“Voltar” (03/02/2015)

No mais escuro da noite
Entre ruas desertas
Lugares ainda não familiares
Encontro a paz no meu destino
Vou olhar a caixa do correio
Entrar no que construí
Checar todos os cômodos
Lavar os olhos do cansaço
E por fim, os teus braços

Sob as raras estrelas
O silêncio reina sobre os olhares
O onde é comum e diferente
A alegria é particular
E embora as vezes doloroso
É um privilégio voltar

Não saberia viver sem dizer adeus
Que parto com um olhar por mim
Caminho com um coração completo
O mundo pode ser imenso
Mas eu só preciso de um abraço
E estarei em casa

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Lar” (18/01/2015)

Como se colocar onde se pertence?
Coração tem lugar?
Alma tem casa?
Teu sempre reside atrás de qual porta?

Faz dias que vivo onde nunca vivi
Como, durmo, trabalho e cuido
Olho pela janela e ponho livros nas estantes
Ouço música e faço janta
Minha mudança foi apenas as coisas de lugar
Não me sinto estranho. Não me sinto deslocado
Meu âmago permanece intacto
Você me confessou que sou tua constante
O que faz destes quartos parecerem familiares
Eu descobri que você é minha constante
Que faz de qualquer lugar nessa vida….nosso

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Porto” (20/10/2014)

Foi como chegar de uma viagem sem precisar partir. Descarregar nossas roupas, nossas coisas e nossa vida. Tons de felicidade que não conhecia. Não era simplesmente o sorriso, nem era o abraço, era algo mais interno, completo e pleno, um encontro com o futuro, a sensação de viver um sonho, de ser feliz sem nenhum esforço. Estávamos em casa, pela primeira vez. A noite não era a mesma, as luzes ligadas davam um tom de permanência e ouvia o chuveiro ligado do sofá, via a cidade no horizonte e ajeitava nossos pertences, arrumamos a cama e na penumbra da sala olhava pela janela todos meus próximos dias. Faz alguns dias que não me sinto bem, que desenvolvo um pouco de frustração e melancolia, que a realidade me fatiga e me arrasto, o alívio me era raro. Mas quando chegamos meu coração se encheu de esperança, viu todos motivos para seguir. Guardei na minha alma o lugar que poderei fechar os olhos e lembrar toda vez que precisar fugir. Amor, somos um lar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho