“Rochas”

Será que o amor é caça nesses tempos?
Há tanta dor espalhada pelos olhares
Penso que só pode ser causa de predadores
Técnicas ultrapassadas ou talvez ausência delas
O coração é um infeliz perdido no fogo cruzado

Ninguém nasce sabendo estender a mão ao próximo
Mas também já não se faz questão das gentilezas
Ao agarrar o sentimento…sufoca, arranha, maltrata
O rastro na terra é de lágrimas
Os corações que ressecam, viram pedra

Doer é tanto da vida quanto amar
Mas não façamos disso nossa regra
Não vamos ficar atirando flechas ao deus-dará
A errar, sim, nobremente continuaremos
Mas com a tristeza sendo um velar que valha a pena

O amor não é caça, nem caçador
Ele não tem papel nessa peça, é apenas paisagem
Somos protagonistas das palavras
Somos coadjuvantes dos sentimentos
Tolos a procurar pedras preciosas
Escondidas dentro do peito

Ass: Danilo Mendonça Martinho

6 comentários em ““Rochas”

  1. Sabe, poeta, eu adoro a tua sabedoria… O amor sadio, saudável e justificado pelas ações e não pela sequência ininterrupta dos muitos “eu te amo” que se pronunciam por aí, é o grande desafio da contemporaneidade. “Ele não tem papel nessa peça, é apenas paisagem”, que não cansamos de admirar e reproduzir a sua imagem a partir daquilo que supomos que ele seja. Sei lá se é isso, mas é o que parece.Obrigada por sempre estar. Por sempre ser. Sou sua fã e acho que você já sabe disso. Abraços.

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  2. Obrigado pelo carinho e atenção de passar, ler, comentar, mas acima de tudo sentir. As vezes penso que isso é raro, mas percebo cada vez mais que há muitos a procura de quem também sinta.Um elogio de uma companheira de palavras, é uma felicidade. Obrigado pela companhia nesse caminho das poesias. Abraços

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  3. Caro, nascemos sabendo que precisamos do outro, agarramo-nos a qualquer dedo que se estenda à minúscula mão. Ontem ouvi um ator, interpretando Vestido de Noiva, a dizer “Morre comigo?”, retificando antes que, cá entre nós, quando alguém diz isso assim, está pensando “Vive comigo”. Que o fogo da maioria seja fogo amigo, nessa saraivada de flechas por aí.

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  4. Publicações tão lindas quanto viver, suspiramos enfim felizes por sentir o alento de tantas palavras, que há quem esta disposto a dançar se colocam como musica aos ouvidos. Ah meu caro Poeta da Colina continue propagando o sentir (;

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