“Simples” (17/03/2015)

Que o dia passe
Mas não me traga esperanças
Apenas me leve
Como folha de outono libertada
Que a vida preencha
Os passos os quais não sei seguir
Me conceda um sinal
Para que o horizonte não seja infinito
Que me tome pela mão
As palavras que não devia abandonar
Nas noites frias
Quero apenas um cobertor sem sonhos
Dormir com o peso do corpo
Deixar a alma ir para onde quiser
Que seja feliz
Acabar com a busca sem propósito
Hoje sou pleno
Amanhã poderei ser tudo
Natural é ser livre
Cair no outono….renascer numa primavera qualquer

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Partido” (22/01/2015)

Jamais irei embora mãe
Há comigo o que não é genético
O caminho de volta para o amor
Serei em qualquer lugar da vida
Tudo que aprendi ao seu lado

Agora eu sei como levantar paredes
Quero plantar meus sonhos
Quero me responsabilizar por outro coração
Preparar carinhos toda noite
Deitar sempre em paz

Mas não despertenço de nada
Meu futuro fará parte do passado
Seremos eternamente este abraço
Seremos sempre este encontro
E jamais esqueceremos o beijo de boa noite

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Em frente” (22/01/2015)

Quando nos sentimos no passado de nossa própria vida, estagnados, sem perspectivas e temos apenas um emaranhado de sonhos na nossa frente; Sinto-me numa prisão. Não conseguimos fluir, não encontramos vontade, os dias nos são extremamente indiferentes. A única coisa que permanece é a dúvida: Será que podemos fazer mais? O que estamos deixando passar? Qual sinal não soubemos ler?
Só que aqui aprendi uma coisa. A diferença entre o fardo e o incômodo. O fardo cansa, fugimos, precisamos sem querer, fazemos sem precisar. Já o incômodo te move. É o que não conseguimos deixar de lado, o que queremos melhorar, o que queremos ver crescer, o que queremos fazer mais, o que eventualmente pode lhe tirar da cama pela manhã.
Quando todo resto te consome a saída é apenas uma fresta. Mudar pode exigir tudo de você.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não feche seus olhos” (20/01/2014)

Eu não devia saber significados, não que hoje tenha muito o que explicar, só que a beira da minha janela era meu esconderijo. Uma época onde os minutos admirando o céu azul e deixando a cabeça livre não geravam culpa. Depois de criança toda pausa tem que ter porque. Mas segue dentro de mim a janela aberta de frente para este mundo de contrastes. O que cabe entre a árvore e o concreto? Nem tudo é céu. Tento preencher de sonhos, mas há tanto que não está em nossas mãos. É preciso se projetar no infinito para se sentir parte deste todo. É preciso estar distraído o suficiente para pensar em nada. É preciso libertar sua consciência da culpa. Ninguém pode te prometer o horizonte, apenas a janela.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Um abraço” (19/11/2014)

Honestamente não sei como quebrar o silêncio, e dizem que sou bom com as palavras, mas nunca com você. Não sei como vai me receber naquele dia, há muito na sua cabeça e independente do seu humor sei o que guarda por dentro e isso é o que sempre admirei. Então mesmo de lado, de canto, vamos nos entendendo aos poucos, com fala baixa e rara, sobre assuntos banais e outros nem tanto. Muitas vezes pessoas viram como você exterioriza toda sua raiva, sua inconformação, e só quem convive mesmo sabe que guarda para si toda bondade, tudo que sempre te faz tomar atitudes de cuidado, de carinho. Talvez o que mostramos para o mundo nos deixa mal falados, ou incompreendidos. Talvez não seja preciso palavra alguma, apenas um olhar que enxergue e que principalmente saiba. Por você a vida seria só sacrifício por aqueles que ama. Por mais que certas coisas fujam da sua compreensão, ainda assim aceita e faz o melhor pelo outro. A vida já te deu muito revés, mas não te tirou esse gesto, não apagou essa alma, não te tirou do rumo, apenas algumas vezes do sério. Eu sei e acredito que você sabe que este silêncio entre nós é amor. O que tem me incomodado é outra coisa. Queria chegar perto de ti e te abraçar, para que você soubesse que sou grato. Nosso amor é incondicional, eu quero dizer outra coisa que não está na palavra, nem na falta dela, nem neste nosso acordo velado. Quando nós crescemos percebemos o quanto certas pessoas a nossa volta dedicaram partes inteiras de suas vidas para que nós pudéssemos viver as nossas. Penso que talvez isso nem caiba em um único abraço, mas você merece essa gratidão expressa da melhor forma que posso. Ainda saberei melhor o que te dizer, serei melhor em encurtar nossas distâncias, por enquanto darei um jeito de te encontrar neste abraço que não é por agora, mas pelo que sempre foi para mim. Teu coração é meu exemplo e espero que o meu também tenha força de alcançar tantas pessoas. Obrigado por doar esta parte de sua vida, farei algo lindo disso tudo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Livre arbítrio” (12/11/2014)

