“Sarau” (01/03/2011)

Comecei meu discurso
Palavra por palavra
Desfilaram pelo âmago
Caminhavam para o abismo
Sem certeza de uma volta

Despediam-se cordialmente
Levavam suas dores na bagagem
Mas deixaram lembranças
Como quem planta rosas
Viverei com os espinhos

Na completa ausência
Fui embargando a voz
Descobri tarde demais
Que me faltava significado
Até mesmo pro amor

Calei meu último verso
Procurei por um olhar
Todos mergulhados em expectativas
Mas nenhuma reciprocidade
A solidão não pedia palavra

Assim deixei o palco
Sem vaia e sem aplauso
Sem verso e sem rima
Respeitei o silêncio
Do que já não sentia

Ass: Danilo Mendonça Martinho

9 comentários em ““Sarau” (01/03/2011)

  1. O silêncio, por vezes, é a melhor alternativa. Senão uma saída, para não se deixar afogar por aqueles versos que já deveriam jazer no fundo de uma garrafa lançada ao mar.

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