“Mancada” (10/11/2015)

Cansei dessa história
Cansei da culpa
Cansei de estar sempre aquém
Cansei de duvidar
Cansei de procurar o erro no meu espelho
Cansei de me diminuir
Cansei de gastar meu tempo
Cansei de usar o meu pensamento
Cansei dessa história só ter um lado

Quero meu orgulho de volta
Quero o meu sorriso
Quero a minha paz
Quero não olhar para trás
Quero te deixar com suas verdades
Quero me livrar do desgosto
Quero teu melhor só que longe de mim
Quero que perceba as tuas falhas
Quero que compartilhe da humilhação
Quero que você perca o sono
Quero que você entenda o peso da responsabilidade
Quero que você entenda que isso significa muito mais para os outros do que para você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Cansado de querer” (31/01/2015)

Vem sonho, me acorda pelo amor de Deus!
Deixa sentir este amanhã interminável
Que tudo possa ser daqui para frente
Que o fechar dos olhos não seja apenas ilusão

Vamos lá sonho, me acorda e aponta o caminho
Diferencie tudo que posso do que sou
Faça de toda espera este único sorriso
Dê para todo dia o nosso sentido

Por favor sonho, me acorda mas não me enlouqueça
Não faça da noite passada apenas esperança
Não peço certezas apenas um sinal
Conte pelo menos alguma verdade

Sonho, me acorda ou me esqueça
Para que tanto futuro sem realidade
Para que tanta paixão sem palavra
Para que tanto você, se há limites

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Puro" (07/02/2015)

O que há de mais sincero em ti?
O que sem sombra de dúvidas é livre?
O que você pede quando tem a oportunidade?

Não podemos ter medo de querer
Não devemos duvidar da nossa grandeza
Não há nada mais forte que a verdade

Se pela manhã apoio os pés sobre o que acredito
Se pela noite apoio a cabeça sobre o que conquistei
Se meu sorriso encontra nos sonhos felicidade
Sei ao menos para onde ir

Desconheço meu lado mais sincero
Desconheço a liberdade da minha alma
Desconheço a certeza sobre o que quero
Só conheço a palavra e recuso a me calar  

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Nada feito” (19/01/2014)

Que tal fazermos um negócio?
Eu tiro da mesa os sentimentos
Eu tiro da cama o coração
Eu tiro das palavras a alma
Tua consciência então fica livre
Teu corpo mais uma vez entregue

Façamos eu e você um trato
Que o beijo seja um instrumento fútil
Que a emoção se consuma por completo
Que a voz possa ser esquecida
E por favor, não adormeça ao meu lado
Seja breve como nosso orgasmo

Fica aqui a minha garantia
De total e completa indiferença
Deletar todos seus contatos
Cobrir nossa história com uma mentira
Não pedir uma segunda dose
Deixar-te, reconhecido firma,
Um vazio

Quando se recusa, fico em dúvida
Falta-te coragem, ou sobra-te amor…..

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Meu jeito” (24/08/2014)

Machuca o que está por fora
Arranha, magoa, maltrata
Que o tempo enrugue
Que o tapa arda
Que a palavra chore
O que importa o que apenas parece?

O que é de dentro eu mesmo bagunço
Tenho direito de dobrar meu coração
E amarrotar toda minha alma
Fazer daqui minha eterna aventura
Sem limites sociais
Sem regras de convivência
Uma simples liberdade
Que não aparece, mas existe.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Inquietação” (24/03/2014)

Minha mente está querendo fugir
E não é uma questão de endereço
Adio tudo e tanto quanto posso
Conjugo as ações do tempo preciso
A sensação do dever me afasta
Mas a negligência é amarga e sufocante
E se todo dia for só responsabilidade?
Será que soube como crescer?
Permaneço insuficiente na inércia
Sem satisfazer a alma
Sem me empenhar nas obrigações
Não há metodologia que organize a vida
Pois não há tempo determinado
Apenas correndo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Pesadelo”

As pupilas dilatadas procuram saída
Mas o corpo é inerte diante a palavra
O amargo envolve a língua
Goela abaixo a notícia do adeus

A tempestade cai junto com a noite
Sem chance de pedir a nenhuma estrela
Nosso desencontro é completo
Desejo, destino e alma

O silêncio aguarda meu consentimento
Que direito tenho sobre sua escolha?
Que suplica poderia mudar o fim?
Anulaste o que sou e o que sinto

Deito na cama que me sobrou
Meus olhos não sabem para onde ir
Sabem que estão em um pesadelo
Também sabem que já estão acordados

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“A última estação” (25/07/2013)

Que frio é esse que chega até os ossos. Logo eu que me armei contra as injúrias, levantei muralhas contra as mágoas, usei as palavras como escudo da alma serei acometido pela precariedade do corpo? Estarei a mercê de um bruto inverno que desconsidera minha existência e vem sobrepor o mundo com outro destino, outra realidade? E todo caminho para enobrecer a vida, todos cavalheirismos, toda educação, conquistas, imagem social, onde ficarão se não apenas isoladas neste sótão olhando pela janela em dúvida se pedem ajuda ou perdão. Se o tempo é assim escasso que valor poderia inserir neste contexto que ainda valesse a procura. Divago talvez tarde demais para fazer qualquer bem, mas sempre há tempo de revoltar-se. Já que de nada adiantou manter o espírito puro da tradicional selvageria dos sentimentos humanos, quero antes de tudo e do mais nada, renunciar-me. Há muito adio tal decisão, mas não mais preciso desta ilusão construída pelo seu olhar, muito menos de ideais que não me pertencem. Terminarei neste canto de cômodo como aqui cheguei, desnudo de princípios, de planos e de certezas. Sou natural como a estação que me bate a porta, com ciclo de vida, habitat e alimentação definida. Tudo que já pensei desconsidera essa minha essência. Fazer, construir, falar, rir, são passatempos capazes de nos distrair de nosso propósito. Não deixei filho algum, não perpetuarei nome, nem espécie. Agora me vejo indeciso se algumas dessas duas coisas me entristece. Todo animal tem um bando, todo bando tem seu inútil, por que não sê-lo? Inverno canalha me pondo contra a parede, vamos, apague minha lareira, encha de neve a minha porta, minha loucura está aposta para que possa levar tudo menos quem sou, a você não devo nada além do corpo, aos outros nem mesmo isso. Então vamos ficar neste acordo de cavalheiros, você leva o corpo que restou, sem custo, e eles levam tudo aquilo que já não sou, abdiquei ser, e me deixam a olhar o sol, a chuva e a neve nesta janela que escolhi para eternidade.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Energia de Ativação”

O agora é provisório
Nada quer ser inerte
As paredes buscam frestas
Os vidros vibram
O assoalho estala
Um movimento sólido
Transformando a vida
Só a ilusão permanece

O querer é uma intenção
Jamais um controle
O natural é o incerto
Tudo que nos escapa
É o caos que nos persegue
A organização garante a sanidade
Ninguém está pronto para ser livre
O humano é provisório

Ass: Danilo Mendonça Martinho