“Jogo Perigoso” (04/05/2010)



Não conheço tuas regras
Não reconheço teus sinais
Não entendo o que me pede
E talvez não seja capaz

Já declamei ao pé da janela
Já precipitei intimidades
Já esperei até não poder mais
E ainda não sei do que é capaz

Queria roubar tua essência
Queria misturar nossos braços
Queria distrair nossa razão
E ser capaz de te conquistar

Mas desisti dos jogos
Mas derrubei as máscaras
Mas abri mão dos sonhos
Incapaz de viver em ilusão

Se pensas que não reparo
Se achas que te ignoro
Se preferes fingir a acreditar
Será capaz de um romance?

Eu entro no teu jogo
Eu dispo os sentimentos
Eu entrego a verdade
Sou capaz de tudo por você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Nossa Casa” (25/04/2010)



Vamos deixar um espaço para saudade
Uma janela para liberdade
Um cômodo para o silêncio

Vamos colocar a coragem no armário
Pendurar o medo atrás da porta
Envolver com virtude o travesseiro

Vamos encher a sala de alegria
Pintar de felicidade as paredes
Lavar a tristeza do quintal

Vamos fermentar a confiança
Preparar a sinceridade
Servir compreensão.

Vamos deitar a melancolia
Cobrir os sonhos
Ninar nossos desejos

Vamos acender a lareira de esperanças
Ouvir um pouco da verdade
Aquecer os corações

Vamos manter a luz acesa para o arrependimento
Convidar as desculpas para sentar
Chorar nossas mágoas

Vamos abrir a porta para o amor
Despedir-se da solidão
Lembra-los de sempre voltar

Vamos construir alicerces de abraços
Uma varanda de paz
Um sótão de poesias

Vamos alimentar nosso quarto de carinho
Guardar os beijos no criado mudo
Ligar o abajur sobre nosso romance

Vamos fazer dos sentimentos nosso eterno lar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Vazio” (24/04/2010)



Há algo de inquietante na espera
De sufocante na paciência
A espreita da calma
Beirando a loucura
É preciso andar a pé
Evitar a inércia
Descobrir-se sem razão

Há algo de amedrontador em seus olhos
De amargo nas suas palavras
A inevitável negação
Transbordando de sua boca
É preciso fechar os olhos
Evitar a realidade
Descobrir-se em ilusão

Há algo de nocivo nesta paz
De mentiroso nesta tranqüilidade
A verdade faz tocaia
Dorme nas fronteiras
É preciso fugir
Evitar o coração
Descobrir-se em solidão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não me Pertenço” (18/04/2010)



Achei decidir
Acreditei controlar
Tentei fugir
Sonhei voar

Corri sem destino
Chorei sem parar
Dormi sem perceber
Acordei sem razão

Pedi desculpas
Engoli mentiras
Neguei perdões
Sufoquei verdades

Voltei para casa
Senti-me sem escolha
Entreguei meus princípios
Fui incapaz de me construir

Enganei-me diante o espelho
Vendi uma imagem
Descolori minha vida
Deixei o que já não era meu

Confundi as paisagens
Troquei o amor
Esqueci as dores
Vivi na solidão

Imaginei uma história
Escrevi poesias
Divulguei esperanças
Rasguei seu final

Desisti de mudar
Aceitei fingir
Desfragmentei minha essência
Perdi quem eu sou

Sofri por um fim
Desenhei um ponto final
Pensei estar livre
Descobri ser teu

Fiz do consciente
Uma breve aspiração
Derrubei as máscaras
Desvendei-me em ilusão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Você é a Dama” (14/04/2010)



Você pede passagem
Faz ignorar a paisagem
Teu olhar tem algo de infinito
Neste horizonte perdido
Teu sorriso abre braços
Dos quais não escapo
Acompanho teus passos
Em um caminho insensato
Mas já tirastes minha razão
Não há lógica na equação
Quando lhe deixo ao portão
Me escapas pela mão

Você vive no inconsciente
Expert em alimentar imaginários
Some sempre em tempo
Volta antes da esperança
A cada viagem deixa uma bagagem
Até tua completa presença
Abro-te a porta e acomodo tua cadeira
Envolvo-te em um abraço e seguro tua mão
Você é a dama
Que me deixaria levar a qualquer direção

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Cansaço” (03/04/2010)



As noites têm chegado antes de mim.
Ruas vazias e um vento frio
Uma mente perdida e uma alma vagante
Um suspiro na ausência das palavras

Encolho-me no assento do ônibus
Mirando alguma estrela pela janela
A escuridão permanece intacta
Perco meu olhar em um horizonte infinito

Aguardo, suspendo, caminho
Entre outros corpos me escondo
Da minha vida me esqueço
Hoje, sei, já não volto

Na cama me descarrego
Alcanço a minha liberdade
Desfaço-me em algum silêncio
A madrugada ainda me aguarda

Mas os dias não vão me esperar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Depois do fim” (28/03/2010)



Prometeram-me uma tempestade
Mas caminho sob o Sol
Ardo em meio a seca
E compro uma ilusão

Feliz foi o momento sem ti
O futuro inacabado
Mas agora enlouqueço
Afogado em possibilidades

A ilusão faleceu em degrade
O fim de tarde lhe levou
E antes que pudesse desistir
A vida trouxe algo melhor

Abandono mais uma vez meus receios
Que venham todos os furacões
Que venham os raios e trovões
Estarei aqui quando tudo acabar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Partindo” (24/03/2010)



Eu sempre soube que você ia partir
Sempre tão leve, tão livre
Tuas loucuras diante o mundo
Teus desejos explícitos
A vida que transbordava por teus poros
Era uma alma radiante
Triste de ver presa e perdida
Havia algo de grandioso
De malas prontas
O mundo estava a sua espera
Eu só pude abri mão
Fui porto passageiro
História para contar
Lembrança eterna
Pretendo assim continuar
Em uma distância segura
Longe das melosas despedidas
Nosso romance não precisa
Basta-me teu último beijo
Basta-me teu eterno abraço
Qualquer coisa além é exagero
Um verso seria injusto
Palavras de amor seriam egoístas demais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Bem Estar” (22/03/2010)



Não conto mais pétalas de rosas
Não arquiteto mais nenhum verso
Tudo acabou-se dentro de mim
Os últimos já levantaram acampamento
A grama verde já volta a nascer
E não demora a você esquecer também

Fui réu confesso de meus erros
Fui sem saber para onde
Defini então todos meus limites
Cansado de tentar demais
Fui encontrar em mim um lar
Onde sempre quis estar

Perdoe minha sinceridade
Perdoe minha falta de jeito
Mas o amor é alguma outra coisa
Aquém de qualquer explicação
E já não posso mais me importar
Nem imaginas do que abri mão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Nome e endereço” (19/03/2010)



A solidão e a tristeza não se conhecem.
A bondade e a beleza não moram na mesma rua.
A verdade tirou férias e a mentira morreu antes da hora
O medo é primogênito e a coragem filho do meio
A felicidade não tem lar e o amor argumentos
A ansiedade às vezes dorme com a saudade
O ódio é visitante sem aviso e o rancor inquilino
A angústia e a melancolia desejam opostos
A virtude talvez não esteja entre nós

Ass: Danilo Mendonça Martinho