“O último antes de amanhã” (31/12/2018)

Eu só queria agradecer
Porque a dor não vai costurar
Porque a alegria vai permanecer
Porque seria um esforço explicar

Há tanta coisa que não cabe na palavra
Tempo, amor, vida, sonho
Tudo passou rápido demais
E não vejo a hora de deixar para trás

Não sei dizer o caminho
Mal posso descrever esse fim
Já está tudo em movimento
O amanhã é sempre mais importante

Só resta mesmo espaço para agradecer
Certo e errado, bom ou ruim
Está tudo diluído na história
Na certeza da esperança de ser diferente

Não vale a pena detalhar
Deixemos tudo em suspiros e sorrisos
Não faz diferença reclamar
Viver é tudo sem poder pular

Então um obrigado e chega de passado
Respira fundo e deixa escapar
Seja livre do agora, antes e depois
E entenda, existir é só uma passagem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

 

“Insípido” (02/12/2018)

Este é o gosto do desgosto
Raiva, inconformação, indiferença
O vácuo da emoção
O filme que perdeu a graça
Eu não sei de mais nada
Diferenciar sorriso de lágrima
Acostumar-se a ser vão
Me diz para que
Criar oportunidade
Se tudo acaba em decepção
Me diz porque
Dar volta com a felicidade
Apertar o coração
O fracasso não sai da boca
O corpo se arrasta pelo quarteirão
Não vale o esforço do disfarce
Não faço mais questão
Eu acredito, aceito, concordo
Se tudo que tem é ilusão
Não me sussurre palavras
Nem alimente sonhos enfeitados
Pensei que seria amargo
Mas é um completo vazio
Imutável, inerte….real
Um olhar frio
A desesperança de um final.

Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Contornando” (18/11/2018)

A vida é cheia de limites
Não é mesmo
Os sentimentos no caso
São os contornos da alma
Eu também queria aprender a fugir
Do que se carrega no olhar
Mas no fim só me resta confessar
A esperança não é minha
Essa é a mais nova fronteira
O ímpeto, a coragem, a felicidade
São visitantes que se esgotam
O cansaço que se projeta no corpo
Não se compara com o que esconde a face
Neste oceano que é viver
Ninguém escapa das tempestades
Trancado aqui dentro
O sonho esmaece em um suspiro
A alegria não equilibra o peso
O tempo escorre como se fosse findar
Por que não jogar as âncoras?
Por que não se entregar ao mar?
Mas quem superou os limites
Quem continuou mesmo avisado
Quem amou mesmo sem carinho
Que fez pela primeira vez
Descobriu na insistência
Temos que ser mesmo depois da esperança

Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Desatado” (17/11/2018)

Quero ser leve, como a gota de chuva que nunca chega ao chão. Desfeito em milhares de prismas, construir o arco-íris, abrir mão do sonho, das esperanças e das expectativas. Um vôo pleno, sem me preocupar com depois. Diluído na tempestade, mas único no propósito. Uma vez ser todo, respirar sem passado na garganta, sem lágrima embargada, viver como se fosse acabar. Quero a paz e silêncio deste céu, sorrir….e em um relâmpago esquecer. Só quero sentir a inocência de abraçar a vida sem receios, uma essência no ar, uma verdade sem desvios. Quero mais que o fim, quero a intensidade desta queda e, se ela é livre, por que qualquer outra coisa não seria. 

Ass: Danilo Mendonça Martinho


"32 Estações" (14/11/2018)

Não me entenda mal
Mas sou feito de invernos
Não acompanho o renascer das flores
Mas sim a sobrevivência da chama
Demorei a entender meu propósito
A tudo que escapa os olhos
Tem uma palavra que resiste
Não fique triste
Eu sorrio no meio da chuva
Eu admiro o céu nublado
Eu aqueço a alma quando bate o vento
Sou feliz nos meus silêncios
O outono me prepara
E aqui eu me completo
Nesse mergulho do sentimento
Nesse encontro com a verdade
A realidade sem filtros coloridos
Eu aprendi a paz deste deserto
Eu aprendi o valor destes suspiros
Conheci o amor que não desiste
A perseverança que sempre alcança
A força de um sonho diante a vida
Foram trinta e dois invernos
E eu simplesmente não seria
Se não os fosse por completo


Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Adeuses” (05/11/2018)

Eu vou ter que deixar o teu abraço
O tempo não me esquece
Tudo nessa vida é partida
No fim somos só o que deixamos para trás

Eu choro no teu colo
Na esperança que o abrigo seja eterno
Que possa escancarar toda angústia
Que possa secar essa tristeza
Que encolhido no teu carinho
Não precisasse de um amanhã

O dia partiu meu bem
Mas eu não quero voltar
A única coisa que ainda carrego
É justamente a que quero deixar

Meu sonho já acordou
Meu amor já cresceu
O desejo se transformou
A idade já passou
Acabou a reza e a saudade
O que falta para este adeus?

