É a vida…

A vida é gentil
Não grita, não esperneia
Caminha um passo de cada vez
Te diz sem insultar
Está sempre pronta a aconselhar
Traz sinais, traz pessoas
Não se cansa de avisar
E convenhamos….
A vida te faz feliz
Sem overdoses
Nos momentos certos que ficam
Abraços maternais
Beijos memoráveis
Sonhos realizados
Tudo a seu tempo
Ela espera a gente aprender
Espera crescermos
Tem paciência de Vó
A vida não se preocupa com porquês
Ela sente, ela faz, ela leva
É resposta, caminho
Ela segue em frente
Tão naturalmente como deve ser
Como os rios que deságuam
Sem leis, nem razões
A vida não é fácil?
Mas ela abraça todos teus planos
Te acompanha em todas loucuras
Até decide quando você não consegue
Ela é espelho das nossas escolhas
Faz o possível para se moldar as nossas vontades
Não cria impedimentos
Apenas consequências
A vida suspira, observa, pulsa
Sem jamais nos deixar esquecer
É oportunidade, é chance, é única
Se constrói e se desfaz no tempo
Não se mede, não se pesa
Vive-se enquanto pode
Pois a vida meu amigo, não tem culpa
Apenas fim

Oração do Poeta

Que eu nunca me cale
Que a palavra vença a dor
Que alma grite as verdades

Prometo não fechar os olhos pro mundo
Sentir suas aflições
Revelar seus detalhes
Compartilhar sua realidade

Essa é a minha luta
Ter voz no meio do silêncio
Ter coragem quando há medo
Ter esperança quando se está perdido
Ser quem nunca desiste

Sou poeta
A palavra é minha arma
O verso é meu escudo
E a poesia viverá para sempre

“Prioridades”

A gente sonha
A gente imagina
E o poeta se perde
Nos véus do horizonte
Criando esperanças
Pintando futuros
Polindo a realidade
…Fuga ou motivação?

O controle da palavra
É um privilégio
Todos queremos certeza
Dar a nossa direção
Vencer, terminar, chegar
Amar, sorrir, abraçar
Arquitetar nossos passos
E seguir até o fim
…ingenuidade ou ilusão?

Os pés no chão
Os olhos no mar
A lágrima no rosto
O peito aberto
O tempo que corre
O abraço eterno
A verdade na língua
O amor no bolso
Na confusão e paradoxos
O que me esqueço…
Nas entrelinhas?

“É…..” (27/08/2019)

É triste
Que escolhemos o ódio antes do amor
Que atacamos antes de escutar
Que julgamos antes de compreender
Que preferimos defender um do que todos

Como a vida respira debaixo desse concreto?
Como a alma sobrevive essa opressão?
O que chamamos de liberdade
Construiu nossa prisão

O orgulho é um bem perecível
Reina sobre uma terra arrasada
Sem opinião, só bravata
Sobra a violência de um ego ferido

Tenho medo de não enxergarmos as consequências
Tenho medo desses pensamentos cruéis
Tenho medo dessa intolerância explícita
Tenho medo que não tenha volta, nem saída

É assustador o horizonte que se forma
É desconcertante encarar esse espelho
Todo dia tem um depois
Como iremos viver nele?

“Em defesa do amor”

No nosso grande coração encontramos lugar para o perdão. Temos boa vontade com a vida e com as pessoas. O que me surpreende é nossa falta de paciência com o amor, principalmente depois que ele chegou tão perto. Os namoros da adolescência são superados eventualmente. Não ligamos tanto para aquelas paixões fulminantes. Só que com o tempo nossos encontros são muito mais sobre a possibilidade do amanhã do que o agora propriamente dito. Queremos a garantia de um futuro, queremos um amor para fazer companhia, para dar suporte, para podermos contar. Nossa experiência anterior deveria já nos dar a ideia de quanto isso exige para encontrar. O amor em nenhum momento demonstra fraqueza e tenta desvendar em outros essa ideia que temos dentro de nós. O amor é tão sagaz e eficiente que acerta de primeira com muitas pessoas, mais do que a gente imagina. Mas não é fácil e erros acontecem. Sim o amor erra. Não que ele não exista, não que ele minta, mas em certos casos o ambiente se torna inabitável para ele. Acontece depois de uma semana. Acontece depois de 15 anos de casamento. O que mostra como ele chegou perto. Quantas histórias duram tanto? Quantos podem dizer que aproveitaram esse tempo de um relacionamento? Mas a verdade é que há poucos argumentos para um coração partido. Para alguém que viveu laços tão profundos, que se entregou tão completamente, ver tudo se desfazer. Eu sei, eu entendo. Mas deixar de acreditar no amor é a resposta? Durante sua vida toda ele te armou tantos encontros, te fez tão feliz, doeu também, mas passou. A dor é a gente que decide levar, o amor está sempre conosco. Ele nunca deixou de tentar, enxergou muitos pares, fez de tudo para te fazer feliz. Se ele acerta somos gratos e quando ele erra o abandonamos? O amor não precisa de uma segunda, ou até mesmo, de todas as chances que pudermos dar a ele? Afinal se ele acertar uma vez, não é tudo que precisamos? Não é curioso que o amor, logo ele, precise de uma defesa? A decepção, a tristeza, fazem parte. Não deixe o amor de fora. O fato é que independente do que sentimos, ou de como encaramos nossos momentos, o amor não vai desistir de nós e eu simplesmente acredito que nós também não deveríamos.

“Sobre novos anos” 30/12/2019

Não é sobre esquecer o passado, tentar transformá-lo, brigar, deixar para trás. É sobre deixar cada coisa eu seu lugar. O passado tem o espaço dele, ele fala, ele ensina, ele mostra, só não muda. Temos que aceitar quem ele é, e não carregá-lo para onde não pertence. O passado é poderoso. Ele guarda tudo que nos tornamos, todas as coisas boas, as conquistas, o sorriso. Ele também guarda as coisas que aprendemos que não queremos ser, aquilo que queremos melhorar em nós. É um eterno guia, um manual em construção do que a vida nos ensina. Mas como qualquer livro ou palavra de poeta, ele só instiga e mais nada pode fazer. Agir sempre estará neste agora, nas nossas mãos. Cada coisa em seu lugar. O passado está conosco, o futuro é um norte, e o presente é hoje….e hoje….é sempre ano novo.

“Devaneio Existencial” (14/05/2019)

A vida é uma jornada. E por mais que a gente tente fincar nossos pés no chão a alma foi feita para voar. Não tem terra, não tem lugar, não tem abraço que impeça. Somos primitivamente livres. Nossa efemeridade é tão real que faz qualquer deslocamento parecer insignificante. Mas é justamente essa a brecha para experimentarmos. Podemos partir, voltar, mudar, fazer, esquecer, amar. Não há consequências cósmicas para nossa vida. Estamos soltos nesse universo com uma passagem só de ida. Se apegar ao tempo é comparar-se ao infinito. Devemos nos aproximar do que tem fim. Todo resto é mutável, do seu emprego ao quadro pendurado na sala. Nada precisa e nem deve permanecer como está. Somos evolução, parte que mesmo sem querer segue em frente. Quanto mais longe olhamos mais imprevisível é o caminho. Reme ao mesmo tempo que aproveita a maré. Não há nada para você aqui, mas há de tudo em todo lugar. Viver é uma ciência a parte e por isso digo para desconsiderar as distâncias, não medir os anos, não calcular a saudade. O rio segue correndo encostando sem ficar e quando dentro dele somos tudo em todo lugar. A vida é uma força que permeia a todos nós, estar é uma breve conclusão que logo se desfaz. Somos, vivemos e levamos para onde quer que for.