“Sentimentos Nômades” (14/02/2012)

Faz tempo que os pássaros voltaram do sul
Retomaram o canto entre as árvores
Penso no que encontram por lá
Mas hoje, quem repara no caminho?
A vida parece ser um lugar comum
Pano de fundo de rotinas
Ainda sim há frestas entre as folhas
Sei que ali as asas suspiram
Lembrando de um mundo com sonho de voar
Acredito que tudo perderá em breve a cor
Pois existem olhos que insistem em reparar
Se voltaremos a percorrer distâncias
Há o que buscar no horizonte
Se a manhã volta a nos acordar
Talvez seja o acaso superestimado
Façamos um rumo com propósito
Há mais do que calor em outro lugar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Benção…” (23/11/2011)

Fazia dias que caminhava entre nuvens. Não pedi nada para hoje, não esperava muito, no máximo minha alma livre. Ao abrir a janela eis que não há uma nuvem no céu. Um azul inocente, de algum dia puro do passado. Era impossível não sorrir diante a benção do Sol. Se alguns dias atrás, foi entre as gotas que tentei te alcançar, hoje são os raios dele que vão envolver nossos desejos. Pareceu tão apropriado, um sinal de boa sorte para o futuro. Sorri pela chance. Vamos desenhar nosso querer e, quem sabe, ele não se complete…

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Chuva de Verão” (17/10/2011)

Talvez seja louco
Mas gosto dos contornos cinzas
O jeito que me agride com gotas
O vento que sopra contra

Gosto quando me toma os céus
Faz de tudo teu véu
Disfarçando as brechas de luz
Há uma esperança atrás de ti
Desmanchará essa máscara negra
Desvendando tua alma azul anil

Devaneio seria não abraçar-te
Não abrir o sorriso na tempestade
Tudo que leva é porque deixo
Quero ser como Tu
Destes contornos cinzas
Sobre apenas o céu azul

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Véspera de Primavera” (22/09/2011)

Estamos todos contra o parapeito
Esperando a madrugada se dissipar
Abrimos mão das esperanças e medos
Tudo por um amanhã

Poderemos preencher nossa alma de novos aromas
Poderemos preencher nosso coração de novos sabores
O sol entrará por todas as frestas
Acharemos um espaço para sermos

Acreditamos cegamente em nós
Nessa chama que mantemos viva
Nesse sorriso que manteremos aberto
Na vida que sempre floresce

Estamos todos aqui reunidos
A espera do desabrochar da primeira rosa
Ela será nossa prova definitiva
A felicidade, sempre volta a ser possível.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Solidão Paulistana” (08/09/2011)

Como a raiz vence o concreto?
As ruas são frias
As almas são vacantes
Os olhares distantes
As verdades obscuras
Os passos escusos
E a palavra um abismo

Tudo por aqui passa
A multidão é vazio
Os abraços casuais
Um céu sem estrelas
Um chão sem sonhos
Inúmeras luzes acesas
Mas nenhum convite para entrar

Somos apenas cicatrizes do asfalto
Rachaduras que ainda respiram
Edifícios de corações
Poluição de sentimentos
Trânsito de silêncios
Becos de esperança
Que o corpo não seja vão

É desta terra inóspita
Onde a rosa crava o espinho
Desabrocha sua vida
Cria raízes na cidade
Acredita no seu lado bom
Nesta solidão…
Encontra companhia.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Desejo Solitário” (29/08/2011)

Talvez seja coisa de paulistano admirar-se com uma estrela. Aqui elas são mais solitárias, distantes uma da outra, como se morassem no mesmo lugar, mas não conversassem. Nesse silêncio, nenhuma precipita em desejo. Há muito para se vencer nessa cidade antes da queda. É preciso contar com a sorte de uma noite que anteceda um dia escaldante, destes sem nenhuma nuvem no céu. Mesmo assim é preciso que a noite se mantenha comedida com umidade para dispersar nossos rastros de poluição. Ainda assim a estrela, antes de qualquer cadência, depende do humano. Todos sabemos o que é depender do humano. Um olhar sem pressa, sem medo, urgência, dúvidas, preocupações. Um olhar que se não essencialmente livre, que por um momento se perca nos céus. Um olhar quente de alimentar almas, e distante, capaz de ver através dos rastros de nossa solidão. Talvez seja demais por um desejo. Talvez sejam estrelas de menos para este céu. Penso também que talvez não exista humano livre.
Temo por você estrela, que venha a ser apenas decadente.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Quebre meu Silêncio” (16/07/2007)

A Madrugada já bate na porta
Só agora percebo que chove lá fora
Uma paz passageira me toma
Um pensamento fugaz me trai

Por que veio até mim nobre chuva?
Veio transbordar meus sonhos, ou
Veio apenas criar as mudas no jardim?

Um cheiro toma meus sentidos
É asfalto, é terra, é um pouco de alma
As janelas, as telhas, as casas, o corpo

Seus presságios não pareceram de sorte
Suas gotas me pareceram incertas
Promete-me companhia nas complicadas palavras?

Ficaria olhando chover por horas
Queria tua cadência em meu coração
Queria tua claridade em minha mente
Queria tua simplicidade em meus atos

Fique enquanto puder chuva minha
Envolva-me em qualquer delírio
Sussurra-me qualquer barbárie

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Você pode ouvir este poema no próximo dia 22 de Setembro na “Noite de Autógrafos+ Sarau” do livro “Poeta da Colina – Um Romântico no Século XXI”.

Você também pode ler este e outros poemas adquirindo o livro em todo Brasil, no link acima. O site disponibiliza venda por boleto, cartões e transferência. E a encomenda chega em média em 3 dias úteis.

Conto com o prestígio de vocês, muito obrigado!

“Fim de Expediente” (20/06/2011)

A vida é boa
Esse toque de sol no rosto
A gargalhada depois do choro
As flores no jardim
Esse sorrir sozinho
A janela de esperança
O suspiro que ainda acredita
Essa brisa de fim de tarde
O aconchego da alma
O sonho que descansa
Esse céu avermelhado
A sombra do que somos
O horizonte infinito
Esse respirar em paz
Aceitar nossas culpas
Perdoar em nossos abraços
Esse olhar a se perder
Sem pedir muito
Algo para chamar de paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho