“Despertar” (16/01/2015)

Uma vez tímida
A luz vence as frestas da persiana
O calor deste verão
Faz da preguiça matinal algo impossível
Procuro teus olhos
Sempre profundos mas por hora fechados
Minha mente não sabe estar só
Inventarei mil palavras antes que acorde
O cômodo vazio
Tudo ainda está a espera de memórias
Ainda estou acordando
Deste outro lado da vida onde sou nós

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Um abraço” (19/11/2014)

Honestamente não sei como quebrar o silêncio, e dizem que sou bom com as palavras, mas nunca com você. Não sei como vai me receber naquele dia, há muito na sua cabeça e independente do seu humor sei o que guarda por dentro e isso é o que sempre admirei. Então mesmo de lado, de canto, vamos nos entendendo aos poucos, com fala baixa e rara, sobre assuntos banais e outros nem tanto. Muitas vezes pessoas viram como você exterioriza toda sua raiva, sua inconformação, e só quem convive mesmo sabe que guarda para si toda bondade, tudo que sempre te faz tomar atitudes de cuidado, de carinho. Talvez o que mostramos para o mundo nos deixa mal falados, ou incompreendidos. Talvez não seja preciso palavra alguma, apenas um olhar que enxergue e que principalmente saiba. Por você a vida seria só sacrifício por aqueles que ama. Por mais que certas coisas fujam da sua compreensão, ainda assim aceita e faz o melhor pelo outro. A vida já te deu muito revés, mas não te tirou esse gesto, não apagou essa alma, não te tirou do rumo, apenas algumas vezes do sério. Eu sei e acredito que você sabe que este silêncio entre nós é amor. O que tem me incomodado é outra coisa. Queria chegar perto de ti e te abraçar, para que você soubesse que sou grato. Nosso amor é incondicional, eu quero dizer outra coisa que não está na palavra, nem na falta dela, nem neste nosso acordo velado. Quando nós crescemos percebemos o quanto certas pessoas a nossa volta dedicaram partes inteiras de suas vidas para que nós pudéssemos viver as nossas. Penso que talvez isso nem caiba em um único abraço, mas você merece essa gratidão expressa da melhor forma que posso. Ainda saberei melhor o que te dizer, serei melhor em encurtar nossas distâncias, por enquanto darei um jeito de te encontrar neste abraço que não é por agora, mas pelo que sempre foi para mim. Teu coração é meu exemplo e espero que o meu também tenha força de alcançar tantas pessoas. Obrigado por doar esta parte de sua vida, farei algo lindo disso tudo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Porto” (20/10/2014)

Foi como chegar de uma viagem sem precisar partir. Descarregar nossas roupas, nossas coisas e nossa vida. Tons de felicidade que não conhecia. Não era simplesmente o sorriso, nem era o abraço, era algo mais interno, completo e pleno, um encontro com o futuro, a sensação de viver um sonho, de ser feliz sem nenhum esforço. Estávamos em casa, pela primeira vez. A noite não era a mesma, as luzes ligadas davam um tom de permanência e ouvia o chuveiro ligado do sofá, via a cidade no horizonte e ajeitava nossos pertences, arrumamos a cama e na penumbra da sala olhava pela janela todos meus próximos dias. Faz alguns dias que não me sinto bem, que desenvolvo um pouco de frustração e melancolia, que a realidade me fatiga e me arrasto, o alívio me era raro. Mas quando chegamos meu coração se encheu de esperança, viu todos motivos para seguir. Guardei na minha alma o lugar que poderei fechar os olhos e lembrar toda vez que precisar fugir. Amor, somos um lar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Até o fim” (28/09/2014)

Me sobrou um último pedacinho de papel. Espero que seja o suficiente para nós dois. Estou espremido no canto da cama, sua marca está ao meu lado e sua fotografia me sorri, em breve seremos eu e você, sem precisar fechar os olhos. Me avisaram o quanto pode ser difícil e não acredito que estaremos a salvo das dificuldades. Só digo que não importa, quero viver tudo ao seu lado, das coisas que completam nossa vida aos sentimentos encolhidos em uma sobra de caderno. Nunca sei o que dizer quando um deles acaba, mas toda brecha de palavras é bom preencher com amor. A noite logo me vence. Acho que vou aproveitar para dormir no pé da cama porque de vez em quando é bom. Tem muito mais silêncio nessas madrugadas que não durmo, muito espaço para sonhar. Precisaremos de tempo, eu e você, para ocupar todos aqueles cômodos com nossos planos. No fim ainda sempre cabe e até sobra o suficiente para não conseguirmos parar. Pensei que neste retalho colocaria um amor do tamanho do mundo, mas descobri que somos extremamente simples. Um abraço, um olhar e um sorriso. Um pedacinho de chão sem dono. Um velho bloquinho com a última folha em branco. Não precisamos muito para explicar nosso encontro. A verdade sobre o nosso amor e outros por aí, é que sempre foi assim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Sobre o que não passa II” (14/10/2014)

Sinto ser eu a lhe dizer, mas o tempo não vai esquecer a sua dor. A marca debaixo da pele é perfeitamente visível no espelho. Não há como apagar o que faz parte de quem você é. O sentimento tem intensidade, tem gosto e algumas vezes até mesmo forma, mas não tem cura. O tempo só pode te dar distância e por mais que possa ficar longe daquele momento não há como separar de si. Somos profundamente entrelaçados as nossas escolhas e somos, em maior ou menor quantidade, os seus resultados. A dor é um componente da alma humana que só podemos equilibrar. E aqui, antes que desista de ouvir as minhas palavras eu te aviso: há sim uma escolha. Você pode deixar a cicatriz te guiar por completo ou fazer dela apenas uma parte. A lembrança pode ser um tormento ou apenas um suspiro lamentando o que já não é mais. Saber que não há nada que te preencha por completo, não importa o tamanho do que sinta, a vida tem espaço para tudo. Sinto em te dizer que sempre terá essa dor, mas me apresso em te dizer que lhe cabe uma felicidade ainda maior.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Enquanto não chego” (07/08/2014)

Dorme agora meu bem
Teu amor já está em casa
No pé do teu ouvido
Sussurrando o amor que não lhe cabe
Se você pudesse ouvir entenderia
O espaço que você preenche em mim
Você é todo meu futuro

Já passa da meia-noite meu bem
Por hora a torneira da pia pinga
Meu pai ronca em seu quarto
Meus olhos pesam nesta folha de papel
As marcas da espera
Por um amanhã mais próximo de nós
É como se estivesse no meu passado
Vivendo o que já não sou

Você faz falta meu bem
Porque faz festa
Faz colo, faz cafuné
Faz felicidade e torta de limão
Faz eu dar risada e me faz sonhar
Faz de mim alguém melhor
Faz tanto que fazer falta faz parte
Você nunca me deixa
É pedaço que a alma absorveu

Sonha meu bem
Que não demoro e te encontro
Sei o que queremos
Sei que acordaremos neste dia
Sei que será breve pelo tempo
Sei que será longo pelo sentimento
Mas por enquanto dorme
Que eu zelo um pouco mais
O sentimento que chamamos de lar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Guardados” (16/07/2014)

Cada palavra marcada
No papel envelhecido
Tem nome e sobrenome
Não sei se foram raras paixões
Sei que foram as minhas
Sei que sou produto delas

Meu passado está escondido
Até mesmo de minha memória
Não sei o que encontrar na cômoda
Num canto discreto de minha alegria
Não sei o que guardar de minhas tristezas
Parte de mim está numa caixa de sapatos

Ali jaz muito do meu romantismo
O mesmo que não preciso mais esconder
Amei mais palavras do que pessoas
Mas elas acabaram mudas
Uma solidão que não se calava
Não sabia ser o que sentia

Amei na proporção de vidas inteiras
Reconstruí nítido ao toque meu futuro
O tempo consolidou as fronteiras da minha dor
Tirava do coração pedaços completos
Vi a perfeição em tudo que beirava a realidade
Findaram como folhas de outono meus romances

Lá no fundo dessa bacia de almas
Me reconheço sem querer voltar
O que aprendi me faz feliz
O que senti me faz inteiro
Do que ficou apenas a certeza
Minha gaveta amou mais do que eu

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Não-amor” (14/05/2014)

Na solidão é que podemos refletir melhor sobre as presenças. Separar a dor do amor. No silêncio estamos acompanhados de nossos passados, escutando sem jamais ser escutado. Tenho marcado palavras para tentar me comunicar com tudo que já viveu dentro de mim. Não quero mudar, não quero respostas. Quero explicar pela última vez estes sentimentos, pois vou abandoná-los, chega dessa dor da qual já não sei mais falar, a felicidade quando chega merece toda sua atenção. É possível compreender todas as tristezas traçar uma rota pela sua história e abrir espaço para novas aflições. O coração precisa de um respiro e nada mais justo do que engolir os últimos rancores que hoje chamo de “não-amores”, afinal é isso que são. Não adianta voltar sua raiva contra algo que simplesmente não era sua realidade, muito menos seu futuro. Ainda mais depois de encontrar a companhia que te faz fazer algum sentido. A melancolia ganha tanto espaço na nossa vida porque na maior parte do tempo sofrer parece algo natural, parece uma resposta. Viver indagando, clamando por um sinal de um bom futuro parece o único jeito de seguir em frente. Desde os primeiros olhos mais sinceros que encontrei, que jamais desviaram dos meus, venho me perdendo em tantos outros. Entregue ao inimigo, sem reação e sem fala. Quantos “não-amores” são mudos pela vida, não é mesmo? Ajoelhadas, presentes, flores, mas quantos “não-amores” dissestes apenas, gosto de você. A maioria das pessoas de posse de uma mente mais inocente e livre viveram mais do que eu que me voltei as folhas em branco, aos pés de ouvido, ao breu das madrugadas, aos cantos de cada capa de livro……rabiscando sentimentos ao mesmo tempo reais e improváveis. Vivi a minha maneira, penso eu. Aprendi as minhas penas. Acredito mais até mesmo do que sinto, que “não-amores” são perfeitos. Instigam, adoecem, compartilham, invadem, intensificam, saboreiam, derretem e acabam. Afinal, eu não conheço perfeição inacabada. O seu antônimo, o amor, que é muito do imperfeito, do qual vivemos tendo que aprimorar todos dias. Por isso é preciso tantos outros destes plurais, o outro depois que se encontra é o mesmo pela vida toda, um sabor único que pode ser sentido de infinitas maneiras. Quando se descobrir em um “não-amor” agradeça e parta. Recluso então doa, mas tudo que precisar doer. É bom….sentir é sempre melhor. Se alguém partir não rejeite a chance de dizer adeus, a tristeza não vai ser diferente, mas a lembrança, com certeza, será. E o que realmente aprendi disso tudo e que posso dizer sem nenhuma ressalva é que você deve seguir. O amor, mesmo quando inventa de ser dor, ainda sim, é uma das melhores coisas que podemos sentir.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“O que vocês nunca entenderam” (07/05/2014)

