"Puro" (07/02/2015)

O que há de mais sincero em ti?
O que sem sombra de dúvidas é livre?
O que você pede quando tem a oportunidade?

Não podemos ter medo de querer
Não devemos duvidar da nossa grandeza
Não há nada mais forte que a verdade

Se pela manhã apoio os pés sobre o que acredito
Se pela noite apoio a cabeça sobre o que conquistei
Se meu sorriso encontra nos sonhos felicidade
Sei ao menos para onde ir

Desconheço meu lado mais sincero
Desconheço a liberdade da minha alma
Desconheço a certeza sobre o que quero
Só conheço a palavra e recuso a me calar  

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não Vou” (16/05/2009)

Vou ponderar contra teus olhos
Vou lhe definir pelos traços
Vou te imaginar em uma cadência
Vou te fazer em um verso
Vou te transformar em uma palavra
Tudo parecerá amor
Vou pintar teu quadro
Vou vender tua idéia
Vou propor turnê mundial
Vou arrebatar bilheterias
Vou vencer prêmios
Tudo com mais um romance
Vou perder a coragem
Vou perder a vontade
Vou finalmente hesitar
Por mais longe que vá
Vou esquecer na mesa
Vou começar a gaguejar
Vou deixar pra lá
As palavras mais bonitas
Negligenciadas propositalmente
Nada adianta ser poeta
Se vou me calar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Ode” (11/05/2009)

Por certo, por fato
Falta de tato
Encerro a vida ainda no primeiro ato

É fome, é sede
Um dia deitado na rede
Quem sabe tudo pare de girar

A verdade e a melancolia
Uma cabeça vazia
O diabo a festejar

Enlouqueço penso
Depois finjo que desconheço
Meu nome, meu lugar

O passado me perturba
Lateja dúvida, dúvida!!!
Se ao menos tivesse voz para gritar

Surdo, mudo
Perdido em algum absurdo
Ninguém vai me encontrar

Amor insensato
Compraste-me a preço barato
Ainda lhe mato

Que seja eu então o ingrato
O ingresso falso
O coração faltando pedaço

Sofrimento, desilusão
Para poeta tenho vocação
Nada será em vão

Faça-se a noite e dia
Serei infiel companhia
A falta de toda inspiração

Ausência, vazio
São as vidas e mentiras
Soprando as velas do navio

Aporta, importa
Não me entregue nenhuma sombra morta
Não me venda tua escravidão

Quero liberdade!!!
Antes de santidades
Quero ser enterrado poeta vulgar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho