“Condenado” (09/08/2011)

É uma pena
Deflagrar a verdade
Numa única palavra
Amor é uma conseqüência
A qual voltarei
Como se fosse um erro
Inebriado pela promessa
Embebedo minhas páginas
Sem pudores racionais
Despido de consciência
Perco-me na rima
Preso ao universo
Aquém da paixão
Vazio de realidade
Romanceio a esperança
Um sentir em exagero
Deixaram-me rasgar o peito
Disseram que era longe demais
As feridas se multiplicam
Fiz de tudo uma chance
Sem saber que tinha medida
Sobrou-me ser réu
Perpetuar
Crimes de romantismo
Desculpe se me entrego
Fecho os olhos para o mundo
Mas é preciso preencher os espaços
Até que me tomem a palavra
E a solidão cobre minha pena

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Bússola" (12/07/2011)

Não me incomodaria de ser feliz
Mas sabe tanto quanto eu
O teu olhar já não me procura
A tua palavra tenta disfarçar
Jamais movi teu sorriso
Diverte-me essa certeza
Ver no corpo alheio
Sentir na alma distante
Que há outro norte
Não aceitou minha rosa dos ventos
Meu farol segue sem porto
Bom é te ver a salvo
Distante da própria tormenta
O que te move nem disfarça
Você é mais dele do que teu
E qualquer palavra fica sem direção
Incomodaria-me desviar teu caminho

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Amores de metrô” (05/07/2011)

Procuro pelo teu reflexo
Um jogo de sinais
Não posso te entregar o olhar
Aprecio teus trejeitos
Verifico de canto teu rosto
Disfarço buscando o horizonte
Ao retratar teu corpo
Já sei que me repara
Não nego, te admiro
Mas nada além disso
Seriam levianas as palavras
Ousados demais os gestos
Somos então hipótese
Nossa intenção é um talvez
Tento parecer indiferente
Mas o sorriso me desfaz
Observo tua imagem na janela
Reparo seus anelares
Analiso minúcias de teu rosto
Hoje não tenho desculpas
Diluo a presença num sonho
As portas abrem na expectativa
E sempre desce antes de mim
Resta saber:
Será que ela é de olhar para trás.

Ass: Danilo Mendonça Martinho