“Estudo sobre a Alma” (16/06/2011)

O que nos faz diferentes? Aparências enganam, e a imagem é produto alheio. Um olhar de lamento ainda pode amar. O que nos leva ao âmago. Trilha final de cada simples ação. Acreditava que bastava um sentir para nos separar de todo resto. Todo mundo magoa, todo mundo sofre, a dor é inevitável como tudo que se propõe a promessa de sentir. Há lugares aonde não vamos, mas não quer dizer que não se alcance. Iludi-me com princípios, adotei os mais nobres, tratei-os como filhos, bastava almejar o melhor. Todo mundo é vil, todo mundo mente, a mudança é inerente a qualquer pessoa que propõe a caminhar. Só por que a bússola aponta para o norte, não quer dizer que permanecemos na mesma direção. Sobrou-me o sonho. A idealização trabalhada nos detalhes. Cada sorriso, cada abraço, cada palavra a orquestrar um plano, a simular uma felicidade. Todo mundo acorda, todo amor acaba, o fim só existe a partir do começo. Não é porque conseguimos imaginar que resistiremos à realidade.

Nada te salvará de ser, humano.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

14 comentários em ““Estudo sobre a Alma” (16/06/2011)

  1. É esse ser/olhar, humano que te faz sentirQue compõe o passo que não desisteQue alcança o âmagoQue acrescentaQue sabe tocar a vida e perscrutar os mistérios que o cotidiano oculta.Minha alma agradece!

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  2. Não acho que seja um castigo, mas também não é de se orgulhar. Os próprios humanos se intitulam seres ruins, fazem coisas ruins, sem generalizações, mas alguns nem deveriam ser chamados de seres humanos. Belo texto.

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  3. “Nada te salvará de ser, humano”. Sim, é verdade. Mas não acho que seja ruim. As pessoas se deixam ser ruins pelas circunstâncias e blecautes da vida. Só no, em e por amor é que nós agradecemos por sermos (ou ao menos tentarmos ser) seres humanos. Adorei tua escrita. Au revoir.

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  4. Registro a admiração de quem sempre violou o desejo, exímio executador de mim mesmo que sou. Agora, por não mais sê-lo, nem mais sei quem sou, mas me acalma a certeza de estar sendo algo bem mais próximo de mim mesmo, do que realmente é ser, a despeito de um mundo que me quer não sendo, não sido, não.E, nisso tudo, foi bom encontrar teu texto.

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