Ep.03 – “Forjar”

Espaço. Ele é construído de limites muito duvidáveis já que qualquer um pode vir e num dia qualquer ver um pouco mais além daquilo que você determinou como fim. Nós preenchemos o espaço, aliás, mais que isso. Nossos desejos, nossas essências, nossas vidas preenchem. O lugar é algo cheio de significados pessoais, e só se torna lugar porque tem sentido. Todos nós sabemos onde depositamos o que somos. Os lugares que decidimos, que percebemos pertencer.

Pois bem, como se esvazia um lugar? Como se rouba todo um sentido? Você impõe regras, controla seu acesso, segrega seus componentes, tira seu conforto, transforma tudo em paisagem. No passar dos anos, lentamente, diante todos os olhares aquilo que era de cada um torna-se de poucos. Não tem mais praças, bancos ou traves para o futebol. Tudo ganhou nome e função. O lugar que era encontro se tornou passagem. Uma cidade fantasma habitada por alguns que ocupam seu espaço sem propósito, outros que tentam ressignificar seu objetivo. Abandonado por aqueles que a cultuam, e um estorvo para aqueles que a dirigem. Como podemos chamar de público um lugar que ignora a vida? Um espaço transitório e efêmero como tudo que nos vendem nessa modernidade. Algo sem sentido, com função e sem alma. … assim que se forja uma imagem, baseado no vazio. Esse espaço é um símbolo da nossa decadência, da nossa falta de rumo, que não rediscute, que não propõe, que é mais uma peça na engrenagem, que também excluí. Não se engane, o pensamento e o humano também são descartáveis.

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