“É só”(05/02/2019)

Estou na sombra
No minuto atrasado
Vendo partir
Aplaudindo ganhar
Todos vivendo
Eu esperando

Não distribuo culpas
A inércia é minha
Não sem motivos
Desesperança cansa
Inveja da vontade
Larguei quem era
Por muito pouco

Ainda resta raiva
Sobra indignação
Até mesquinharia
Quero que prove
Antes que acredite
Meio por indolência
Também por ser incapaz

Caminho ou sou levado?
Tenho fé ou indiferença?
Coragem ou medo?
Fim ou começo?
Diga o que sou
Não há nada que sei
Se escolhi, errei

LIBERTE-SE!

Há duas coisas que precisamos prestar atenção na vida. A primeira é reconhecer ao nosso redor as pessoas que temos, que nos dão suporte, força, um abraço que seja. Não digo apenas ter consciência que estão aqui, mas verbalizar isso para eles. Algumas vezes é tudo que um grande amigo precisa e sabemos que vamos precisar um dia também ser lembrados dos nossos valores, daquilo que temos de bom. A segunda coisa é fundamental. É reconhecer ao nosso redor as pessoas que não agregam nada a nossa vida, que atrapalham nosso crescimento, nossa felicidade, nossa paz. Infelizmente sou obrigado a constatar que damos ouvidos, que pesamos opiniões, que deixamos levarem a intriga para nossas almas. Muitas vezes o mal que elas causam passa despercebido. Diluímos no cotidiano, deixamos para lá, achamos que é pouco, é pequeno, mas aquele pedacinho fica martelando na sua mente, impregnado no seu coração. A solução parece simples, mas nem sempre as circunstâncias permitem. Por isso temos que encontrar em nós a melhor maneira de viver e conviver com essas presenças em nossa vida. Mas a primeira atitude é identificar. Saber de onde vem o golpe já ajuda muito. É o primeiro passo para se libertar e voltar a crescer. Repare e inspire-se!
Avaliações”
Cansei, tudo tem limite
Sei quem eu sou
E não preciso de dúvidas
Faça seu jogo
Diminua seus pares
Eu cresço na tua maldade
Você não entende respeito
Você me toma por tolo
Tua ignorância me espanta
No menosprezo que te cerca
Farei o máximo para que se cale
Mas se te coçar a língua
Que seja um grito no vácuo
Na indiferença que merece

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Sobre âncoras

Eu ainda tenho a perfeita consciência do sentimento que levou ao poema a seguir. Poderia dizer que traz medo. Poderia vislumbrar um perigo. Ninguém quer sentir dor, angústia, raiva. Só que olhando bem a minha consciência dessas palavras transformam o meu agora em algo transparente, palpável, possível. Quando temos o exato conhecimento das nossas barreiras, sabemos para onde seguir. Pense na palavra “amarra”. Amarrar é prender, neste caso prender a si próprio em pessoas, condições, sonhos, resultados, fins, e inúmeras outras expectativas. É depender de coisas fora de seu controle, e muitas vezes se deixar levar. Avalie bem a sua vida e veja ao que está amarrando a sua felicidade, pois pode ser exatamente o que te impede de ser. Consciente das amarras, o próximo passo é ser livre. Inspire-se!


“Amarras” (04/05/2018) 

Eu errei, mas isso não me define
Eu sei tudo que já passei
Do passado ninguém me tira nada
Eu trouxe comigo o melhor que pude
Que seja para você aquém
Que jogue tudo pro alto
Que me julgue pela parte
Eu não deixo de ser inteiro
Mudei? Me deixei levar?
Acreditei nas suas verdades
Acreditei tempo de mais no meu fracasso
Limitado, impotente, incapaz
Lamento ter perdido a voz
O ímpeto e até a confiança
Lamento pois foi por você
Eu me diminui
Eu deixei de ser
Não adianta tapa na cara
Não adianta desdém ou desgosto
A minha realidade está no espelho
Só que agora eu digo, nunca mais
Por ninguém jamais


