“Carta do Desencanto” (06/11/2011)

Amor, venho esvaziar todo seu sentido. Eu que um dia roubei teu significado do dicionário. Já sou incapaz de repetir o abraço. As flores murcharam, abandonei-as em um inverno qualquer. Levei-te para toda palavra, te fiz contorno do meu universo. Meus olhos padeceram de cor, você escureceu em algum tom de cinza. Escrevo para desconstruir-te, apagar a marca do meu horizonte.
Tua falta não alimenta a solidão do meu quarto, já não é nem mais sombra. Desfaço meu sorriso a cada reciprocidade que não posso lhe dar. Desenlaço meus dedos em versos no papel cheio de letras frias. O “te” já não conjuga com você. Engoli o gosto amargo de não te querer. Preciso me desmanchar de qualquer virtude, desvencilhar-me da esperança. Não sou. Quero voltar a ser comum, paisagem, memória e talvez nem isso. Há de sobrar entre nós apenas um substantivo indefinido. Aqui mando a última coisa que posso lhe dar: Amor .

Ass: Danilo Mendonça Martinho

14 comentários em ““Carta do Desencanto” (06/11/2011)

  1. Essa foi super profunda…doeu grande..Gosto muito do seu jeito cru de escrever, desse seu jeito de não gostar de mascarar sentimentos, de se colocar nu na poesia.Gosto da sua autenticidade e aprendo muito com ela.Ás vezes, a gente gosta de se enganar, mas vejo você fazer um esforço grande para não se iludir.Um grande abraço,Luana Barcelos

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