“Rosa” (13/06/2009)

Os poemas permanecem engavetados
As rimas de amor encabuladas
As declarações ao pé da janela
Até mesmo os olhares se escondem.
Todos bem agasalhados e protegidos.
Os corpos se aconchegam
Uma hibernação harmônica.
Observo da minha janela a chuva fina,
As nuvens brancas, o vento soprando folhas.
Lá fora segue alguma solidão,
Caminhando firme sobre o concreto gelado das calçadas.
Repenso em me aventurar além dos portões.
Há algo de demasiado…melancolia talvez.
Por isso prefiro um silêncio companheiro.
Não quero tratar palavras com destempero
Não pretendo deixar sentimentos à deriva.
Haverá o momento certo de partir.
Um horizonte convidativo vai raiar.
Mas não foi hoje meu bem.
Parece injustificável…o outono não foi feito pra ti.
Deixarei uma reciprocidade em falta
Uma espera desproposital.
Pode lhe parecer algum capricho besta.
A verdade é que permanecerei engavetado
Encabulado em meu quarto
Declarado entre as linhas
De olhos fechado a te sonhar.
Tu és uma flor querida
Tu és minha poesia
Mas da próxima primavera.
Espero ansioso o teu desabrochar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Meu Norte” (05/06/2009)

Encontro-me com uma folha em branco
No esforço de uma Lua cheia
Ponderando a calmaria dos oceanos
Desconhecendo as palavras que quero registrar
Farei disto alguma eternidade?

Não posso chamar nada de meu
Se for necessário abro mão de cada verso
Satisfaço-me com toda sua inspiração
De nada adianta suas dúvidas e questionamentos
Já desisti de qualquer razão

Confesso: Sou testemunha de um sonho
É possível que nem seja meu
Por isso observo com todos os cuidados
Mas lhe admiro sem nenhuma descrição
Seria uma pena acordar agora, mas não em vão

Acomodei finalmente entre as linhas
O desejo consumidor pelas letras
O grito em silêncio desta alma
Que inquieta-se a beira da vida
Precipitada em forma de poesia

Não tenho coragem para uma conclusão
Deixei ao pé da areia o caderno aberto
A maré há de subir e nos levar
O oceano ainda permite uma escolha
Guardar ou não…forças para voltar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Pela Manhã" (21/02/09)

Andava nas pedras em sinestesia
O vento ainda não esquentava
Tudo se movimentado devagar
As peças se encaixando
O Sol rasga seus raios entre as folhas,
Vem te buscar sem a mínima preocupação.

Caminhava devagar, desavisado, distraído
Na manhã ainda é tudo novo
O mundo provavelmente mudou
Sua rotina…apenas uma ilusão
O barulho de cascalho aguçando lembranças
Como se estivesse na estrada de terra
Como se estivesse sem um rumo
Como se já soubesse,
Que vou aproveitar cada minuto de luz
Talvez até das sombras lá fora.
Esquecer antes de mergulhar em obrigações
Nossos tempos mais sinceros à flor da pele.
Sem nenhuma importância para os “depois”

Algum dia eu ainda paro entre essas árvores
Me acomodo no banco, talvez mesmo no chão
Respirarei mais fundo como se respirasse cheiro de chuva
Entortarei os olhos, franzerei a testa olhando pro céu
Encarando o dia naquele silêncio onde nos entenderemos.
Tomarei um pouco mais de coragem
Me colocarei em pé, continuarei.
Só que agora…
Meio que chove debaixo das árvores
Meio que o Sol te conforta,
E o vento te ajuda a respirar.
Meio que a natureza te abraça
Nada há de ser ruim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Mais um dia de Sol"(08/02/2009)

Bate mais forte Sol
Vê se já ilumina o parapeito
Traz um vento para balançar a rede
Sombreia o horizonte
Traz pra perto o novo dia
Traz mais perto o cheiro de vida
Traz uma flor dessas bonitas
Levanta Sol, mais alto que puder
Não deixa nenhum canto escuro
Revela o mais longe do caminho
Acompanha a tarde como cavalheiro
Espera a noite como pai
Vai dormir no travesseiro tropical
Quando acordar não esquece
De bater para o lado desta janela
Só pra lembrar que já é dia
Que mais uma poesia vai começar
Vem Sol, dançar com as nuvens
Curtir a festa do domingo
O jogo na televisão
Mas vai com calma lá no Sertão
Presencia o casamento na praia
Joga luz no papel do escritor na varanda
Lembra para todos da vida lá fora
Como último favor Sol
Convida o mundo para seu pôr
Veste o céu de vermelho
Junta todo mundo na colina
Às sombras do dia que já se foi

Ass: Danilo Mendonça Martinho