“Ser ou não ser” (12/03/2014)

Tem sombras que são silêncio
Cadeira, mesa, cama, pia
Até mesmo no teto
Mas nunca pensei em companhia
Não ouço nem seus passos
Abriu e fechou a porta
Só que jamais entrou
Apenas te trombo nos cômodos
Sem ameaçar palavras
Tua presença parece memória
Não interfere na minha rotina
Suas respostas são burocráticas
Penso que existimos….
Mas não como nós

Presença exige mais
Realmente não estou aqui
Meus planos estão todos de saída
Nesse lugar que será visita
Criarei também novos laços com o silêncio
Agora isto não faz sentido
Não existe preparo para queda
É preciso dizer enquanto é tempo
Não imagino essa casa vazia
Espero que a deixemos juntos
Mesmo sem o mesmo destino
Penso que o “nós” é onipresente….
Mas há o que deixou de existir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“As primeiras impressões de um outono” (25/03/2014)

Pela manhã o asfalto da rua estava enfeitado de dourado e eu esquecido da natureza achei que estava pintado quando era apenas o Sol. São sinais da nova estação. O dia fica a meia altura e encontramos mais coisas pelo chão. Nada deixa de ser belo, o universo é sábio, e a planta que leva o nome de minha avó insiste em florear-se, assim, fora de época. Determinar como a natureza se comporta é mais uma das criações humanas em busca de controle. Prefiro assim: acordamos sob uma brisa gelada e um céu limpo, no fim da tarde talvez chova. A incerteza faz mais sentido.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Segunda a Segunda” (20/02/2014)

Tudo aqui é tão distante
Como se alma e corpo desencontrassem
Tua presença é mais viva
Logo após toda despedida
A vida não quer mais seguir assim
Mas não temos para onde ir
No momento nossa casa é apenas coração
Nossa conversa não é sentado à mesa
Nossa rotina não prevê encontro
Só que eu te vejo claramente
Mais real que esta folha de papel
E sorrio com uma felicidade pura
Até nosso silêncio se entende
Ao seu lado minha vida é daqui para frente
Tudo será ao seu tempo
Tudo será do nosso jeito
São dias longos não nego
São meus sonhos que me levam
Cada segunda que não te vejo
É apenas um dia a menos
Pois todos outros já são seus

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“O outro lado do asco” (17/02/2014)

O que cheira mal é a culpa
O que não consigo olhar é reflexo
E seja qual for seu sentimento
Já se provou insuficiente

O ser humano está sozinho
A miséria é a nossa realidade
Que o salário apenas esconde
Papel tem mais valor que gente

Toda angústia logo passa
Muito antes de qualquer reação
Cúmplices de olhar e de silêncio
E nem é questão de pena ou de palavra

Todos levantamos paredes
E acreditamos levá-las porta afora
Nada nos separa do humano
Nem mesmo este fedor que sente

Parece impotência social
Pedir aos céus que lhe ajude
Escolhemos deixar para o outro
Tudo que não sabemos como mudar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Paixão Nacional” (10/02/2014)

Não nos falta inocência
A magia ainda existe
Mas sobram máscaras
O que sobrevive sufocado?
Ameaçado por interesses
Iludido pelo poder
O sonho não é ser um grande
O sonho hoje é posse
Ter é mais do que ser
Fabricamos um universo inteiro
Frágil e instável
Não existe um caráter sólido
Tudo desmanchará posto a prova
Hoje as beiradas cedem
As rachaduras estão por todo lado
Uma paixão deixada assim
Causará profundas marcas
Mas não posso evitar a curiosidade
Que brasileiro nascerá do outro lado?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Educação”

O normal é olhar em frente
Acreditar na mudança do futuro
Mas o futuro é uma questão de passado
Se para eles tudo é normal
Das atitudes aos pensamentos
Nós já comprometemos este horizonte

Toda formação de caráter é social
E nossa sociedade peca pelo exemplo
Valores muitas vezes não sobrevivem as ações
E se…aquele pode, podemos também
Nosso passado nos condena
E mesmo conscientes não mudamos o caminho
Por cima das falhas construímos
Eis aqui seu castelo de cartas marcadas

