“Entre nós” (26/01/2015)

Somos nós bem dados
É fácil viver ao seu lado
Como respirar é involuntário
Teus medos são minhas coragens
Minhas dúvidas são tuas certezas
Há algo até no inverso de nós
Não é uma força de atração
Não é o abraço forte e incondicional
Somos um pedaço de natureza
Alguns sorrisos e lágrimas esporádicas
Nos manterão vivos e fortes
Consciente de que minha raiz cresceu
Até te encontrar
Sei onde plantei minha paz
Amor não é simplesmente nó
É a minha mais profunda escolha

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Despertar” (16/01/2015)

Uma vez tímida
A luz vence as frestas da persiana
O calor deste verão
Faz da preguiça matinal algo impossível
Procuro teus olhos
Sempre profundos mas por hora fechados
Minha mente não sabe estar só
Inventarei mil palavras antes que acorde
O cômodo vazio
Tudo ainda está a espera de memórias
Ainda estou acordando
Deste outro lado da vida onde sou nós

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Até o fim” (28/09/2014)

Me sobrou um último pedacinho de papel. Espero que seja o suficiente para nós dois. Estou espremido no canto da cama, sua marca está ao meu lado e sua fotografia me sorri, em breve seremos eu e você, sem precisar fechar os olhos. Me avisaram o quanto pode ser difícil e não acredito que estaremos a salvo das dificuldades. Só digo que não importa, quero viver tudo ao seu lado, das coisas que completam nossa vida aos sentimentos encolhidos em uma sobra de caderno. Nunca sei o que dizer quando um deles acaba, mas toda brecha de palavras é bom preencher com amor. A noite logo me vence. Acho que vou aproveitar para dormir no pé da cama porque de vez em quando é bom. Tem muito mais silêncio nessas madrugadas que não durmo, muito espaço para sonhar. Precisaremos de tempo, eu e você, para ocupar todos aqueles cômodos com nossos planos. No fim ainda sempre cabe e até sobra o suficiente para não conseguirmos parar. Pensei que neste retalho colocaria um amor do tamanho do mundo, mas descobri que somos extremamente simples. Um abraço, um olhar e um sorriso. Um pedacinho de chão sem dono. Um velho bloquinho com a última folha em branco. Não precisamos muito para explicar nosso encontro. A verdade sobre o nosso amor e outros por aí, é que sempre foi assim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho