“Próximo” (28/01/2013)

Talvez o mundo lhe pareça um lugar cheio de estradas erradas. Nossa percepção da vida é influenciada por muitas variáveis, todas plausíveis. O reparo de nossa alma parece um trabalho eterno, sempre algo está fora do lugar. Mas não acredito que seja defeito de fabricação nascer assim “sem lugar”. Não falo de casa, cidade ou país. Falo de um lar para nossos sentimentos, desejos, sonhos, enfim, nosso ser. Ser é uma responsabilidade muito grande, mas não além da capacidade humana. Ser envolve escolhas, princípios e uma reconstrução constante de si perante a vida. Essa busca leva muitos ao desespero, mas esta busca leva. Fluir e fruir por este mundo é fundamental e as aflições de nossa alma é o que nos move. Algo que te mantém vivo, te mantém ansioso do futuro, não pode ser de todo mal. É que dói, eu sei, dói. Precisamos de um lugar que abrigue este nosso ser. Para alguns é a liberdade, para outros ainda que não pareça é a solidão, mas para todos em algum momento é a companhia.
Zilhões de variáveis e eu venho repetir-me sobre a necessidade de se encontrar em outro. Mas não confunda com Amor, pois este é peça. A verdade é que em meio a essa lapidação do que se é, precisamos de descanso. Acredite, não há férias dentro do seu próprio corpo. Há muitas ruas sem saída, muitos sentimentos sem resposta, muita melancolia se misturando com os sonhos, muita mesmice no horizonte. Precisamos de outro que enxergue alguma vírgula diferente, algum alívio para todo universo que carregamos em nós. Precisamos renovar as forças de nossos ideais e rearranjar a harmonia da nossa paz. A construção desse lar é muito gratificante para se deixar pelos caminhos. Plenamente ser é incrível. Tudo que se precisa para continuar é um outro, é um corpo para descansar a alma.
Talvez o mundo lhe pareça um lugar possível, todos os dias.
 

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Descanso” (16/01/2013)

O sol sempre nasce
A natureza sempre respira
Mas nosso olhar divaga
Se perde na distração da rotina
O tempo nos pede outras coisas
Contemplar a vida permanece na lista
Mais esquecido do que lembrado

Tem uma cadeira vazia na beira da praia
Tem um banco esperando na varanda
Tem uma rede balançando em ócio
Há tanta paz nas frestas do mundo
Nós aqui sem ao menos desviar o caminho
Ninguém precisa de permissão para parar
Faça sempre que precisar
É a alma que sustenta o corpo
É a imensidão da vida que alimenta a alma

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Rumo ao Futuro” (02/01/2013)

Todo desconhecido vive entre medos, ainda sim beira novos sonhos. O passo nunca se parece com o desejo, mas é exatamente a descoberta que o mantém vivo. Ao nosso lado temos a escolha e o coração. Não se engane, a razão não está em nenhum dos lados. Confiar em si jamais foi garantia de sorrisos. Ao decidir fazer a curva, muito pode doer, muitas coisas podem se perder e o destino se embaralhar. Só que no fim dela permanecerá seu espírito. Nenhum outro horizonte além daquele que você desenhou te trará paz. É o que nos mantém derrapando nessa estrada ajustando a direção. Os sonhos e os fracassos vão continuar beirando o possível, mas a escolha e o coração estão do nosso lado.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Meu caro…” (05/12/2012)

Meu amigo, foi bom não te ver partir. Fica assim aquela ideia de um até logo que é muito mais verdadeira se tratando dos nossos corações. Nossas bobagens foram mais contidas, nossos segredos mais silenciosos, mas o que me alegra é esta mesa que continuamos todos a sentarem em volta. Não posso te prometer meus rumos nessa vida, mas posso prometer um abraço. Acho que isso nos manteve não aqui, mas em pé. Poderia aqui ser nostálgico em uma dose desmedida sobre as salvações de uma amizade, os lugares tão profundos onde fomos nos buscar, mas vamos abrir mão ao menos destes detalhes. Há um sorriso novo, é somos novos, acho que temos uma perspectiva sobre a vida que jamais imaginamos, sabíamos que chegaria, não pensei nesse quando. Fiquemos assim, sem quando. Alguns dizem que a vida nos mantém por perto, nós sabemos que parte de tudo é uma escolha. Espero nunca te ver partir.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Com destino, sem direções” (07/11/2012)

Precisava de uma notícia de outrem
Olhos que pudessem testemunhar
A vida desta cor que só imagino
Se o passo fosse apenas passagem…
Não quero certezas, mas uma companhia
Mais do que um vislumbre do sonho
Quero verificar a existência do agora
Eu conheço este outro lugar
Ele ainda precisa de um endereço
Mas me mandasse um sinal de fumaça
Faria do meu aqui um lugar também
Seria então um pedaço do caminho
Uma perspectiva maravilhosa da felicidade.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Resolução de fim de ano” (06/11/2012)

