“Meu caro…” (05/12/2012)

Meu amigo, foi bom não te ver partir. Fica assim aquela ideia de um até logo que é muito mais verdadeira se tratando dos nossos corações. Nossas bobagens foram mais contidas, nossos segredos mais silenciosos, mas o que me alegra é esta mesa que continuamos todos a sentarem em volta. Não posso te prometer meus rumos nessa vida, mas posso prometer um abraço. Acho que isso nos manteve não aqui, mas em pé. Poderia aqui ser nostálgico em uma dose desmedida sobre as salvações de uma amizade, os lugares tão profundos onde fomos nos buscar, mas vamos abrir mão ao menos destes detalhes. Há um sorriso novo, é somos novos, acho que temos uma perspectiva sobre a vida que jamais imaginamos, sabíamos que chegaria, não pensei nesse quando. Fiquemos assim, sem quando. Alguns dizem que a vida nos mantém por perto, nós sabemos que parte de tudo é uma escolha. Espero nunca te ver partir.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Noticias de um romance” (26/11/2012)

O tempo passa, não há dúvidas quanto a isso. Se te prometi estar aqui, o fiz por uma esperança, não uma certeza. É a primeira vez que este tempo passa por meus olhos. Só hoje realmente sei os sabores da tua companhia, o caminho dos seus sonhos e onde a sua vida encontra a minha. Eu marquei um compromisso com tua alma para sempre voltarmos neste aqui. Hoje sei que ele jamais será o mesmo, que todo futuro é só uma ideia, no nosso caso, aquém da felicidade que sinto.
Foi fácil, e não estou contando vantagem. É que o tempo passa rápido quando se ama e todo problema não se torna impossível quando um coração é recíproco. Há vários motivos para se cruzar o tempo. Primeiro existe o que se sente, segundo o que escolhemos, terceiro o que se acredita. Eu amo, eu quero que isso jamais acabe, eu acredito que é para vida toda.
Gostaria de te contar que este aqui é maravilhoso. Consolida o que mais me completa. Tem cheiro de primavera com início de verão. Tem gosto de beijo. Tem ares de paixão. Sensações que fazem respirar ser a receita para a felicidade. Eu um dia imaginei e prometi este aqui. Você aceitou construí-lo comigo. Que o tempo continue a soprar nesta direção.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Porto” (13/10/2012)

O arpoador de sonhos acordou sob um forte nevoeiro. Conta uma velha lenda que um marinheiro solitário achou o caminho de casa seguindo apenas um canto. Deve ser uma história inventada por algum romântico. Verdade ou não, toda vez que desce a neblina, as pessoas se debruçam nas janelas e sussurram canções que só seus queridos sabem. Todos querem garantir o desembarque dos seus abraços. O que seria de um cais sem saudade, tem desejo que fica para trás, muda de nome, desaparece no horizonte. Tem gente que nunca parte e acho que de certa forma se arrepende de ancorar a felicidade no primeiro sorriso. A vida é mar, cheia de possibilidades. Colocamos nossa humilde nau sem bússola, sem estrelas, apenas com uma alma em busca do que a faça todo. Não deixe de cantar na janela e guarde uma vaga nesse cais…o sonho ainda volta meu bem, o sonho ainda volta.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não há regras” (25/09/2012)

Era um sinal de boa sorte
A chuva na manhã do encontro
Escolheu sua melhor roupa
Não tirou o sorriso nem no banho
Abriu a porta para esperança
O passo incerto e o resto do corpo coragem

A mesma chuva o outro não sonhou
Estragava seu penteado e planos
Pensou em não ir, saiu na última hora
Não conseguiu disfarçar a insatisfação
Abriu a porta do carro para partir
A mão certa lhe segurou e o resto do corpo se entregou

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“O Coração e O Amor” (18/09/2012)

