Ass: Danilo Mendonça Martinho
Categoria: Natureza
“Não sei se é Natal” (26/12/2012)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Natural” (13/10/2012)
A natureza respeita a chuva
Em silêncio os animais pastam
Os pássaros saem a caçar
Os insetos não dão sinal no meio do mato
Cachorros se aninham sob a copa das árvores
As flores seguem seu desabrochar
O papagaio engaiolado cochicha
As folhas passam recado pelo vento
Mas nada pára
Trabalhadores discretos
Fazem tudo atrás do véu branco
Deixando a chuva ter seu momento de paz
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Não Ainda” (15/09/2012)
A brisa ainda sopra entre os raios de Sol
O inverno permanece como pano de fundo
Insistente em reinar por toda sua época
Ele gela as madrugadas
Esconde o mundo na cerração enquanto puder
Raramente ainda consegue unir negras nuvens
Ele sabe que seu tempo é escasso
Mas não desiste em vivê-lo na plenitude
Pega desprevenidos os que olham, mas não abrem as janelas
O horizonte engana, ele ainda está aqui
Não é uma simples questão de nostalgia
É entender qual lugar pertencemos
O inverno não vai se importar de partir
Mas vai soprar esse vento gelado até lá
Todo mundo tem seu propósito na vida
Não há porque desistir antes do fim
Abri a porta e deixei a estação entrar
Contar para mim seus últimos segredos
Ainda há tempo de um abraço
Ainda existe melancolia no fim de tarde
Ainda sopra um vento virtuoso na alma
O inverno ainda há de convalescer os corações
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Manchete” (13/09/2012)
A palavra se precipitou
Entregou a verdade
Nas mãos da ilusão
Passou seca pela garganta
Desaguou em desespero
O sentimento mora perto
A tragédia é diária
Corpos alheios do contato
Ruas cheias de objetos
Mas nenhuma revolta
Tudo já virou paisagem
Desde a alegria até a miséria
A palavra também abriu mão
A fé no que é humano
Sobrevive ao jornal na TV
Ao tiroteio no cruzamento
À fome do concreto
À sede pelo poder
Até que a última voz se renda
E não exista mais porta para bater
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Um dia de cada vez” (10/09/2012)
Perdoa se o alvorecer parte
A felicidade é perene
Os caminhos que se desenham
Sempre voltam
A primavera pode ser a primeira
Mas os espinhos já feriram
O que vinga nesse jardim
É vida que desconsidera o tempo
O fim de tarde guarda a cor da memória
O mundo gira em nostalgia
O sonho recria o encontro
Acordar é sempre um novo desejo
Perdoa se a noite volta solitária
Não é preciso nenhuma aurora
O sentimento é a eminência
Do que já existe fora de si
Dorme com a certeza
O futuro é um lugar desconhecido
Mas para onde viajamos com a alma
Levamos quem a gente quiser
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Amanheceres” (14/08/2012)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Despetalando Nuvens” (07/05/2011)
Rasgam entre as sombras do outono sorrisos amornados. Invejam aqueles que passam perenes sem proposta de destino. O inverno será uma prova, mas não o fim dos solitários. O sentimento é o tronco da árvore que por hora se desfaz, resistindo ao vento, encolhendo-se diante o mundo. Ninguém duvida que se manterá viva. Pois os rostos sem felicidade guardam na alma forças inconscientes. Essas se farão presentes quando faltar o abraço. A verdade é que contamos muitos invernos até começar a contar primaveras. A vida é um céu entre nuvens. As vezes plena, outras ausente. Quando olho para estes sorrisos a meia luz, passo a pertencer a uma esperança de que muito em breve eles amanhecerão plenos.
Deixe o outono passar. Deixe o inverno ser. Os nasceres ainda hão de nos levar até as flores.
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Virada no Tempo” (28/04/2012)
Tem dias que são assim. Enrolamos o corpo no cobertor, escolhemos o melhor lugar em frente a janela e deixamos chover. A vida ganha outra perspectiva no prisma das gotas que irremediavelmente tentam se agarrar no vidro. Eu prefiro recostar contra o parapeito, ficar à beira de tudo, sabendo que não farei nada. Podemos ser apenas retrato. Esses dias de frio deixam tudo na ponta do nariz. Um íntimo que te faz acreditar no resto, um aconchego que te traz paz. O asfalto se veste de natureza refletindo as árvores das calçadas. Tudo respira, se aproxima, aperta-se, como se fossemos só inteiros. Gosto de pensar assim. Largar esse papel de peça. O viver é tão moldável quanto os sonhos, a diferença é que um deles está nas nossas mãos. Ao olhar para fora o que está por dentro, ficamos mais possíveis. É encolhido na existência que descobrimos o total de nosso ser. É assustador, tanto que o dia deságua sem nem percebemos. Precisamos de um tempo para olhar para dentro e assumir os nossos sonhos. De tempos em tempos crescemos, enrolados no mesmo velho cobertor.
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“As antigas primaveras” (16/04/2012)
Ass: Danilo Mendonça Martinho