“Abstinência” (04/08/2009)



Meu desespero atingiu níveis alarmantes
Conseqüência de uma solidão sistemática
Minha realidade é perspectivamente fraca
As sombras se insinuam com facilidade
Uma mente corrompida de pressões sociais
Um corpo sedento por contato
Olhos psicopatas e vulgares
À beira do ataque aos pudores

Tenho medo de meu descontrole
A insanidade ganhar novo significado
As percepções estão cada dia mais vivas
Quase posso tocar os desejos
Quase quero ser acometido pela barbárie
A inconsciência total dos sentidos
Vencido pelo sabor do desfrute alheio

É possível que em breve extrapole
Então não se espante com a noticia tardia
De que foi internada uma alma perdida
Que em voz alta expôs suas súplicas
Que em público abusou das infâmias
Com gosto assumiu sua condição carnal
E erroneamente pediu ao próximo
Que também o fizesse.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

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