Viver definitivamente é uma possibilidade
Respirar é um ato tão involuntário que não se sente
Caminhar pode ser apenas uma questão de inércia
Falar é algo que se aprende imitando o outro
Nossa existência segue o que lhe é natural

Viver é artificial
É uma criação puramente sua
Não existe sem vontade
Não se completa sem ação
E mesmo com esta consciência, não é uma certeza

Viver é incômodo
É preciso todos os dias seguir pelo desconhecido
Ser nômade de corpo e alma
Entender que não há lugar a salvo
E eventualmente abandonar o que já construiu

Viver é paradoxal
Continuar quando todos dizem que não
Querer com todas as forças o impossível
Acordar mesmo sabendo que nada mudou
Ter esperanças de encontrar o que ninguém prometeu

Viver é quase que improvável
A verdade é que é uma pulga atrás da orelha
A curiosidade que nos convence para mais um dia
Há muito neste mundo que é líquido e certo
Mas e se resolvermos viver…

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não sejamos os mesmos” (04/11/2014)

A vida tem lugares extremamente confortáveis. Onde as coisas parecem ter encontrado seu espaço e só precisamos seguir. Só que há um velado problema em deixar a maré levar, ela acaba dando voltas para o mesmo lugar. É preciso remar, por mais impreciso que seja o nosso norte. Minha grande ilusão é a crença neste local que sentirei ser meu a vida toda. Estamos sempre em movimento e eventualmente, por mais que algo nos defina, por mais que tenha se acostumado em ser ali, e ainda que aquele lugar seja o que te criou, a gratidão não pode virar uma prisão, temos que seguir. O caminho é invariavelmente para frente. Já me perdi nos meandros da conformação, mas o peito é mais forte, incomoda, pesa, grita até que a gente se mova. O confortável um dia vira frustração. Um pedaço da felicidade é nômade e precisamos dele para sermos completos. Quando sabemos e reconhecemos cada detalhe do nosso redor é hora de abrir uma fresta e partir. Quando se muda percebemos tudo que é supérfluo e levamos apenas o necessário, mudando lembramos o quanto ainda somos livres.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Crescer” (29/10/2014)

Sempre queremos mais
Numa busca sem limites pelo melhor de nós
Uma pressão diária e sufocante
Até que um dia nos vemos no deserto
Sem saber exatamente o que já somos
Longe de tudo que sonhamos ser
Sem uma real perspectiva de propósito
O constante sentimento de se sentir insuficiente

Nossos próprios sonhos podem nos diminuir
Fazer com que deixemos de nos reconhecer
Cada erro parece um desvio sem volta
Todo dia, sem saber exatamente o quê, algo nos vence
E nem mesmo o papel de vítima nos serve
Um desgosto por se ver fraco
Incapaz de lutar contra a própria inércia
O mundo pode ser devastador
Mas a falta da força de vontade mata

É preciso parar diante o espelho por dias
Separar o que é, de tudo que pretende ser
Reencontrar dentro de si o caminho e não a fuga
Algo que nos recorde o quanto já somos felizes
Entender que certas coisas apenas nos rodeiam
E que tantas outras são as que nos tornam completo
Querer mais não significa que já não temos tudo que precisamos
Somos do tamanho da vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Acomodação de Alma” (21/10/2014)

Recosto minha cabeça na parede enquanto espero
Perco meu olhar de tudo que acontece em minha volta
Deixo escapar sem remorso os minutos que faltam no dia
Lá se vai mais um passageiro que quase não se conta
Há uma impressão de estagnação neste agora
Talvez seja a falta dentro de si de um sonho concreto
Só que é normal passar por lugares não familiares
Locais onde aprendemos, mas jamais ficamos
O corpo tem sentimento, e sentimento tem lar
Todos nós sabemos quando estamos em casa
Tudo para mim neste momento é extremamente normal
O suspiro que alivia a insatisfação que faz parte
A esperança de que a mudança esteja sempre na próxima esquina
A compreensão que a vida tem um tempo, geralmente, bem certo
Por um milésimo de segundo o metrô cruza a ponte
O olhar desconexo cabisbaixo vê a chuva refletida no asfalto
O coração voluntário reage e me escapa um sorriso
Uma certeza sem razão que tudo vai ficar bem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Perspectiva” (10/10/2014)

Tua esperança é genuína
Muitos só esperam por esperar
Porque é certo sonhar com algo melhor
Revoltar-se pareceu um sinal de consciência
Mas as pessoas só querem mudar os outros

Só que você, mesmo vendo nos olhos do futuro
Acredita que tudo ainda vale a pena
Uma alma que se eduque é um bem para vida
O valor de si você vê no sucesso do outro
Pessoas que na medida certa podem mudar o mundo

Na tua paisagem há um Sol nascendo
Sob um povo de posse de um novo ideal
O sorriso de uma inocência renovada
A esperança que só nasce nas grandes almas
O mundo podia ser mais vezes pelos teus olhos

Ass: Danilo Mendonça Martinho