“Partido” (22/01/2015)

Jamais irei embora mãe
Há comigo o que não é genético
O caminho de volta para o amor
Serei em qualquer lugar da vida
Tudo que aprendi ao seu lado

Agora eu sei como levantar paredes
Quero plantar meus sonhos
Quero me responsabilizar por outro coração
Preparar carinhos toda noite
Deitar sempre em paz

Mas não despertenço de nada
Meu futuro fará parte do passado
Seremos eternamente este abraço
Seremos sempre este encontro
E jamais esqueceremos o beijo de boa noite

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Em frente” (22/01/2015)

Quando nos sentimos no passado de nossa própria vida, estagnados, sem perspectivas e temos apenas um emaranhado de sonhos na nossa frente; Sinto-me numa prisão. Não conseguimos fluir, não encontramos vontade, os dias nos são extremamente indiferentes. A única coisa que permanece é a dúvida: Será que podemos fazer mais? O que estamos deixando passar? Qual sinal não soubemos ler?
Só que aqui aprendi uma coisa. A diferença entre o fardo e o incômodo. O fardo cansa, fugimos, precisamos sem querer, fazemos sem precisar. Já o incômodo te move. É o que não conseguimos deixar de lado, o que queremos melhorar, o que queremos ver crescer, o que queremos fazer mais, o que eventualmente pode lhe tirar da cama pela manhã.
Quando todo resto te consome a saída é apenas uma fresta. Mudar pode exigir tudo de você.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Crescer” (29/10/2014)

Sempre queremos mais
Numa busca sem limites pelo melhor de nós
Uma pressão diária e sufocante
Até que um dia nos vemos no deserto
Sem saber exatamente o que já somos
Longe de tudo que sonhamos ser
Sem uma real perspectiva de propósito
O constante sentimento de se sentir insuficiente

Nossos próprios sonhos podem nos diminuir
Fazer com que deixemos de nos reconhecer
Cada erro parece um desvio sem volta
Todo dia, sem saber exatamente o quê, algo nos vence
E nem mesmo o papel de vítima nos serve
Um desgosto por se ver fraco
Incapaz de lutar contra a própria inércia
O mundo pode ser devastador
Mas a falta da força de vontade mata

É preciso parar diante o espelho por dias
Separar o que é, de tudo que pretende ser
Reencontrar dentro de si o caminho e não a fuga
Algo que nos recorde o quanto já somos felizes
Entender que certas coisas apenas nos rodeiam
E que tantas outras são as que nos tornam completo
Querer mais não significa que já não temos tudo que precisamos
Somos do tamanho da vida

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Acomodação de Alma” (21/10/2014)

Recosto minha cabeça na parede enquanto espero
Perco meu olhar de tudo que acontece em minha volta
Deixo escapar sem remorso os minutos que faltam no dia
Lá se vai mais um passageiro que quase não se conta
Há uma impressão de estagnação neste agora
Talvez seja a falta dentro de si de um sonho concreto
Só que é normal passar por lugares não familiares
Locais onde aprendemos, mas jamais ficamos
O corpo tem sentimento, e sentimento tem lar
Todos nós sabemos quando estamos em casa
Tudo para mim neste momento é extremamente normal
O suspiro que alivia a insatisfação que faz parte
A esperança de que a mudança esteja sempre na próxima esquina
A compreensão que a vida tem um tempo, geralmente, bem certo
Por um milésimo de segundo o metrô cruza a ponte
O olhar desconexo cabisbaixo vê a chuva refletida no asfalto
O coração voluntário reage e me escapa um sorriso
Uma certeza sem razão que tudo vai ficar bem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Até o fim” (28/09/2014)

Me sobrou um último pedacinho de papel. Espero que seja o suficiente para nós dois. Estou espremido no canto da cama, sua marca está ao meu lado e sua fotografia me sorri, em breve seremos eu e você, sem precisar fechar os olhos. Me avisaram o quanto pode ser difícil e não acredito que estaremos a salvo das dificuldades. Só digo que não importa, quero viver tudo ao seu lado, das coisas que completam nossa vida aos sentimentos encolhidos em uma sobra de caderno. Nunca sei o que dizer quando um deles acaba, mas toda brecha de palavras é bom preencher com amor. A noite logo me vence. Acho que vou aproveitar para dormir no pé da cama porque de vez em quando é bom. Tem muito mais silêncio nessas madrugadas que não durmo, muito espaço para sonhar. Precisaremos de tempo, eu e você, para ocupar todos aqueles cômodos com nossos planos. No fim ainda sempre cabe e até sobra o suficiente para não conseguirmos parar. Pensei que neste retalho colocaria um amor do tamanho do mundo, mas descobri que somos extremamente simples. Um abraço, um olhar e um sorriso. Um pedacinho de chão sem dono. Um velho bloquinho com a última folha em branco. Não precisamos muito para explicar nosso encontro. A verdade sobre o nosso amor e outros por aí, é que sempre foi assim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Antigas ilusões” (17/10/2014)

Já não me importa o sentido que vai seguir o trem
Teu rosto recostado contra o vidro será desconhecido
Meu destino tem outros caminhos agora
Onde a descoberta já não está do lado de fora
Belezas me passarão os olhos como paisagem
Abraços e beijos me são apenas lembranças
Meu coração sabe, pela primeira vez, para onde voltar
A felicidade só precisa de uma vez
Será por dentro de nossas almas que construiremos
Nossos olhos, corpos e gestos fizeram sua parte
Seremos agora um para o outro
Há tanto espaço quando se juntam vidas
Setenta e dois metros quadrados de sonhos
E cinco janelas para o horizonte
Pelo menos aqui não preciso de mais nada
Quem diria que quando pegava outro vagão
Diferente das mulheres que me chamavam atenção
Sempre estava no lugar certo

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Perspectiva” (10/10/2014)

Tua esperança é genuína
Muitos só esperam por esperar
Porque é certo sonhar com algo melhor
Revoltar-se pareceu um sinal de consciência
Mas as pessoas só querem mudar os outros

Só que você, mesmo vendo nos olhos do futuro
Acredita que tudo ainda vale a pena
Uma alma que se eduque é um bem para vida
O valor de si você vê no sucesso do outro
Pessoas que na medida certa podem mudar o mundo

Na tua paisagem há um Sol nascendo
Sob um povo de posse de um novo ideal
O sorriso de uma inocência renovada
A esperança que só nasce nas grandes almas
O mundo podia ser mais vezes pelos teus olhos

Ass: Danilo Mendonça Martinho