Há muito tempo atrás, aqui nessa mesma palavra, viviam muitas outras. Declarações, loucuras e tragédias. Nunca pareciam ser o bastante, partiam sem chegada, tinham uma pesada bagagem, creio que jamais foram livres. Eram alguns gritos, outros quase apenas pensamento, que rodeavam o mundo sem sucesso de lhe chamar a atenção. Pobre palavras frustradas, queriam apenas servir seu destino. Eram abismo sem resposta, não importa onde tentassem chegar. Até onde vai uma palavra? O mais fundo que já haviam ido era no mergulho de uma lágrima e desta conquista não podiam sorrir. Pois as palavras tinham um plano.
Rima por rima desmontaram-se os versos e pelo silêncio perdiam a formalidade das métricas. Elas que já tinham pulado de precipícios, foram caladas sem motivo, desconsideradas como se fossem ilusão; Agora se retiravam, sem protestos ou vinganças, mas por escolha. Sabiam de alguma forma que não precisavam encontrar o caderno apenas nas tristezas, pois afinal tudo que vive respira, nem que seja um pouco, de alegria. Já passava da meia-noite quando o encontraram de braços abertos. Foi uma verdadeira festa. Cada palavra lançava um verso que rimava com felicidade e tinham para si, em suas certezas, que haviam encontrado seus propósitos, e assim descreviam vidas maravilhosas. E mesmo assim o Amor andava cabisbaixo.
Sentia falta do Coração e todas suas loucuras, todas as suas emoções, até mesmo a tristeza tinha deixado saudade. Ele não se incomodava com o eterno sonho, ou com os desejos que não se completavam. Sentir era suficiente. Mas quem lhe daria ouvidos? As palavras estavam alegres, livres, falando de borboletas e nasceres do sol. Sem melancolias, entrelinhas, ou coisas do tipo. Eram claras, objetivas, uma só. Ninguém queria voltar. O Amor tinha consigo a esperança, que as outras palavras tinham deixado para trás. Esperança que essa felicidade também existia por lá. Mas não havia argumentos, foram anos de procura, agora elas queriam a vida.
Foi no fim de um inverno, depois de muito falatório, avisos e das palavras se repetirem em suas histórias, que o Amor partiu. Levou consigo a esperança e mais nada, era só silêncio. O caminho era longo, mas ele não olhava para trás, seu destino era sentir e para isso não precisava das palavras. Depois de dias e noites com a esperança que não lhe deixava nem nas intempéries, ele ouviu e reconheceu de imediato aquele ritmo, quase que como uma música que o estava chamando. Abriu os braços, beijou o chão, fez juras e uma única promessa: de jamais voltar a partir.
Hoje não há palavra que encontre o Amor e olha que muitas delas tentam. Todas sabem onde ele mora, lhe mandam recados, mas não saberiam descrever o seu caminho. Hoje o amor vive de olhares e esperança, e também dizem que volta e meia, a felicidade visita seu abrigo.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Amor é parte”

O mundo existe sem amor
A madrugada faz companhia
A penumbra suspira
O Sol se levanta
O horizonte colore
Os olhos resguardam
A alma ainda é profunda
A natureza respira
Entre cantos e sopros
A chuva vence o concreto
Alimenta vida
O passo segue em frente
O desejo continua doce
O abraço aconchega
A mão estende
O céu vira brigadeiro
O amigo dá risada
Nada vem de graça
Tem patrão, tem horário
Sorvete na praça
Jogo de futebol
Tem pôr-do-sol
O cansaço do final
Um lar para voltar
O pensamento que se perde
A esperança ainda vive
Tem sonho, tem reza
As estrelas brilham
A felicidade é possível

Viver com amor
É uma escolha

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Domingo a tarde” (20/08/2012)

Guardo sobre meus olhos uma esperança que você fique e amanhã bem cedo possa lhe separar os cabelos e beijar-te um bom dia silencioso quando sair para trabalhar. Deixarei a mesa posta e um verso para alegrar tua manhã. Se me faltar inspiração direi que te amo, e ele dispensa rimas. Falarei que ainda não aprendi a acordar anjos para me defender caso me cobre os carinhos matinais. Ah, como desejo lhe encontrar para o almoço, trocar palavras ou abraços nos dias mais difíceis. Imagino um futuro como se fosse agora e as rotinas fossem assim atemporais. Mas não fosse também, nossos mimos seriam outros e só me importa saber que ao final do dia encontrarei teus olhos e o amor que deixei contigo.

