“Caminhar” (18/03/2019)

Sem querer
Virei um deles
Preso neste agora
Fazendo disso meu todo

Eu tinha planos
Desenhei uma vida inteira
Precisava de tempo e espaço
Sabia esperar

Só que não
O discurso disfarçou
A alma não deixou de sentir
Fui mais desespero que paciência

Lembro
O quanto queria amar
O quanto queria que fosse logo
Me decepcionava todos os dias

Hoje completo
Meu imediatismo mudou o foco
Quero para ontem minha realização
E mergulho em fracassos sucessivos

Eu não sei
Se é medo do tempo
Se é a preguiça do caminho
Se é só vontade de ser feliz

Penso que é tudo
Só quando for livre
Respeitar o momento do sonho
Deixar o futuro chegar
Encontrarei paz

Como evitar pensar?
Como não sentir o gosto?
Como deixar de lado?

Este é o aprendizado
O cotidiano até ensina
Mas se encarar e conhecer
É o verdadeiro passo em frente

 

“Tudo a seu tempo” (14/03/2019)

 

Nunca pensei que uma frase que usava quando criança, algumas vezes de brincadeira, outras como justificativa para apaziguar minha mãe diante uma tarefa não cumprida, poderia ser tão fundamental na minha vida aos 30. Até mesmo nas aulas de violão sigo acelerando o ritmo, saindo do compasso. Sinais de uma pressa pela qual o sonho não se interessa e continua a se esquivar. Paciência, palavra que demora até para escrever, que arrasta pela folha, que já dá formigamento nos pés, mas que principalmente tira o peso, diz que está tudo bem para aqueles que querem escutar. Como é difícil passar o dia sem a sensação do ócio, de horas perdidas, de falhar. Como é difícil notar que nossas expectativas, são só nossas, e não há ninguém esperando, cobrando, querendo mais. Que vários minutos no sofá, que o almoço que acabamos pedindo fora, que a poesia que ficou incompleta, não são de forma alguma o fim do mundo. A vida em sua divisão mais simples que podemos chegar foi feita para respirar. Então o faça, pegue o máximo e ar que puder e…………………solte. Sinta, sem pressa, teu corpo, teus pés no chão, as batidas do seu coração. Sinta a vida fluindo por você e ao seu redor, ouça a natureza, mesmo você que mora na cidade. Aproveite esse momento sublime para se distanciar até mesmo dos teus sonhos. Viver é livre. Abrace, envolva, seja. Quando voltar a abrir os olhos lembre de levar essa cadência. Deixe o tempo ser, e se preocupe em ser você.

 

“A não-explicação”

Eu não saberia te dizer como. Poucas pessoas saberiam. Mas tudo pode ser melhor. Você não vai mudar de emprego, ganhar na loteria, conhecer a mulher dos seus sonhos, e mesmo assim vai se sentir bem. Você estará cansado, distante das suas conquistas, perto de desistir, sobrevivendo a cada suspiro. Ainda assim vai dormir em paz. O desespero de querer, o desejo que não sai da cabeça, a obsessão por uma saída; Tudo diluído pelos dias, sem relevância, sem te atrapalhar. Antes que você confunda com fé vou te dizer que é confiança. A diferença é simples, na confiança você acredita no seu coração, na sua atitude, nos seus sonhos, nos seus valores; E você sabe que independente de resultados, ficará em paz e eventualmente chegará nos seus objetivos. É incoerente, é paradoxal, é improvavelmente possível. Seja, siga, confie!

 

“O último antes de amanhã” (31/12/2018)

Eu só queria agradecer
Porque a dor não vai costurar
Porque a alegria vai permanecer
Porque seria um esforço explicar

Há tanta coisa que não cabe na palavra
Tempo, amor, vida, sonho
Tudo passou rápido demais
E não vejo a hora de deixar para trás

Não sei dizer o caminho
Mal posso descrever esse fim
Já está tudo em movimento
O amanhã é sempre mais importante

Só resta mesmo espaço para agradecer
Certo e errado, bom ou ruim
Está tudo diluído na história
Na certeza da esperança de ser diferente

Não vale a pena detalhar
Deixemos tudo em suspiros e sorrisos
Não faz diferença reclamar
Viver é tudo sem poder pular

Então um obrigado e chega de passado
Respira fundo e deixa escapar
Seja livre do agora, antes e depois
E entenda, existir é só uma passagem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

 

“Insípido” (02/12/2018)

Este é o gosto do desgosto
Raiva, inconformação, indiferença
O vácuo da emoção
O filme que perdeu a graça
Eu não sei de mais nada
Diferenciar sorriso de lágrima
Acostumar-se a ser vão
Me diz para que
Criar oportunidade
Se tudo acaba em decepção
Me diz porque
Dar volta com a felicidade
Apertar o coração
O fracasso não sai da boca
O corpo se arrasta pelo quarteirão
Não vale o esforço do disfarce
Não faço mais questão
Eu acredito, aceito, concordo
Se tudo que tem é ilusão
Não me sussurre palavras
Nem alimente sonhos enfeitados
Pensei que seria amargo
Mas é um completo vazio
Imutável, inerte….real
Um olhar frio
A desesperança de um final.

Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Contornando” (18/11/2018)

A vida é cheia de limites
Não é mesmo
Os sentimentos no caso
São os contornos da alma
Eu também queria aprender a fugir
Do que se carrega no olhar
Mas no fim só me resta confessar
A esperança não é minha
Essa é a mais nova fronteira
O ímpeto, a coragem, a felicidade
São visitantes que se esgotam
O cansaço que se projeta no corpo
Não se compara com o que esconde a face
Neste oceano que é viver
Ninguém escapa das tempestades
Trancado aqui dentro
O sonho esmaece em um suspiro
A alegria não equilibra o peso
O tempo escorre como se fosse findar
Por que não jogar as âncoras?
Por que não se entregar ao mar?
Mas quem superou os limites
Quem continuou mesmo avisado
Quem amou mesmo sem carinho
Que fez pela primeira vez
Descobriu na insistência
Temos que ser mesmo depois da esperança

Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Desatado” (17/11/2018)

Quero ser leve, como a gota de chuva que nunca chega ao chão. Desfeito em milhares de prismas, construir o arco-íris, abrir mão do sonho, das esperanças e das expectativas. Um vôo pleno, sem me preocupar com depois. Diluído na tempestade, mas único no propósito. Uma vez ser todo, respirar sem passado na garganta, sem lágrima embargada, viver como se fosse acabar. Quero a paz e silêncio deste céu, sorrir….e em um relâmpago esquecer. Só quero sentir a inocência de abraçar a vida sem receios, uma essência no ar, uma verdade sem desvios. Quero mais que o fim, quero a intensidade desta queda e, se ela é livre, por que qualquer outra coisa não seria. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho