“Preserve seus sonhos”

Nossos desejos mudam
Se transformam, crescem,
Se desviam
Mas que permaneçam nossos
Até mesmo secretos

Os atos mudam com cada verdade
Com cada conhecimento
Com cada informação
As vezes nem precisa ser verdadeira

O mundo é complicado lá fora
Causas são vencidas por interesses
Vontades são vencidas pela rotina
Sonhos são massacrados pela necessidade do dinheiro

Mas sua vontade de ser feliz
Pode mover o mundo em uma nova direção
Sejam quais forem seus planos, se forem justos,
Eles merecem uma chance
Os sonhos serão a diferença entre sobreviver e viver.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“A força desconhecida”

Eu mais do que ninguém tenho que tomar cuidado com as palavras. Sei que são armas, instrumentos, mensageiras, poços de possibilidades e interpretações. Ardilosamente dúbia a palavra pode lhe entregar por inteiro, ou pode carregar uma mentira a pessoas suficientes para ser irreversível. A palavra entra em qualquer alma, basta ser a certa. Somos rodeados por essas entrelinhas de desejos e verdades. Alguém aplicado o suficiente, atento, curioso e dedicado não deixará nada passar como comum e para estas seremos sempre um livro aberto. A nossa sorte ou azar é que essas pessoas são raras. Não acho que é preciso esconder sentimentos. Mas sei que tenho muitos planos que precisam ser maduros o suficiente para sobreviver neste mundo. Universo de vaidades, de olhares que tanto prestam atenção a ponto de atrapalhar nossos passos. Há muita força contrária, até mesmo dos que querem ajudar. Um sonho precisa ser forte, um desejo precisa ser completo, uma vontade precisa ir até o fim. Por isso há muito segredo em nossas palavras, é preciso olhar a quem. O conhecimento superficial do mundo moderno transforma todo nosso redor em uma frágil conexão de pessoas, de agenda escusa e própria. Mesmo sabendo disso o perigo ainda reside, pois há muitos os quais não definimos lado, nem opinião. Há certas coisas que devem permanecer no menor círculo de pessoas possíveis. As vezes é preciso se manter trivial. O coração precisa de segurança para falar, caso contrário faça de cada batida um silêncio, de cada pulso um olhar. Não entregue os pontos antes do necessário, antes de saber do que se fala. A conversa geralmente ajuda, mas não necessariamente porque te ouvem ou te aconselham, mas sim porque você se ouve, porque você alivia o peito. E já que é preciso falar, faça a quem te dê mais que ouvidos, faça a quem entenda. Seja breve nas palavras, a força do seu sonho está no inesperado, no desconhecido, no único, no que é só seu. Para qualquer outra pessoa escolhida sem a devida cautela, seu desejo será apenas uma informação privilegiada. Tome cuidado com a palavra.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Deixe Estar” (05/10/2013)

A vida precisa de uma fresta
Construa você suas muralhas
Vista suas armaduras
Ou aprisione as palavras

O coração precisa de uma migalha
O abraço que rejeita
O sorriso indireto
Até mesmo a promessa falsa

A alma precisa de um respiro
A lágrima que escapa a multidão
A verdade omissa
Declarar-se sem ser interrompido

Nos dias que são dor
Deixo minha janela aberta
Por lá tudo escapa
Enxergo um pedaço do horizonte
Misturam-se todos meus suspiros

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Permanente”

Sinto falta da vontade
Será que ela sempre me faltou?
Hoje o mundo está de portas abertas
E os braços são curtos para alcançar

Sonho muito mais que já sonhei
Quero muito mais do que já quis
Em algum lugar sei que posso
Mas a cobrança lembra e machuca

Pensamos que é tudo para amanhã
Mas na verdade é tudo para vida
É preciso passar pelo meio do caminho
Mesmo sabendo que podemos mais

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Aparências”

Parecer pode ser muita coisa
Imagens sem controle
Uma frase sem pensar
Uma palavra sem contexto
Até gestos despretensiosos
Há um código secreto
Que liga símbolos e significados
Que é individual

Logo é fácil parecer
Eu não vou te impedir
O que sou não é momento
Mas pode ser tudo que temos
Então dê o seu melhor
Crie suas verdades
É provável que se iluda
Mas é possível que me conheça

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Intransigente”

Não há apelo ao coração
Argumento, conselho, aviso
O próprio corpo desiste
Olhos cansados de lágrimas
A razão mergulhada na emoção
Ninguém pede, mas todos querem
E ele ama sem restrições

Sentir é natural
A questão são as possibilidades
Intensidade, desejo, caráter
Tudo precisa se encontrar
Ou ao menos a disposição para mudar
Todos tem seus limites
Quem pertence as suas fronteiras?

Ninguém precisa de pressa
Certezas são altamente voláteis
O orgulho é uma armadilha
É preciso saber abrir mão
Reconhecer um sorriso aberto
E não discutir com o coração

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Descalço”

É difícil andar a pé. Tem concreto, tem terra, tem cascalho, tem espinho. A ferida sempre aberta de quem insiste que o melhor passo ainda é o próximo. Ser feliz é completar-se a cada dia. Mas para isso é preciso deixar o rastro. As marcas de uma sobrevivência muitas vezes questionável. Em busca de um horizonte muitas vezes utópico. Não vejo ninguém diminuir a velocidade, nem mesmo desviar do caminho. Todos querem suas promessas. O sentimento nasce de uma forma tão natural que é impossível demovê-lo por fora. Tudo que nasce dentro, lá perece, ao seu próprio momento. A razão é apenas um conselho. É admirável o ser humano, mais do que pela sua capacidade de pensar, mas pela escolha de abandono do mesmo. Sofre e sorri. Apanha e abre os braços. Magoa e ama. A alma tem bem menos extremos do que parece. Na convergência de ser um, a mistura nunca sai igual. Só permanece o desejo, o sonho, este gosto de vida que todos queremos encontrar. Vamos longe, vamos fundo até o dia de não precisar mais voltar. O enfim descanso para nossos pés.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Sobrevivência”

Faz tempo que não se respira
Nem mesmo o silêncio
O outono me parece sensato
Encolhido ao tronco de uma árvore
Que já não faz sombra, nem dá frutos
Sua solidão é completa, quase humana
A palavra eventualmente se desgasta
O gesto invariavelmente se repete
É entediante essa vida sem vontade
Mas infinitamente segura

A ciência diz o que pode soar como crendice
Um ser humano sem companhia se desfaz
Parte mais cedo, atrasa todas suas realizações
Como se apenas o outro comprovasse a si
Pensar já não é sinônimo de existir

Ontem voltou a chover, devagarinho
Evaporou-se a poeira do horizonte
O frio ocupou as frestas das casas
E por trás das tulipas desmaiadas
O suspiro errante foi ouvido
Apesar de contra toda a natureza
O sozinho segue caminhando
Respirar talvez seja um vício

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Rochas”

Será que o amor é caça nesses tempos?
Há tanta dor espalhada pelos olhares
Penso que só pode ser causa de predadores
Técnicas ultrapassadas ou talvez ausência delas
O coração é um infeliz perdido no fogo cruzado

Ninguém nasce sabendo estender a mão ao próximo
Mas também já não se faz questão das gentilezas
Ao agarrar o sentimento…sufoca, arranha, maltrata
O rastro na terra é de lágrimas
Os corações que ressecam, viram pedra

Doer é tanto da vida quanto amar
Mas não façamos disso nossa regra
Não vamos ficar atirando flechas ao deus-dará
A errar, sim, nobremente continuaremos
Mas com a tristeza sendo um velar que valha a pena

O amor não é caça, nem caçador
Ele não tem papel nessa peça, é apenas paisagem
Somos protagonistas das palavras
Somos coadjuvantes dos sentimentos
Tolos a procurar pedras preciosas
Escondidas dentro do peito

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Completos” (29/01/2013)

O vazio da perda jamais se completa
Os olhares que virão a sorrir tristes
Fiel a ideia que a vida virou um fardo
Há quem faça sua paz com a dor
Mas e a dor que não é anunciada?

“Por que” pode ser uma busca para vida toda
Perder-se é uma escolha, mas não uma troca
Punir-se é ser dor para sempre
A morte dos nossos próximos
Parece não deixar saída para quem fica

Agora, o mundo a nossa volta não nos deixa
A existência não perde sentido
Sabemos que jamais cessaremos o choro
A alma não foi feita para andar vazia
Mas podemos enchê-la de vida mais uma vez

Há tantos sonhos, alegrias e desejos
Para serem feitos no nome de quem se foi
Há ainda uma vida que pulsa em nós
A qual não nos deixariam abandonar
Há dor, mas há todo amor da vida que aqui esteve

Ninguém merece uma perda
Mas todos merecem ficar em paz

Ass: Danilo Mendonça Martinho