“Defesa Final” (25/03/2011)

O outono nasce dentro de mim aconchegando cada sentimento. O frio me toma a pele, busca por companhia, exige o encontro com a alma. A natureza se desfaz das suas barreiras e nos toca no íntimo, forra nosso caminho de belezas, aproxima o horizonte. Caem sobre nós variações de um cinza que não chora, nem lamenta, mas abraça, congela momentos num quadro preto e branco. A vida não é sem cor, ela apenas às vezes a dispensa, prefere o nu, o sensível, o humano. O sol é pontual brilhando sem esquentar, transformando tudo em uma fotografia antiga em tons de sépia, como se essa memória fosse para sempre. Aqui somos nos mínimos detalhes dentro da serenidade dos dias que não arrastam, mas caminham. Como é importante viver cada passo, a vida só vale por completo. O céu fica alternando suas vestimentas brancas e azuis, e sempre construindo imensidões, chegamos aos lugares mais escusos do âmago. É tempo de descobrir nosso próprio universo, seus cantos, seus silêncios, seus espaços. Faço moradia nesse estado que posso chamar de meu, que sempre posso voltar e me fará sobreviver por outras estações. Momentos assim raros, todo viver o é, e percebê-lo desta forma é metade do caminho. Como é bom saber para onde. Esse ar aparentemente inerte dá uma sensação única de direção. Faz do futuro agora. Encho meus pulmões da mais fina esperança, arranjo uma cadeira na varanda, acendo um lampião na entrada e assim espero por qualquer inverno. O outono é um tipo de paz.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

5 comentários em ““Defesa Final” (25/03/2011)

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