“Clemência” (10/07/2012)

Deitou-se à sombra da palavra
Silenciado pela noite precoce
Um corpo saciado pela vontade
De alma vendida a ilusão

Era fácil confundir as fuças
Como mentiras e verdades
Repetiu-se como mantra a injúria
Terminou como reza a lamentação

Foi o último respiro de esperança
Calado ao pé da macieira
Pecando em troca de vida
O poeta e a rima

Desistiu pela primeira vez
Caia a última máscara
Sem verso para vestir a realidade
Apagou-se também o horizonte

A noite dormirá em paz
Mas para onde irão os desejos?
O mundo acordará em breve
Sem um único suspiro de amor

Durma de olhos abertos
Rasgue seus últimos escritos
Pinte mais um romance
Para que a lembrança nos leve em frente

Ass: Danilo Mendonça Martinho

3 comentários em ““Clemência” (10/07/2012)

  1. Dani, quando não houver nada, ainda haverá a lembrança…Mas não sei se devemos nos despir de tudo sempre mais, acho que devemos guardar algumas máscaras para ocasiões especiais, acho que não devemos usá-las com intuito de enganar ou ludibriar alguém, mas para nos proteger contra os invasores, contra os ataques de quem não nos valoriza como somos.beijos

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