Nunca achei que ia preferir o fim
Mas essa é a lição da vida
De tudo que dói e de tudo que se ama
Viremos a nos despedir

Ass: Danilo Mendonça Martinho


“Procrastinação” (17/09/2018)

O inconsciente não deixa esquecer
Guarda uma coleção de metades
Antecipo o limite do tempo
Justificando o que não começo
Escolho o sono não o sonho
Exponho minhas opiniões para paredes
Coletivas do time virtual
Entrevistado em talk-show
Explicações para o chefe
Argumentos para contratação
E em uma sombra da realidade
Convencido que o agora não me cabe
Tento acordar nesse dia improvável
Na espera disfarçada de esperança
Escondo todas minhas verdades
Vítima das circunstâncias
E assassino da vontade
É uma luta desesperadora
Imaginar tantos gostos
Até chegar a sorrir no escuro
Enquanto a vida te escapa
Nos pensamentos do futuro
Teu corpo paralisado
Reorganizando ações a cada instante
Os planos todos traçados
Mas nenhum pé no chão
É triste ver tudo de perto
Incapaz de ir além da imaginação
Eu vim ver o fim
Ao menos uma vez
Não contei o meu destino
Não esperei aprovações
Comecei a caminhar
Descansei mais que precisava
Mas segui em frente
Antes que pudesse questionar
Talvez ainda não seja a cura
Mas realizar-se é um começo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Anseio” (13/09/2018)

Seria leviano dizer
Que entendo a avalanche do horizonte
Pois para mim tudo para
A vida se arrasta nos milímetros
Exibindo as brechas nos detalhes
Só que eu leio os olhares
Enxergo as aflições e desesperos
Vejo a necessidade do abraço
Proteger-te dos teus olhos fechados
Que fazem do futuro realidade
Do medo a sua condição
Procure pela minha mão
Por mais que pareça impossível
Por mais que seja incerto
Não acredite nos teus olhos
Não ouça tua razão
Apenas segure firme meu bem
E confie na canção
O horizonte ainda descansa
O amanhã não te alcança
A vida segue mansa
Teu coração a salvo da dor
A tristeza é uma possibilidade
Mas jamais a única verdade
Que carrega um amor


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“O Tempo das Coisas” (02/09/2018)

As coisas não tem idade
Elas vivem da lembrança
Dos laços que criam
Dos momentos que compartilham
Algumas passam de mãe para filha
Outras tantas de irmão para irmão
Elas podem vencer o tempo
Mesmo que mudem nome e utilidade
Sua única ligação é o sentimento
As coisas apenas estão
Algumas, privilegiados monumentos
Outras clipses em documentos
Cartas em uma caixa de sapatos
Guarda-chuvas perdidos no metrô
As vezes parece um trapo velho
Mas carrega todo nosso coração
O que as coisas apenas temem
Talvez como todos nós
É desaparecer na memória
Aos poucos se desfazer no tempo
Perder a consciência de existir
Mas isso não é uma escolha
E mais do que esquecer e lembrar
Precisamos nos preocupar em viver e sentir


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Teoria dos nós” (04/05/2015)

Não há exatidão nas palavras
Por isso amar não tem limites
Razões para ser são as mesmas de esquecer
Poderíamos aceitar o que é real
Mas somos a aposta da incerteza
Ser mesmo que chova ou seque
Voltar é mais natural do que seguir
A porta separa o tempo e o espaço
O abraço elimina o antes e o depois
O infinito não se aplica à escolha
Nosso caminho é através da parede
Rumo é encontrar entrada pro coração
Destino é aconchegar paz na alma
Enxergar todo dia os traços do sonho
O universo cabe no olhar
Dos meus fiz nossa morada
Com o sorriso beirando a palavra
Para quem passar ter uma ideia insensata
De como ser feliz

Ass: Danilo Mendonça Martinho