“Âmago” (25/10/2010)

Sou todo coração
Pulso lágrimas
Pulso sangue
Involuntário, não inocente
Ataco se for preciso
Ameaço desistir
Dores agudas
Angústias incuráveis
Exijo respeito
Não venha magoar
Não queira me negar
Saio pela boca
Reivindico meu amor
Sem ele, sou nada

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Inferno Astral” (19/10/2010)

Cansei dos olhares
As alegrias já se foram
Tudo é efêmero
A começar pelas dores
Incisivas e pontuais
Nem sei por onde sofro
Entranhas ou coração
As felicidades que passam
O corpo que permanece
O peso constante
O olhar inerte
Pela janela crescem
As melancolias de outra estação
Logo escorrem pelo rosto
Se não puderem regar as flores
Ao menos escondam todo resto
Suspiro junto as manhãs
Também cansadas das promessas
No mínimo foi a esperança
Que deixou a porta aberta
Mas o que há lá fora
Que já não tenha me tomado por dentro.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Livre” (07/10/2010)

A liberdade pede desapego
Eu lhe esqueço
Dissipo em palavras
Meus últimos apelos
Lhe deixo

A liberdade é recomeço
Abandono os conceitos
Palavras de outrora
Rancores do meu peito
Me despeço

A liberdade é permissão
Almejar uma nuvem
Derramar no horizonte
Uma felicidade cadente
Nos encontramos

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“15 minutos” (07/10/2010)

Em 10 segundos faço um extrato
Impressos na paisagem cotidiana
Simples códigos binários
Um par, dois quaisquer
Mas na verdade somos nós
Na minha ausência pode ser vós
Mas caso seja apenas tu
Deixo então um recado
Mas preciso de um minuto

Guardo duas frases clichês
Comigo uma saudade de você
A distância que cria o só
A solidão que nos faz vivos
No caso de faltar estrelas
Concedo alguns pedidos
Só não me peça o tempo

Não sei dizer adeus
Pouparei os últimos instantes
Eles merecem o improvável
O impulso de um abraço
Seguro neste momento
Toda verdade entre nós
Quem precisa de 15 minutos?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Meu Vazio" (15/10/2010)

Não há memória no verso
Não há história na fala
Não há passado no olhar
Não há romances nos silêncios
Não há estrelas cadentes no céu
Não há praias desertas
Não há companhia ao pôr-do-sol
Não há beijos memoráveis
Não há abraços de despedida
Não há por quem chorar
Não há saudade para sentir
Não há palavras de amor
Não há para quem ligar
Não há para onde fugir
Não há como não sentir
Não há uma realidade sequer
Não há música
Não há paisagem
Não há momento
Não há…você.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Imperativo” (15/10/2010)

Exijo, porque não?
Quero flores e estrelas
Quero mais tempo
Beijos e abraços
Sonhos acordados
Pôr-do-sol
Chuvas melancólicas
Um reflexo do meu universo
Outros românticos
Amigos solitários
Pessoas fora do século
Compreensão
Quero rir sem parar
Quero sentir
Sofrer e chorar
Um novo amanhã
Esquecer
Que chegue no horário
Que jamais me deixe
Uma noite sem dormir
Uma verdade para sonhar
Uma solidão
A felicidade no armário
O romance no travesseiro
A poesia no horizonte
O infinito na palma da mão
Exijo, porque não?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Contra Ponto” (30/09/2010)

Teu reflexo é meu todo
Assim que devo te julgar
Pela transparência da realidade
Bastaria um olhar direto
Seríamos corpos artificiais
Vamos manter as inocências
Puros seremos mais sinceros
Essências isoladas

Eu temo a palavra
Qualquer uma delas
O começo de nossos conceitos
Minutos até destruir o encanto
Satisfaço-me com o mistério
Na impossibilidade do encontro
Enamorar teu reflexo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Entre mistérios” (27/09/2010)

Desculpe esta transgressão
Quebrar a intimidade dos nossos olhos
Mas tua presença transborda minha curiosidade
A vida insiste em nossos encontros
Nunca me passa despercebida
Será que deveria lhe dizer algo?
Será que guarda um segredo para mim?
Mesmo assim permaneceremos de passagem
Efêmeros como a cidade que nos cerca

Já reparei o compromisso na sua mão
E que seus olhos esboçam um sorriso
Somos imagens recíprocas em nossas vidas
Sem nomes, destinos e propósitos
Não somos nada além disso?

Você é um sinal
Eu preciso descobrir do que.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Uma Escolha”

Se você olha para alguém sem romance
Sobra só o corpo
Se você olha o horizonte sem romance
Sobra só poluição
Se você olha a cidade sem romance
Sobra só cansaço
Se você trabalha sem romance
Sobra só burocracia
Se você discursa sem romance
Sobra só frieza
Sem sentimentos, tudo é descartável
A começar por si próprio

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Logo Será Amanhã” (21/09/2010)

Fico aqui imaginando
Quando nos tornaremos rotina
Um par de essências corriqueiras
Nomes gastos pela convivência
Sombras do primeiro encontro

Talvez a semana ajude
Os compromissos nos separem
O risco é perdemos palavras
Mas podemos ganhar tempo
O necessário para não esquecer

Pensei que poderia me acostumar
Hoje não quero mais
Quero que tudo seja incômodo
Bagunçar nossos princípios
Um rascunho…meio ontem e amanhã

No fim vou me conformar com a paisagem
Vou decorar todos os seus caminhos
Meu desconhecido será familiar
Faltará espaço para o perdão
Até mesmo isso soará comum

Ass: Danilo Mendonça Martinho