“Faça”

A viagem sem volta
O passo diante o abismo
A chance e a consequência

A realidade que supera o sonho
A verdade que desfaz a imaginação
Sem fuga, sem depois

Abraçar a vida, abrir o peito
Ser sem ressalvas
Agir pelo querer

Não há plano que dê certo
Nem amor que floresça
Sem a primeira atitude

A inércia se encarrega do resto
Basta a coragem, o ímpeto
De colocar o mundo em movimento

Faça!

“Controle”

Vida não tem direção
Nem o tempo controle remoto
O dia não segue nenhuma agenda
Nem o amor segue algum roteiro

Não quero causar desespero
Nem desistências antes do final
Só quero evitar frustrações
Ou pedidos de devolução

É preciso abraçar o que a maré traz
Sorrir quando os ventos mudam
Recomeçar quantas vezes for preciso
Não ter pressa de chegar

É preciso encontrar paz e não razão
Ter empatia e não julgamentos
Relevar os teus rancores
Cultivar a alegria

O verdadeiro controle é ser livre
Amar tudo que sente
Fazer tudo que gosta
Ser tudo que é possível
Sonhar com o que ainda não é

“O que me diz respeito”

Se esse destino é meu
Cabe a mim dizer o que lhe cabe
O que terá espaço na alma
O que sempre vai dar tempo
O depois é cruel demais
Para deixar lá coisas que amo

Estar aqui precisa ter significado
Fazer disso algo maior na vida
Que os deveres sejam rotina
Que a poesia e o amor sejam escolhas
Tem importâncias que criam pesos
Tem importâncias que abrem sorrisos
É horas de abraçar o que faz diferença

Não me pergunte para onde
Não me peça por certezas
Estou construindo a estrada
Fazendo do meu jeito
Para que chegar não seja a vitória
Mas todo dia seja

“Um momento”

É preciso olhar para dentro
É preciso olhar para si como pessoa
É preciso olhar para si como companheiro
É preciso olhar para si como cidadão
É preciso olhar para o próximo com empatia
É preciso olhar para o próximo como igual
É preciso olhar para o próximo
É preciso olhar para nós como sociedade
É preciso olhar para nós como humanidade
É preciso olhar para nós como futuro
É preciso entender que sem esse olhar estaremos perdidos

“Aos nossos queridos”

Será que existe outra tradução?
Será que você vai entender a intensidade?
O que seremos só em palavras?
O que faremos sem o abraço?
 
O que sentimos não fala
Não aparece no vídeo
Não tem emoji perfeito
 
O que sentimos transborda na pele
Se entrelaça nos dedos
Conecta testa com testa
 
Mas pelo mesmo amor que sinto me afasto
Te protejo para te amar mais tempo
O que faria se tornasse nosso abraço....
Um último
 
Esgotarei o dicionário
Lotarei e-mail e caixa de correio
Assim não restará dúvida do que sinto
Assim sonhar com esse abraço....
Permanecerá possível

“Qual é a sua?”

Eis que surgem os paradoxos
É preciso um norte
Mas também aceitar a tempestade
Afinal as vezes é perdido que a gente se encontra
Mas você não pode se deixar levar
Deve tomar as rédeas
Remar em direção aos seus sonhos
E entender que a realidade não é sempre como imagina

Então o que a vida me diz?
Que existe um destino
Mas inúmeras circunstâncias vão me desviar
A felicidade virá da onde menos se espera
Ainda assim não deve se entregar
Deve desenhar, moldar e arquitetar o futuro
Para depois vê-lo reconstruído por um amanhã…
Vida, qual é a sua?

“Ciência do Amor” (12/06/2020)

Que me desculpe a biologia, mas corações são feitos de chocolate. Se precisarem de provas vejam as paixões que os derretem. Ficam maleáveis, se contorcem, fazem o impossível para agradar. Abandonam o ritmo e dão para vida esse doce sabor ao leite.

Você pode argumentar que chocolate também pode ser amargo, pois então eis outra prova: os corações que encontramos aos pedaços. Que foram partidos como um tablete em um dia frio, lascas que jamais serão recuperadas. Provados e deixados para trás. E mesmo esses com seus gostos exóticos encontram quem os ame, que os transforme em inteiro novamente.

Agora se te resta ainda alguma dúvida, observe os chocólatras, os assumidos e os que se enganam. Por todos lados dispostos a entregar a vida por um instante deste sabor, para ter consigo a memória de ter provado algo tão sublime. Veja os corações mordidos e fisgados por aí, e me diga se o que bate dentro do nosso peito não é puro chocolate, a tradução mais deliciosa do que chamamos de amor.

“Jornada” (20/04/2020)

Tenho roubado
Pulei as páginas de verso
Espacei as linhas mais que precisava
Repeti por causa de detalhes
Esparramei sem preencher

Há verdades aqui
Sentimentos profundos
Alguns tapas na cara
Reflexões e devaneios

Mas também omiti
Não escancarei a alma
Muito menos meus medos
Sigo sem as palavras certas
Sem propósito claro

Procurando atalhos
Esqueci de olhar o caminho
O começo é sempre possível
O fim depende de mim