“Quando” (26/04/2017)

Quando o Sol não vem
Teu sorriso me ilumina o dia
Quando a Chuva não vem
Teu colo esconde minhas lágrimas
Quando o sonho não vem
Teu abraço me sustenta
Quando a coragem não vem
Teu beijo me dá forças
Quando a vontade não vem
Tua palavra me traz esperanças
Quando me falta presença
Tua lembrança me preenche
Quando me falta inspiração
Tua alma me transborda
Quando me falta tempo
Teu amor me traz eternidade
Quando me faltam razões
Tua emoção me impulsiona
Quando me falta sentido
Teus dedos se entrelaçam com os meus
Quando não vem o que me falta
Você me completa

Só não sei o que sou meu bem
Quando você me falta
Quando você não vem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Fra(n)quezas” (15/05/2016)

Um dia uma garota que conheci, e digo garota pois isto era o quão jovem era meu coração nos romances, me disse não, me disse como tantas outras em um silêncio e distância dos quais me escapou de qualquer palavra em um ato covarde de ver uma paixão passar como se fosse uma tempestade lá fora, esperando algum tempo bom. Foi neste silêncio que te conheci, foi na esperança desmedida de ser feliz que te encontrei, não foi a ideia de permanência, mas de me desentrelaçar dos meus conceitos, de liberdade, que abracei o teu beijo e teus braços. Foi a ideia de me permitir, sem procurar as consequências. Confesso que fui ingênuo. Como meu garoto coração ainda o era. Você partiu e com medo que ficasse alimentando nosso momento como algo contínuo, tentei evitar as palavras, tentei me desviar do compromisso, tentei da mesma forma covarde me esconder de um coração que conquistara. Ciente do pecado, ou envolvido na solidão, mergulhei. Pois se alguém que vivia ao meu lado, aos meus abraços, as minhas palavras e sorrisos não me queria…..existia alguém que a milhares de quilômetros, depois de poucos dias, sem saber muito mais do que meu nome e poesia, estava disposta para uma paixão. Mergulhei, e mergulharia de novo. O meu erro foi manter meu plano só para mim. Eu estava ali tentando viver aquela paixão, tentando ser feliz em vez de apenas me lamentar. Existia alguém que me queria e por que não tentar viver o romance? Eu vim a descobrir, que o amor de um lado só não sustenta duas pessoas. Eu juro que quis que fosse minha saída da melancolia, que fosse o caminho para felicidade, para o amor idealizado. Mas não era, simples como foi te encontrar, também te perdia, e me cabia a árdua missão de trazer a tona e a consciência o final daquela história que mergulhei de cabeça, e te levei junto, mas só eu sabia que poderíamos atingir as pedras e não o mar. Terminei de uma maneira que contornasse essa verdade e a falta desta sinceridade veio a me perseguir meses depois quando apareceu na porta de casa, ainda tentando, ainda ligada aquela ilusão que inadvertidamente criei. Fui cruel, fui pequeno, fui vil, como todo dia alguém já foi, mas jamais vão querer admitir. Fui um qualquer, fui um clichê, fui uma emoção arrependida transformada em uma raiva cega e no desespero de encontrar um ponto final. Não espero te encontrar. Não estou pedindo desculpas. Pois hoje meu homem coração está amadurecido, mas foi porque um dia o garoto cometeu os seus erros. Erraria contigo de novo, pois foi bom, embora tudo que tenha feito de ruim, embora toda mágoa, eu aprendi, eu cresci e vivi aquela paixão. Não quero te tirar a tristeza, nem te causar nenhum perdão. Quero na verdade até que me odeie, que me seja indiferente, que trate ao desgosto. Mas que faça pelos motivos certos.
Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Teoria dos nós” (04/05/2015)

Não há exatidão nas palavras
Por isso amar não tem limites
Razões para ser são as mesmas de esquecer
Poderíamos aceitar o que é real
Mas somos a aposta da incerteza
Ser mesmo que chova ou seque
Voltar é mais natural do que seguir
A porta separa o tempo e o espaço
O abraço elimina o antes e o depois
O infinito não se aplica à escolha
Nosso caminho é através da parede
Rumo é encontrar entrada pro coração
Destino é aconchegar paz na alma
Enxergar todo dia os traços do sonho
O universo cabe no olhar
Dos meus fiz nossa morada
Com o sorriso beirando a palavra
Para quem passar ter uma ideia insensata
De como ser feliz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Rei e Rainha” (21/04/2015)

O amor manda?
É absoluto em suas vontades?
Há espaços para questionamentos?
Existe alguma forma de fugir?
E se o amor for ditadura?

Sob seu estado embriagante
O prazer é lei marcial
Verdades caem como chuva
Sintonizados no mesmo canal
O que divide a linha do horizonte?

O aqui tem limites no corpo
A vida não tem uma única face
A plenitude não está no que é sempre
É o que segue mesmo sem ser
O amor reina junto da dor

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Entre a luz e a sombra” (03/03/2015)

Eu gosto da penumbra, enxergar o que está lá fora sem revelar o que há por dentro. Você pode achar estranho um poeta que esconde seus sentimentos, ou você é um daqueles que enxergam as entrelinhas. O segredo das palavras é o mesmo das pessoas, é tudo que não é dito. Na penumbra me escondo para ver se encontro alguma verdade. As outras alternativas são: lhe perguntar e saber, até onde permitir, tua versão pública da verdade; Outra é me expor tentando ganhar sua confiança e você responder com algo que não terei garantia alguma da profundidade; Eu também posso mentir e você, mesmo suscetível e entregue a ilusão, será algo que imagina, mas não sente. É natural que sejamos assim…..deceptivos. Há tanto exposto que hemos de proteger o que permanece íntimo. Então não julgue meu gosto pela penumbra. Eu sinceramente viveria em luz total, mas se é aqui que te encontro livre, é aqui que poderei ser realidade.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Entre o vazio e o completo” (26/02/2015)

Ela me disse que não há verdade no amor
O que era sua vida virou de outra
Sua existência abriu mão do romance
Será tudo menos coração

Depois de uma adolescência de tempo
Os caminhos descarrilaram sem despedida
Desconhecem o passado, como hoje, o futuro
Não se falam, não se vêem, não existem

Os solitários sentem incondicionalmente
Só que pessoas tem condições
Muitos limites são determinados pelo medo
Sobra o ressentimento de um querer impotente

Quando me tiraram a esperança
Eu não soube o que fazer com a espera
Seguir em frente dos sonhos
Foi deixar todo guarda-roupa para trás

Quebraram meu brinquedo de palavras
Aprendi então a abandonar significados
Até o dia que for completo silêncio
Serei então apenas abraço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Voltar” (03/02/2015)

No mais escuro da noite
Entre ruas desertas
Lugares ainda não familiares
Encontro a paz no meu destino
Vou olhar a caixa do correio
Entrar no que construí
Checar todos os cômodos
Lavar os olhos do cansaço
E por fim, os teus braços

Sob as raras estrelas
O silêncio reina sobre os olhares
O onde é comum e diferente
A alegria é particular
E embora as vezes doloroso
É um privilégio voltar

Não saberia viver sem dizer adeus
Que parto com um olhar por mim
Caminho com um coração completo
O mundo pode ser imenso
Mas eu só preciso de um abraço
E estarei em casa

Ass: Danilo Mendonça Martinho