"Clamo" (15/04/2009)

Manifesto-me com suave impressão…
Olhos famintos me esperam
Ávidos de emoções
Uma declaração comedida
Leves palavras amorosas
Proclamariam-se satisfeitos

Escrevo à beira de expectativas
Debato como completar
Debuto alguns sentimentos
Ações expandem-se
Quero gritar ao mundo
Quero presenciar ao sonho
Quero tanger à tua pele

Ainda ecôo
Não cruzas meus caminhos
Esquiva-se elegantemente

Tudo em essência seriam versos
Arrisco dizer: indignos
Sinto que mereça o mundo
Mereça teus ouvidos,
Mereça contar um romance,
Sinto que demandam mais.

A recusa de se transcrever,
Também é minha recusa
Este gracioso abraço;
este delicado segurar de mão;
este beijo excitante;
este breve desejo que permeia meus dias
Não permitirei que carreguem o fardo
Das páginas amareladas de meu caderno

Deixo este tribunal por desacato
Não defenderei minha causa
Aqui, argumentos seriam em vão
Não preciso lhe traduzir
Esta, a única razão do meu silêncio
Faz parte de toda bravura
Depois lhe escrevo em uma memória
Mas enquanto permanecer sonho
Não posso…

Se dormisse ao meu lado
Fechariam-se nossos olhos…
Não devo!
A madrugada já é despedida
O Sol levanta-se em breve
Pretendo vislumbrar no horizonte
E sussurrar ao pé do ouvido:
…Hoje, lhe declamo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Retóricas" (19/03/2009)

Meus sonhos seguem passando
Como água numa cachoeira
Minha mente é um filme 24 horas
Pequenas felicidades e outras tantas tragédias
Meus olhos não estão nem perto da realidade.
Deixo-me carregar cada vez mais longe
Deixo escapar entre meus dedos
Algo que estava a centímetros do meu rosto
Um beijo, um abraço, uma verdade, uma coragem.

Enganam-se aqueles que acham que quero mudar tudo
Não há nada de sensato em mudar passados
São minhas próximas decisões que mais me corroem
Estas sim me farão feliz
E se eu já sei tudo que quero
Mas não posso convencer ninguém disto?
Até que ponto seria válido o fazer?
Até que ponto vale como concreto?
Não seria apenas uma ilusão argumentar um sentimento?
Defendê-lo em praça pública e tribunais
Não seria em vão ter um aval da justiça?
Não estaria apenas invadindo um coração?
Certas coisas se devem apenas sentir.

Eu sinto além do que devo, além do que posso
Muitas vezes mais que suporto
Tento descarregar tudo em palavras
Elas levam a sinceridade que me livro sem pudores.
Sinto que sentimentos provoquem tanto medo.
As máscaras não me servem
Encontrei algumas coisas dentro dos meus princípios e vesti.
Mesmo assim a essência não muda.
Seguirei ímpetos ou segurarei vontades?

O telefone está a um dedo de distância
Programo minhas atitudes
Coisas que faria agora sem pensar duas vezes
Mas penso por horas a fio.
Tento construir uma ponte
O abismo por vezes me vence
Não há jeito de chegar do outro lado
São mais alguns passos em falso
Tudo então se acaba em medos, dores,
Memórias, imaginações e tempo
Resta contigo apenas suas crenças
Acredita o suficiente em si mesmo?…
O céu não vai se abrir
Ninguém vai lhe sussurrar um segredo
Muito menos terá uma visão.
Será você e tudo que há de carne, osso e âmago
Será só você.

Nunca soube o que dizer a um sonho.
Já me disseram tantas coisas sobre isso.
Tento ainda aprender.
Poderia, talvez, entender.
Mas nenhuma pergunta faz mais sentido.
Já estou abismo abaixo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Vamos todos enlouquecer a razão!" (15/03/2009)

Um grito de liberdade
Uma verdade desonesta
Um tapa na cara
Faça o que for preciso
Rasgue a roupa
Rasgue dinheiro
Jogue fora todos seus cds
Quebre a porta de casa
Coloque suas chaves no lixo
Beba refrigerante vencido
Coma presunto de ontem
No pão amanhecido
Durma no chão
Coloque travesseiros na janela
Cozinhe apenas às terças
Coloque o lixo aos domingos
Tome banho às segundas
Fique acordado nas noites
Sonhe durante os dias
Perca a cabeça
Não dê motivos
Não dê desculpas
Apenas faça
Tudo que tiver ao alcance
Tudo que foi dito impossível
Contrarie apenas pelo gosto
Enlouqueça apenas por capricho
Discuta pela sua sanidade
Argumente para preencher
Ignore as mentes vazias
Não perca tempo
Não perca chances
Mas se perca
Na melhor das maneiras
Feche os olhos
Pule seus precipícios
Encare seus medos
Entregue seus segredos
Minta sem escrúpulos
Seja também o vilão
Experimente todos gostos
Releve seus limites
Dispense sua consciência
Esvazie seus bolsos
Comece alçar vôo
Desconsidere todos atritos
Seja um sistema em equilíbrio
Destes que só existem em exercícios
Coloque a prova todas teorias
Esconda os resultados
Julgue algo além de certo ou errado
Abra uma vez seus olhos
Abrace de uma vez o mundo
Corra enquanto pode
Sorria simplesmente porque pode
Respire porque quer
Quebre suas últimas barreiras
Pensamentos, pudores
Opiniões, valores
Quando tiver sem fôlego
Quando a fatiga lhe bater
Desabafe a última palavra
Sussurre a última letra
Seja livre antes de ser tarde.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Depois de Mim”"(24/02/2009)

