"32 Estações" (14/11/2018)

Não me entenda mal
Mas sou feito de invernos
Não acompanho o renascer das flores
Mas sim a sobrevivência da chama
Demorei a entender meu propósito
A tudo que escapa os olhos
Tem uma palavra que resiste
Não fique triste
Eu sorrio no meio da chuva
Eu admiro o céu nublado
Eu aqueço a alma quando bate o vento
Sou feliz nos meus silêncios
O outono me prepara
E aqui eu me completo
Nesse mergulho do sentimento
Nesse encontro com a verdade
A realidade sem filtros coloridos
Eu aprendi a paz deste deserto
Eu aprendi o valor destes suspiros
Conheci o amor que não desiste
A perseverança que sempre alcança
A força de um sonho diante a vida
Foram trinta e dois invernos
E eu simplesmente não seria
Se não os fosse por completo


Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Adeuses” (05/11/2018)

Eu vou ter que deixar o teu abraço
O tempo não me esquece
Tudo nessa vida é partida
No fim somos só o que deixamos para trás

Eu choro no teu colo
Na esperança que o abrigo seja eterno
Que possa escancarar toda angústia
Que possa secar essa tristeza
Que encolhido no teu carinho
Não precisasse de um amanhã

O dia partiu meu bem
Mas eu não quero voltar
A única coisa que ainda carrego
É justamente a que quero deixar

Meu sonho já acordou
Meu amor já cresceu
O desejo se transformou
A idade já passou
Acabou a reza e a saudade
O que falta para este adeus?

Nunca achei que ia preferir o fim
Mas essa é a lição da vida
De tudo que dói e de tudo que se ama
Viremos a nos despedir

Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Procrastinação” (17/09/2018)

O inconsciente não deixa esquecer
Guarda uma coleção de metades
Antecipo o limite do tempo
Justificando o que não começo
Escolho o sono não o sonho
Exponho minhas opiniões para paredes
Coletivas do time virtual
Entrevistado em talk-show
Explicações para o chefe
Argumentos para contratação
E em uma sombra da realidade
Convencido que o agora não me cabe
Tento acordar nesse dia improvável
Na espera disfarçada de esperança
Escondo todas minhas verdades
Vítima das circunstâncias
E assassino da vontade
É uma luta desesperadora
Imaginar tantos gostos
Até chegar a sorrir no escuro
Enquanto a vida te escapa
Nos pensamentos do futuro
Teu corpo paralisado
Reorganizando ações a cada instante
Os planos todos traçados
Mas nenhum pé no chão
É triste ver tudo de perto
Incapaz de ir além da imaginação
Eu vim ver o fim
Ao menos uma vez
Não contei o meu destino
Não esperei aprovações
Comecei a caminhar
Descansei mais que precisava
Mas segui em frente
Antes que pudesse questionar
Talvez ainda não seja a cura
Mas realizar-se é um começo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Anseio” (13/09/2018)

Seria leviano dizer
Que entendo a avalanche do horizonte
Pois para mim tudo para
A vida se arrasta nos milímetros
Exibindo as brechas nos detalhes
Só que eu leio os olhares
Enxergo as aflições e desesperos
Vejo a necessidade do abraço
Proteger-te dos teus olhos fechados
Que fazem do futuro realidade
Do medo a sua condição
Procure pela minha mão
Por mais que pareça impossível
Por mais que seja incerto
Não acredite nos teus olhos
Não ouça tua razão
Apenas segure firme meu bem
E confie na canção
O horizonte ainda descansa
O amanhã não te alcança
A vida segue mansa
Teu coração a salvo da dor
A tristeza é uma possibilidade
Mas jamais a única verdade
Que carrega um amor


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“O Tempo das Coisas” (02/09/2018)

As coisas não tem idade
Elas vivem da lembrança
Dos laços que criam
Dos momentos que compartilham
Algumas passam de mãe para filha
Outras tantas de irmão para irmão
Elas podem vencer o tempo
Mesmo que mudem nome e utilidade
Sua única ligação é o sentimento
As coisas apenas estão
Algumas, privilegiados monumentos
Outras clipses em documentos
Cartas em uma caixa de sapatos
Guarda-chuvas perdidos no metrô
As vezes parece um trapo velho
Mas carrega todo nosso coração
O que as coisas apenas temem
Talvez como todos nós
É desaparecer na memória
Aos poucos se desfazer no tempo
Perder a consciência de existir
Mas isso não é uma escolha
E mais do que esquecer e lembrar
Precisamos nos preocupar em viver e sentir


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Lei Universal” (31/08/2018)

Perdoe-me por todas promessas tolas que já fiz
Acreditei que a vida era questão de troca
Acreditei no sacrifício pela recompensa
Que tua justiça era feita de contra-pesos
Eu cai tantas vezes do precipício
Pensando que poderia voar
Quando o propósito era, na verdade, se entregar
Se pulei, o fiz por mim
Eu realmente acreditei que estava agradecendo
Que as coisas boas da vida não podiam ser de graça
Que não poderia conquistar nada sem abandonar um prazer
Mas não foi pedido nada pela minha reza
E hoje entendi que fiz pela minha paz
O mundo é um equilíbrio de energias
Mas não obedece nenhuma lei de mercado
Tudo que a vida mais quer de nós
É que façamos tudo com a devoção do amor
Que mergulhemos em nossos sonhos sem restrições
Doemos a essa nossa existência o nosso melhor e mais sincero
E as conquistas, a felicidade e plenitude que virão
Serão consequências e nada além disso
Desculpe-me demorar a compreender
Quando uma força intercede por nós, o faz de boa vontade
Esqueça agradecimentos, sacrifícios, dívida
Só é preciso ao interceder no mundo, fazê-lo com a mesma boa vontade
 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Compasso” (02/08/2018)

O alarme toca quando for hora
O computador entre em espera
O carro avisa da gasolina
Alguém vai marcar um encontro
Alguém vai me chamar um dia
Alguém vai reconhecer a verdade
Amanhã eu começo de novo
Amanhã o tempo vai estar melhor
Amanhã há de dar certo
Eu acredito que ele já sabia
Eu acredito que ela vai vir
Eu acredito no que disseram
Até onde eu sei ele é bom
Até onde sei ele tentou
Até onde sei ainda é possível
Afinal, a vida é esperança ou espera?

Ass: Danilo Mendonça Martinho