Vida se divide? Não digo compartilhar, mas dividir, como um bolo, como férias, como dinheiro até. A diferença é que sabemos nestes casos o quanto temos e assim podemos ser justos. Para contar a vida precisamos de uma medida. Segundos, horas, dias, anos? Isso tudo mede o tempo, mas a vida se mede em tempo? Mesmo se esse fosse o caso, não há tempo determinado para nossa vida. Aliás, de ninguém, talvez das moscas que dizem sobreviver 48 horas, mesmo assim é arriscado afirmar algo desse tipo. Então se a vida não está dividida entre o ontem, o hoje e o amanhã, devemos ter a medida errada.
Se fosse então os sentimentos que determinassem essa divisão. O primeiro amor, a primeira dor, as viagens inesquecíveis, as pessoas que partiram, o encontro com a nossa felicidade… Seria bom que fosse assim, dividiríamos a vida livre do tempo, pelas intensidades. Mas no mundo de hoje, efêmero e individualista, não posso garantir que certas alegrias cheguem a todos. Diante uma sociedade desigual seria menosprezo de minha parte desconsiderar as vidas que passam ao meu lado com suas particularidades tão belas, com dificuldades tão mais profundas. Cada vida conta.
Estaria então a vida a medir o ser humano? Mas a vida é feita de unidade única, singular, exclusiva. Tem diferentes formas e tamanhos. É muito mais do que idosos adultos e crianças. São classificações que seguem sem dividir a vida. Não posso fazer ela esperar as festas de fim de ano para mudar as coisas. Ou que eu só encontre meu grande amor carnaval. Termina-se um ano e pensamos em tudo que queremos para nossa vida no próximo. Mas a vida não é um ano, nem precisa esperar. Eu então resolvi que divido a vida em tudo que ela é, e tudo que ela ainda pode ser.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Porto” (13/10/2012)

O arpoador de sonhos acordou sob um forte nevoeiro. Conta uma velha lenda que um marinheiro solitário achou o caminho de casa seguindo apenas um canto. Deve ser uma história inventada por algum romântico. Verdade ou não, toda vez que desce a neblina, as pessoas se debruçam nas janelas e sussurram canções que só seus queridos sabem. Todos querem garantir o desembarque dos seus abraços. O que seria de um cais sem saudade, tem desejo que fica para trás, muda de nome, desaparece no horizonte. Tem gente que nunca parte e acho que de certa forma se arrepende de ancorar a felicidade no primeiro sorriso. A vida é mar, cheia de possibilidades. Colocamos nossa humilde nau sem bússola, sem estrelas, apenas com uma alma em busca do que a faça todo. Não deixe de cantar na janela e guarde uma vaga nesse cais…o sonho ainda volta meu bem, o sonho ainda volta.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não se deixe” (08/10/2012)

Que vida é essa
Ocupada pelo nada
A negligência ao desejo
Tudo permanece incompleto
Mas o sonho precisa acordar
O amanhã tem que nascer
Deixar-se para trás
É acreditar que existe limite
Nunca vi alma grande demais
A fuga não deve ser regra
Deixar de desenhar expectativas
Não evitará decepcionar-se
Não confunda calma com esquivo
Permita-se cada dia
Permita-se cada amanhã
Crescer é questão de altura
Amadurecer é questão de grandeza

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Pertencer” (25/09/2012)

O corpo pode correr em círculos
Saborear o amargo mais de uma vez
Abraçar a dor no travesseiro
Respirar fundo sem escapar
O nosso corpo aguenta
A alma é o nosso limite
Lá a vida perde a cor
A vontade dissipa no ar
Toda alegria fica escassa
Todo passo vira abismo
A alma grita
O corpo pode ser indiferente
Conviver sem amizades
Silenciar sem sufocar
Atravessar o dia sem ser notado
O corpo pode vagar vazio
A alma precisa do que a complete
Pede um propósito para vida
Coloca um sonho no horizonte
Insiste na felicidade que não conhece
O corpo não sabe seu lugar
A alma tem endereço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Um dia de cada vez” (10/09/2012)

Perdoa se o alvorecer parte
A felicidade é perene
Os caminhos que se desenham
Sempre voltam

A primavera pode ser a primeira
Mas os espinhos já feriram
O que vinga nesse jardim
É vida que desconsidera o tempo

O fim de tarde guarda a cor da memória
O mundo gira em nostalgia
O sonho recria o encontro
Acordar é sempre um novo desejo

Perdoa se a noite volta solitária
Não é preciso nenhuma aurora
O sentimento é a eminência
Do que já existe fora de si

Dorme com a certeza
O futuro é um lugar desconhecido
Mas para onde viajamos com a alma
Levamos quem a gente quiser

Ass: Danilo Mendonça Martinho