Ass: Danilo Mendonça Martinho

Sobre paz

A vida é curiosa. No mesmo dia que senti minha alma embrulhar-se novamente em angústia. Quando me questionei tantas vezes do porquê desse sentimento. Assisti um trecho da entrevista com Paul MacCartney feita por James Corden, e ele conta a história da música “Let it Be”, que poderíamos traduzir como “deixe estar”. Ele fala que sonhou a mãe, ele cheio de problemas e grandes fardos da fama e as dúvidas da carreira, e a mãe simplesmente falava para deixar as coisas serem, e ele sentiu como se tirasse o peso do mundo das costas, e entendeu como era simples e lembra de pensar “as coisas vão ser ótimas” . Essa foi a conexão que vida me trouxe quando eu buscava por paz dentro de mim. Quantas coisas nos agarramos? Quantos sentimentos? Quantas pessoas? Quantos momentos? Quantos sonhos? Talvez seja o momento de abrir mão, de deixar vida ser, florescer, crescer. Deixar seguir não é desistir, é compreender que há tantas coisas maiores do que nós, e deixar a vida acontecer talvez seja o que falta pra nos abrirem os caminhos. Convido vocês a desabafarem aqui, faz um bem enorme se encontrar em paz. Desabafe, e Inspire-se!
Reconhecer” (26/06/2018)
 
Não me acostumei com as sombras
O erro, a falha, o fracasso
Continuam a embrulhar o estômago
 
Não desvencilhei das amarras
Assumi toda culpa como verdade
Deixei meu inconsciente acreditar
 
Agora eu peço por paz
Para achar o que escondi da alma
Para vencer as incertezas do coração
Para respirar como se fosse natural
 
Não perdi o controle
Ele nunca existiu
Foi ilusão, foi desculpa
 
Não foi arrogância
Foi falta de consciência
O espelho é um lugar para se entender
 
Ao menos antes do tarde demais
Eu aprendi a abrir mão
A liberdade ainda está longe
Já a paz sempre esteve aqui

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Alma” (17/04/2018)

Eu preciso te falar sobre o meu querer
Desisti de tentar e comecei a fazer
Ainda não entendo o que deixo para trás
E não me importa se não puder levar você

Te quero até as últimas consequências
Me leve até as verdades e inocências
Me encontre de novo, me reconheça
Ou como último pedido me esqueça

Eu me nego ao que devo
Eu me entrego ao sorriso
Cansei de tudo que preciso
Eu só quero ser feliz

O inconsciente me trai
Abre todo meu peito
Revela o medo que corrói
Liberta a chance de ser melhor

A vida não tem muito segredo
É mostrar o que somos
Agir pelo nosso sonho
E saber o que guarda nesse espelho

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Você sabe” (01/02/2018)

Talvez eu tenha que contar o tempo
Talvez já execute o que não quero
Talvez seja medo ou responsabilidade
Talvez tenha deixado passar
Talvez tenha me deixado levar
Talvez sejam amarras ou inseguranças
Talvez seja apego ao passado
Talvez seja incapacidade de crescer
Talvez seja auto-sabotagem
Talvez seja satisfação na ilusão
Talvez falte fé no sonho
Talvez falte em si mesmo
Talvez eu esqueci como cheguei
Talvez eu apenas me perdi
Talvez tenha perdido a vontade

Há sempre uma desculpa
Há sempre uma palavra
Só fica no talvez quem se cala

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Queda Livre” (18/01/2018)

No disfarce da chuva
A voz não poupou ninguém
Entregue ao ódio
Mergulhada na inércia
A razão que se perdia
Era a mesma que justificava
A emoção não esconde a alma
A raiva cega aguçava os sentidos
Acabava ali naquele instante
A mente despedaçada em dúvida

A gota que toca a pele
Escorre a lágrima, penetra na alma
A gota que é prisma
Ilumina o caminho, clareia a escolha
A gota no meio da tempestade
Sem tréguas e nada além da verdade
A gota que chega ao chão sabe
Que é a última vez

Ass: Danilo Mendonça Martinho