Hoje vivemos nestas beiradas de sonho com intensos dias que invariavelmente se acabam. A semana separa nossos corpos, mas nossos pedaços já foram trocados. É curto, as vezes insuficiente, mas acredito no amor como completo, que preenche uma hora da mesma forma que uma vida. Você é o norte de minha alma e com isso fico em paz com a distância. O sentimento que guardo na minha esperança é o mesmo que guardo contigo todo fim de domingo e você sempre traz de volta.

Nosso mundo ainda vai crescer um bocado até que nossos dias se cruzem como um só. O segredo que descobri é que domingos acabam, já nossa vida juntos continua. Logo a esperança desembarca nestas nossas beiradas de sonho…

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Para as Tardes Vazias” (31/07/2012)

Me faz companhia nas tardes frias, um amanhã. O sol vence o horizonte como que num carinho nos cabelos e levanta os olhos com uma brisa. A estrela solitária que brilha intensamente e sombreia o amor que dorme ao meu lado. A felicidade me preenche como o ar que respiro, mas ao contrário dele, não me deixa. A casa tem tons avermelhados como de uma memória viva. São os tons da alegria. Levanto-me para preparar o café e de longe observo no quarto dos fundos a criança que dormiu mais uma vez com os pés para fora das cobertas. Um filho é completar uma vida. Descer as escadas com estes amores repousando em paz é a certeza de um lar. Compro o pão fresco, enfeito a mesa. Logo os passos correndo da criança vão avançar sobre o corpo da mãe, ambos vão se matar de rir. E eu que por tantas vezes ouvi de longe pessoas se divertindo e me senti mal, distante, à parte; Desta vez vou chorar sem me conter, pelo maior presente que poderia ter nesse mundo. De olhos marejados beijarei minha esposa, abraçarei meu filho e nada me faltará.

Um homem com um sonho, não é um homem só.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Gosto de Você” (24/07/2012)

Gosto de você pressionada contra meu peito
Sob a jurisdição do meu carinho
Aqui te ouço inspirando nosso amor
E expirando tua saudade
Sinto-me abraçando o mundo
As duas pontas dele terminam em você

Todo ano voltaremos aquele verão
Quando pedi pelo teu coração
Lembro dos dias que não esteve aqui
Mas tua presença preenche passado, presente e futuro
Quando não se deita ao meu lado
Deita-se nos meus sonhos

Farei os preparativos para que fique
Plantarei os sentimentos no jardim
A minha certeza é que estaremos juntos
E assim não precisaremos ser eternos
O corpo e ideais mudarão
As almas permanecerão um lar

Gosto de você aqui
Aconchegada sobre nosso romance

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Preferências” (13/07/2012)

Tem gente que gosta de gesto
Evita dizer adeus
Cala com um beijo
Completa com o abraço
Traz flores e chocolates
Torna sagrado segurar-te a mão
Não olha para trás
Acaricia o rosto e foge com os dedos
Fecha os olhos e leva o sorriso
Uma alma profunda
Que não sabe pedir para ficar

Tem gente que gosta da palavra
Faz serenata na janela
Manda poesias por cartas
E sentimentalidades ao pé do ouvido
Faz de você todo vocabulário
Entrega seu bom dia e boa noite
Fala mais que pensa
Tem mais desculpas que verdades
Conhece as letras que doem
Sabe contar uma ilusão
Faz tudo soar como adeus
Uma alma imensa
Que não sabe voltar atrás

Não há muita diferença
Uns dizem eu te amo
Outros tem um silêncio que te arrasta

Ass: Danilo Mendonça Martinho