Quero uma casa perto de um lago
Um vento sudoeste
Um sol pela manhã
Uma chuva no fim de tarde
Quero um poente avermelhado
Quero árvores e flores
Quero respirar ar puro
E algumas borboletas amarelas
Quero uma prosa
Não precisa ser periódica
Muito menos gente conhecida
Pode vir sem data marcada
Para contar qualquer história
Quero ouvir boas risadas
Não me importarei em amparar lágrimas
Mas não saia daqui sem um sorriso
Eu prometo um abraço
Quero me sentir vivo
Parte desta terra que um dia pisei
Parte deste mundo onde lutei
Do futuro o qual não sei
Quando morrer me ouçam
Nem que por uma vez
Não se preocupem, estarei bem
Como último favor
Apaguem as luzes ao anoitecer
Deixe-me dormir com as estrelas
Lembrem sempre…de serem felizes ao amanhecer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"No Futuro" (22/02/2009)

Os laboratórios divulgarão suas descobertas
Curas, medicamentos, novas doenças
Os países anunciarão suas conquistas
Apenas novas guerras sem razão
A tecnologia ultrapassará seus picos
Evoluções além do limite do corpo
Os cientistas divulgarão novas teorias
Que perderão seu propósito sendo discutidas
A natureza criará novas fronteiras
O mundo se protegendo de nossa existência
As sociedades entrarão em colapso
Novas concentrações de poder surgirão
Os relacionamentos tomarão novas proporções
Pudores mudarão seus conceitos
Liberdades serão questionadas
A Vida achará um fim, ou um meio
Para continuar seu curso

Podemos divagar mais sobre o futuro
Ele virá para nos dizer certos ou errados
Mas o que realmente me preocupa
É o que ele não dirá
Em quais assuntos não tomará partido
Diante quais questões silenciará
Quais verdades abrirá mão
Quantos poderes abdicará
Quais lutas, decisões e princípios
Serão deixados a nossa escolha?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Esperando Salvação" (15/02/2009)

As idéias estão por aí
A beira de precipícios
Prestes a serem enforcadas
Julgadas culpadas
Trancadas em masmorras antigas
Caçadas sem discriminação

As idéias não fogem
Não correm em desespero para suas casas
Não gritam por socorro
Não lutam contra seus agressores
Não fazem protestos
Não reagem a nenhuma ameaça

As idéias te esperam
Que venha no cavalado alado
Que venha enfrentar dragões
Que venha desarmado
Lute com as próprias mãos
Que após muito sangue e suor
As tire da escuridão

As idéias não são de ninguém
Elas vivem nas mãos de quem faz
Habitam as mentes de porta aberta
Realizam-se em desejos puros
Existem aos que não a questionam
Reais como paredes de concreto
Ilusórias como breves imaginações

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Uma Folha em Branco" (30/01/2009)

Um momento de distração
Inércia talvez
Uma idéia desperdiçada
Um esforço inútil.
E o mundo ficou assim
Sem saber, por procurar
Ouvidos em alerta para um total silêncio
O orador estava imponente e pomposo
A platéia…nunca vi igual
Mas a folha era simplesmente vaga
Algum pensamento que não pode esperar,
Que tinha mais o que fazer,
Que quando se viu de canto
Saiu sem ser notado
E como tudo que se perde
Sua falta fez um buraco, um vazio
Ao lado de tantos outros já sentidos
Pobre pensamento que partiu
Sem saber todo seu potencial
Um adeus já seria o suficiente
Este erro não seria cometido
Agora não há onde procurar.
Ele já está longe demais,
Sua existência tão presente e certa
Mesmo assim não posso dizer nada
Não posso começar um parágrafo
Um verso seria em vão
Seria uma boa intenção em falso
O que fará um poeta sem seu estopim?
O que pode ele se não,
Deixar a pureza da folha intacta?
Branca como uma primeira neve.
Quem é ele para falar de amores, flores, e amizades?
Até o jeito que se depara com o papel,
Parece tão comum e banal sem sua idéia.
Tudo que um poeta, um manipulador de palavras;
Ou um sentimentalista improvável;
Poderia aceitar seria ser comum e banal.
Suas palavras não podem soar as mesmas,
Seus gestos não podem ser sem um propósito maior.
Sua caneta deve pesar quilos
Uma responsabilidade a cada palavra,
A cada vírgula mal posta e rasurada.
A leveza deve estar em sua mente
Com uma meta clara no horizonte
Sem isso…o que será do escritor?
Este que agora se debate sobre a folha…
Que jamais poderá ser escrita.

Ass: Danilo Mendonça Martinho