“Virada no Tempo” (28/04/2012)

Tem dias que são assim. Enrolamos o corpo no cobertor, escolhemos o melhor lugar em frente a janela e deixamos chover. A vida ganha outra perspectiva no prisma das gotas que irremediavelmente tentam se agarrar no vidro. Eu prefiro recostar contra o parapeito, ficar à beira de tudo, sabendo que não farei nada. Podemos ser apenas retrato. Esses dias de frio deixam tudo na ponta do nariz. Um íntimo que te faz acreditar no resto, um aconchego que te traz paz. O asfalto se veste de natureza refletindo as árvores das calçadas. Tudo respira, se aproxima, aperta-se, como se fossemos só inteiros. Gosto de pensar assim. Largar esse papel de peça. O viver é tão moldável quanto os sonhos, a diferença é que um deles está nas nossas mãos. Ao olhar para fora o que está por dentro, ficamos mais possíveis. É encolhido na existência que descobrimos o total de nosso ser. É assustador, tanto que o dia deságua sem nem percebemos. Precisamos de um tempo para olhar para dentro e assumir os nossos sonhos. De tempos em tempos crescemos, enrolados no mesmo velho cobertor.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

7 comentários em ““Virada no Tempo” (28/04/2012)

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