Ass: Danilo Mendonça Martinho
Categoria: Cotidiano
“Tudo ao seu tempo” (04/01/2017)
Eu queria começar com boas notícias
Mas pouco aconteceu até agora
Posso dizer que o calor continua
Talvez por isso a esperança esteja no congelador
Será que é possível, congelar a dor?
A verdade é que deixei a onda passar
Não nadei contra a corrente
Não tentei atravessar punhos por paredes
Insisti em me vestir de coração
Sonhador, sincero e real
É o que posso ser diante o que se adia
Não sei o tempo que falta
Então vou deixar que ele sobre
Espalhado na frente do ventilador
A vida não é viral
Ela tem calma e tem propósito
De mim precisa apenas de perseverança
Ainda é cedo pra se encontrar
Ass: Danilo Mendonça Martinho
15/11/2016
O tempo não tem janelas nem portas para o passado
Parar e olhar para trás para quê?
Nem saiamos debaixo das cobertas
Costuramos mais uma emenda
Como se todo dia já não fosse
Sem folga sairei quase sem rumo
Na cidade de pedra que revela seus vazios
Solidão a gente acha até debaixo do asfalto
O mormaço da cidade não substitui o aconchego do lar
Nem 100% equilibra essa balança
Fica só na esperança de um dia o tempo levar
Só enquanto ser feliz não paga conta
Minha própria rotina me pegou de surpresa
Até meu descanso é programado
Antes de acordar se conta as horas para dormir
Tem contas que a gente sempre sai perdendo
Feriado se conta vantagem e nenhuma história
Amanhã é dia de levantar na realidade
Mas….de que lado ficou a ilusão?
Ass: Danilo Mendonça Martinho
14/11/2016
“Acordei debaixo de um véu branco
Sobre a proteção da garoa
Ventos de alguma outra direção
Mudo a vela para evitar contradições
Passa pelo horizonte o mesmo filme
Penso no final do que não teve começo
Acredito neste norte, vivo por este destino
Só receio as mortes nas praias
Por isso remo, desistir é a ilusão de tentar…
…O frio é gentil na medida que permite mais abraços
Mas para aqueles que tem de partir é um lembrete
A vida é andar por curvas onde se perde totalmente do sonho
Por isso na minha língua fé se chama passo
Levam tempo, levam força
Tem realidade de sobra
O homem sem camisa pede no farol
Nos falta a mesma gentileza da natureza
Esgotados adiamos mais uma vez
O solidário, a verdade e até mesmo desistir.”
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Passa(n)do” (22/06/2016)
Hoje o tempo me alcançou
Veio me passando uma rasteira
Querendo jogar tudo pro alto
Fazendo do suspiro ventania
Não sei se é culpa ou silêncio
A alma precisa que tudo pare
As tarefas que não se apagam
A vontade de ser depois
A procura da felicidade
A cobrança de ser melhor
Pensar leva tempo
Sentir o preenche
O que passa, nem sei se é vida
Tudo me parece indiferente
A lista do supermercado
É meu elo com a realidade
Riscado as bananas
O que exatamente me sobra?
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Dúvida” (26/07/2016)
Hoje estou as avessas com a esperança
O peso do corpo não compensa o da alma
Ignorei o alarme e o vazio da cama
Olhei bem meu sonho, sem saber o que era verdade
De olhos fechados arquitetei bobagens
Trocar o canal dá impressão de controle
A vida poderia se reduzir em um único ato
Mas tem conta em cima da mesa
A culpa debaixo do travesseiro
O tempo que te arrasta pelos deveres
O mundo segue, mesmo sem vontade
Posso fechar a porta mas o coração continua aqui dentro
Contando mil histórias de um amanhã
Nesse eterno talvez que ou me mata ou me abandona
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“As baratinhas do 8600” (22/04/2016)
No meio daquele suor que te escorre nas costas
O vento parece se desviar das janelas
Os corpos grudados nos bancos estofados
As peles que se roçam enojadas pelo contato
Seguramos firme a cada freada
Procuramos um canto que nos esconda e dê saída
Se o concreto racha, o metal se contorce
E as baratinhas rondam as frestas
Saindo e entrando pelas lâmpadas
Sem chamar atenção do público
Tento não fazer dos meus olhos algum espelho
As mulheres que conheço estariam desesperadas
Mas também começa um coça-coça
Ao perceber que também estou encostado na porta
Quantas delas vivem nessa carcaça?
Este calor as espanta ou atrai?
E reparo toda descostura da sanfona que não toca
Ali deve ter um país inteiro
Agora já estou nas pontas dos dedos
Elas passeiam perto das mãos do vendedor de balas
Dá sinal meu amigo antes que seja tarde
Antes que enxergue o que a rotina distraí
Fico surpreso que o terror não tenha se instalado
Acho que as baratinhas até são discretas
Se escondem antes de qualquer medo
Mas uma vez que a consciência embarca
Essa viagem não vai ter volta
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Paraíso digital” (04/04/2016)
O amigo no trabalho mandou avisar
Hoje é só ele e Deus
Perguntei se era melhor cópia oculta
E se o endereço é arroba gmail
Será que mudaram o paraíso?
Pois sem wi-fi e cinema 3D ninguém fica
E se formos depender de valores
Nelson Rodrigues por lá não se estica
Acredito que sejam progressistas
Não nesta área de tecnologia
Mas com um pouco mais de paz
No fim mandei a cópia por educação
Deus não tem cara de videografista
Prefere as coisas feitas a mão
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Mapa” (10/03/2016)
Minha esposa estava com dificuldade
De encontrar o endereço do céu
Sugeri a ela que ligasse para felicidade
Também pegasse emprestado aquela receita de mel
A vida pode ser uma fantasia vestida de realidade
Fiquei imaginando o GPS recalculando a rota
Pedindo para voltar duas vidas passadas
São 10 anos até o próximo caminho de volta
E a vida toda congestionada
Ela me disse que é para lá de São Mateus
Se tem santo no nome deve estar perto
Meu amor me jure por deus
Chegando por lá me vai garantir um teto
Que fique tudo pronto para aquele adeus
Não vai ter jeito
Vamos ter que pedir por direção
Alguém me disse para seguir dentro do peito
Foi a paz que me encontrou no coração
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Os olhos gentis” (04/03/2016)
Ass: Danilo Mendonça Martinho