Para mim nunca foi uma questão de curiosidade, de saber como era pegar na tua mão, de como era sentir um beijo, descobrir os sentimentos, explorar os limites do corpo e a profundidade das palavras. Não! Eu amava. Sempre quis tudo, o compromisso, o namoro, a companhia, a ideia de ser feliz por um tempo indeterminando, sem me importar que fosse durar para sempre. Eu tinha essa certeza, eu tive essa certeza talvez cedo demais, é difícil saber o que quer, você acaba excluindo outros caminhos, mas a verdade é que desde sempre minha alma só quis ser completa e não me parecia que isso poderia soar como pedir demais. Talvez se tivesse olhado para outras mulheres e só tentasse perceber quem me queria, quem sabe teria outras histórias para contar, só que decidi ser fiel ao que sinto e isso para mim jamais foi ilusão. Certo ou errado, escutei o coração. Doeu, sofri, mas jamais duvidei do que queria, do que já sabia que precisava para ser feliz. Não julgo sua decisão, estou aqui para expor o lado que não sabia como fazer antes. Querendo ou não, ninguém pensou em mim, e qualquer solução é fácil quando preferimos ignorar o outro. No dia que a moeda virou eu soube dizer não, uma das coisas mais terríveis que já fiz, mas que me deixou em paz, a sinceridade tem seus contras e suas recompensas. Tudo bem, só silêncio também serviu. Cresci e hoje entendo que não era de bom tom se entregar por inteiro, a “culpa” foi desta minha estapafúrdia ideia de um romance. Carreguei, tempo demais, longe demais, hoje cheguei, mas essa outra é história. Não estou cobrando para que me entendesse, mas que me entenda, acho que você cresceu também e pode entender o que é amor e uma pessoa em busca de sua felicidade. Um olhar de fora se apressará para julgar de tolo, apaixonado, um incurável e concordaria se hoje não soubesse que não fui nada além do era, do que em muitos aspectos ainda sou e assumir o que se é, tem consequências. Estava disposto e aprendi, me orgulho, pois não são muitos que podem dizer isso. Te peço da minha mais profunda sinceridade que entenda, não para que me procures com desculpas, nem muito menos para que possa perdoar-te, teve vítimas, mas não culpados. Eu te peço para que também possa encontrar no passado o que ainda deve ter dentro de si, aquilo que te move, aquilo que jamais deve tirar de sua cabeça não importa a dor que venha no caminho, a felicidade vale cada lágrima. E guarda contigo meu poema, ao menos o vaso das flores, o meu primeiro beijo, lembre do sorriso e não da partida, da noite que passei no seu sofá e não dos anos sem se ver; Guarda e saiba que nesses momentos fui completo, despido de tudo, real. O que você nunca entendeu é que para mim amar nunca foi menor do que isso, e isso merece respeito.
 
Ass: Danilo Mendonça Martinho
 

“Desconcerto Cordial” (22/04/2014)

Desculpe meu amigo
Você não merecia
Não essa palavra menor
Mesmo que com razão
Podia ter evitado
Logo você que sabe
O que é construir um lar
Teu canto é aconchego
É você de todo coração
É que o nosso, é outro
Tem um espaço de pra sempre
Uma vista de se acostumar
Um como para futuro um canto de seriedade
E outro para esquecer-se
Mas acima de tudo
Encontramos sem esperar
Nossa felicidade
Mesmo assim desculpe-me
Nada é motivo de destrato
Todo mundo se incomoda
O amigo é o que não deixa passar
Por isso, desculpas

Ass: Danilo Mendonça Martinho