Só consigo olhar para o lado
Não dá para encarar tantos rostos
Todos já fora do alcance
Minha palavra será tardia
Minha esmola será vazia
Apagado dentro do sistema
Estático perante a realidade
Os jovens de hoje
São o passado de amanhã
E me assusta dizer
Ainda não mudamos o mundo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Na falta da tempestade” (05/02/2014)

Uma cidade que não chove não tem bueiros assim como um coração que não sente não tem cicatrizes. Precisamos de tudo, especialmente da dor. Nossas alegrias nos completam, nos dão força, esperança……nossas dores nos moldam. Acho realmente difícil de acreditar que seu caráter não tenha se formado por uma angústia se quer. Embora improvável não seja impossível. Caso acredite fielmente nesta teoria quer dizer que a vida ainda te reserva uma mágoa para apontar a direção. Não me veja, por favor, como algum melancólico pessimista, na verdade sou bem feliz. Apenas estaria sendo no mínimo desonesto com todas aflições da minha vida, adolescente e adulta, a não creditá-las nada do que sou hoje. Mudei para não me sentir mais assim, mudei para encontrar o bem estar de minha alma, mudei e continuo mudando em busca do meu melhor. Lembro claramente das dores e vitimização dos meus sentimentos. Aprendi que só vivendo o outro lado da moeda poderia crescer. Nem toda dor tem culpados, apenas participantes. O fato é que a perda, a ferida, mexem conosco. A inércia perante este incômodo vai te consumir, te fazer até mesmo desaparecer. A solução é agir em busca deste lugar onde possa encontrar paz para tudo que te inquieta. É um erro pensar que vai passar ou que vai partir. Tudo que é nosso fica, principalmente a dor. Precisamos nos resolver para estarmos preparados para viver e sempre há muito por viver. Esteja disposto a sentir pois não há lugar no mundo que não chova, o pouco que seja.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Vôo Livre” (04/02/2014)

Meu coração alça vôo
Mas ainda não é hora de morrer de amores
O nosso destino não é o mesmo
Por uma única diferença
Só eu sei para onde estamos indo
Eu embarquei para mudar minha vida
Por trás de toda foto e todo passo
Construí a minha coragem
No pôr-do-sol e na chuva que aproximava
Vieram as bênçãos veladas
O universo também tinha certeza
Com os pés fincados no chão
Num lugar de paz e sabedoria
Estendi minha mão…
Para unir definitivamente com a sua
Libertei então meu coração
Que junto ao seu, fugidos pela boca
Fizeram lar, fizeram abrigo
Ainda não é hora de morrer de amores
É hora de viver dele.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Sobre o depois” (01/01/2014)

O futuro não começa sem você
Nenhum passo existe sem a decisão
Todo sonho precisa de uma oportunidade
Para tudo é preciso coragem

Seja um pouco mais o que deseja
Se faça dos seus sentimentos
Espelhe o que há de mais sincero
Olhe o mundo nos olhos

Algumas coisas ficarão pelo caminho
Certezas serão questionadas
O desvio faz parte de qualquer rio
A vida sabe por onde ir

A busca é pelo nosso melhor
Nem sempre uma questão de mudança
A transformação é no mundo
Que ainda pode ser um bom lugar

Faça este acordo consigo
Reúna atitudes e palavras
Encha esta vida de sonhos
E ela trará esperança

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Longe, tudo, já não será”

Você está pensando no agora
Cercado de memórias
Inundado pelo próprio pranto
Ainda com o calor do aconchego no rosto
Não vai enxergar o horizonte
Não vai enxergar o próprio nariz
O passado tomou conta
No minuto que decidiu partir
Tudo que achou que ia levar
Terá agora de ter fim
Mais uma caixa no maleiro
A vida passa pelos olhos
Não é preciso morrer
Basta o amor
Serão reveladas as feridas e o vazio
O infinito é maior que a alma
Como queremos caber?
É que o sentimento não tem fim

Espere pelo depois
Cada palavra é um vazio a menos
Cada passo é uma imensidão
Descobrirá o espaço dentro de si
Tudo que deixa de crescer
Um dia cabe na palma da mão
Aquele amor que era envolto em dor
Vira uma pequena felicidade
Destas que se pega de lembrança
Para tudo que acaba nesta vida
Existe uma distância

Ass: Danilo Mendonça Martinho