia desta calçada
Algumas palavras épicas
Logo seremos passado remoto
Pois um dia perdemos o controle

Não quero um nome na história
Quero um propósito para vida
Guardar em um caderno envelhecido
As essências de um mundo extinto

Sou pretensioso nos sonhos
Seria condenado sem tentar
Perdoe todos meus erros
Preciso de um único clássico

Quem sabe então
Serei as frestas do concreto
O reflexo do Sol nos prédios
A vida e morte de um tempo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Um Lugar Imaginário” (11/09/2010)

Nunca fui de poesia natural
Mas posso me acostumar
O canto dos pássaros matinais
O tom da primavera chegando
O sol ainda na estação passada
A vida se espalha pelo gramado
Também o queria como cama
Fechar os olhos em outro universo
Driblar meu inconsciente
Sei que terei de voltar
Preciso apenas de mais um minuto
Para acreditar em toda essa paz
Sei que posso acordar em outro lugar
Sei que posso aprender a viver aqui

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Nota na Madrugada” (12/09/2010)

Como escrever poesia
Quando a vida se acabou?
Como descrever a dor
Que não pode mais ser sentida?
Receei tanto este telefonema
Veio em mais uma madrugada
Palavras que perturbam o sono
Momentos que tiram o rumo
Encontrarei o sorriso depois
Na memória envelhecida
Daquele corredor avermelhado
Onde poderemos estar juntos
A vida invariavelmente se completa
A de vocês foi maravilhosa

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Alegria” (10/09/2010)

Há um céu azul
Abençoando minha alegria
Não há uma palavra de dor
Um verso de revolta se quer

O porém é que a alegria é individual
Não posso compartilhar um sorriso
Você entende a minha dor
Mas não minha felicidade

A dor é universal
A amizade feita para vários
O amor é para dois
A felicidade para solidão

Há um céu azul imenso
Jamais poderei descrevê-lo
Minha alegria é um quadro
Que não posso vender

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Lamento” (03/09/2010)

Desculpe-me a melancolia
Mas a dor é solidária
O sofrer uma atitude
Quando a palavra machuca
Teu corpo reage

A tristeza é apenas um meio
Quero movimentar as almas
Quem sabe despertar romances
Quando cai uma lágrima
Teu coração se abre

Entenda caso venha a partir
Também é necessário nostalgia
A sensação breve da finitude
Quando vem a lembrança
Tua razão retrocede

Por fim me perdoe
Talvez me falte alegria
De resto tudo me transborda
Quando a poesia se completa
A felicidade é possível

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Te quero, Te amo” (02/09/2010)



Não me culpe
Se as palavras perderam sentido
Não me ligue
Se for para aumentar o vazio

Se te amo
Já não importa
Se te quero
É da boca pra fora

Não te escreverei
Rasguei teus poemas
Não te esquecerei
Eterna cicatriz no coração

Te amo
Mas não te importa
Te quero
Mas me deixou de fora

Não sei o que dizer
Meu silêncio é minha arma
Não me olhe
Teu descaso é minha dor

Amar
Não faz mais diferença
Querer
É pouco para nós dois

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Basta-me” (31/08/2010)



É preciso preservar o silêncio
A vocalização é ponto comum
Quero mais do meu olhar
Quero muito mais do teu sorriso
As palavras podem ficar aquém
O que fazer quando se perde o fôlego?
Há uma fotografia de um amanhã
Um abajur repousa na estante
Tua luz incide na cadeira vazia
Na penumbra deita uma rosa
Não é preciso mais nenhum verso
A poesia tomou forma de um abraço
Daqui em diante lhe peço cuidado
Duas almas conversam em silêncio

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Essencialmente” (23/08/2010)



Venho através das palavras
Nobres e também banais
Defender algumas utopias
Existente apenas nelas

São versos sem rimas
Nunca aprendi métrica
Mas que fazem mais sentido
Sem os ornamentos usuais

A verdade dispensa eufemismos
São necessárias vísceras
Suavidades passam despercebidas
Precisa-se de tapas na cara

Perdoe-me se lhe pareço simples
Não faço questão do erudito
Seja poesia, prosa, desabafo
Bastam os sentimentos serem reais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Carta Final” (22/08/2010)



Meus amores, meus amigos
É uma tarde quente de domingo
Um agosto sem precedentes
Uma vida saturada
Um sufocante peso no peito
Poucas são as soluções
Pensei em telefonemas
Mas voltei-me ao papel
Onde espero arrancar os aparelhos
Cansei de estender as palavras
O apito intermitente me irrita
Não há mais ninguém no quarto
Tranquei a esperança lá fora
Agora é apenas uma questão de tempo
As estrofes vão começar a encurtar
Me faltará uma palavra no verso
O âmago se esvazia
A alma se encolhe
E a lágrima marca o ponto final
O sentimento acabou

Ass: Danilo Mendonça Martinho