Ep. 02 – “Meu velho gosto favorito”

O humano dentro da gente é muito simples, primitivo, visceral até. Ele reage a tudo, ao menos ao que pode sentir. Toda palavra é palavra, mas algumas são amargas. Todo mundo um dia vai embora, mas temos a certeza de quem não volta. Tudo se resume em algum instinto que te revira o estômago. Pois o que dizer daquele delicioso cheiro de pastel de feira? Estava em um local considerado um dos pontos mais caros da cidade. Tinha praças de alimentação ao meu alcance, tinha planos para um belo “cheese burguer” em uma alameda próxima, mas um pastel de feira me conquistou. Veio acompanhado de uma cana caldalosa, um calor íntimo, um sabor de nostalgia. Como é bom saborear passados, parece que jamais vão inventar algo melhor. Sem dúvida que já não me lembrava a última vez, mas agora nada importava diante um farto recheio de palmito. Até as pontinhas só de massa fazem a diferença e completaram meu humano de formas que não sabia que precisava. O mundo pode ser cheio de novos sabores, mas há os insubstituíveis. Regressei ao meu sorriso mais infantil, aqueles que eram de plena alegria, lembram? Satisfeito, não me incomodo de ser primitivo e ceder a um cheiro, me deixar levar por algum olhar.

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