“Sem Saber” (09/05/2009)

O céu as vezes me parece um capricho
Enfeitado de um véu branco
Cada vez mais espesso próximo de sua origem.
A estrela está imponente hoje
Não há quem venha refutar
Eu mesmo continuei em frente.
Espiei para trás com toda prudência.
Reparou-me por certo.
Diariamente testando limites,
Entre esse concreto e o infinito azul.
Hoje digno de exposição.
Quem vai assinar este?

Constato mais uma vez
A razão não é minha
Desta vez de um amigo
Não importa meus passos firmes
Minha mente decidida
Invariavelmente o que vejo
O inconsciente toma partido,
Antes de qualquer reação.

Odiaria ser só mais um
Mas é complicado ser livre
Transparecer teus princípios
Viver tuas verdades,
Abraçar teus sonhos.
É preciso muita concentração
E a distração suficiente
Para uma invariável inconsciente.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Tudo que tenho” (03/05/2009)

Sábio foi meu amigo a ponderar:
O Amanhã está longe demais
Eu mal recordava disto
Dias que duram semanas
Esta dor aguda prolongada
As horas me pareceram um deserto
Eu sem muitas forças para lutar
Instalei-me neste inferno
Mais hora menos hora descanso
Um sonho me leva daqui

Mas a promessa do amanhã
Esta é de alto risco
Algumas vezes incalculáveis
Não posso por no papel
Nenhuma dessas palavras
Não posso subtrair significados
Não posso somar sentimentos
Se amanhã permanecer promessa
Saberei que simplesmente perdi

Mesmo assim não reajo
Não é medo do passo em falso
Apenas decidi que não quero
Precipício abaixo já conheço
Hoje almoço o cru e concreto
Não alimento esperanças
Quero apenas respirar
Se lhe parecer muito pouco
Tente tirar meu fôlego

Ainda consciente quero lhe falar
Esta areia que escorre entre os dedos
Isto é o mais concreto que tenho
Isto é tudo que é real agora
Não há miragem suficiente
Nada que possa me dizer
Nada que possa abraçar

Insensato sou eu a esperar
Mas na impossibilidade do real
Tenho que sobreviver o dia
Se for necessário uma verdade
Que você não existe meu amor
Que não exista então
Nem hoje, nem amanhã!

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Vil” (26/04/2009)

Nos meus braços
Ao alcance de uma sutileza.
Insinuações desesperadas
Mas ignorei com crueldade
Tudo parecia bom…
Não seria verdadeiro.

O que fazer, como reagir?
Tem jeito certo para acordar alguém?
E se ela não sair deste sonho?
E se tiver que cair da cama?
Este chão é frio
Esta realidade o pesadelo,
Mas cumpri o papel
O diretor me apontou vilão.

Esqueci algumas rimas
Adiantei algumas deixas
Dei as costas e sai
O ato final não era meu.
Ao longe ouvi o choro
Distante senti a angústia
Na escuridão apertei o peito
Fechei o quarto vazio.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Em tempo" (21/04/2009)

É muito tarde para poesias
O dia já vai amanhecer
As estrelas cadentes vão deixar de cair
Restará aos nossos corpos poucas opções
Por isso, neste capricho da noite,
Nesta penumbra que se forma
Diga-me suas palavras sinceras
Tente ao máximo ser direta
Prometo não desviar atenção,
Prometo completo silêncio,
Ouvidos exclusivos ao seu discurso
Prometo um olhar devoto
Reações proporcionais
Mas não me deixe apenas esperando
Desfrute o melhor do seu tempo
Não economize nas verdades
Não evite suas neuras
Transpareça enquanto és invisível

Quem sabe então…
Tudo que somos hoje desaparecerá
Junto das estrelas mergulhadas no céu azul
Quem sabe então…
Nos tornamos uma breve inspiração do amanhã.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Castelo" (21/04/2009)

Minha vida já nasceu aqui,
Cercada de muros, grades e corpos.
Faz algum tempo que não vejo uma brecha,
Que não admiro um pouco da liberdade
Imagino a sorte de quem alcança as masmorras
Eles ao menos, julgados ou não, enxergam além.
Mas minha alma empobrece nessa visão unidimensional.

Se ainda chovesse todos os dias
Quem sabe os fortes não resistiriam.
Mas luto esta guerra sozinho
Tentando escapar do único e do unânime.
A proteção por preço de liberdade.
Ficaria impressionado com as barganhas
Pelo que se vende nessas ruas.
Ficaria entristecido se soubesse o que perdeu valor.

Mas nenhum nobre Rei desceu de seu trono.
Estamos a mercê de leis mutáveis,
Fidelidades compráveis, integridades questionáveis.
A realidade desta cidade emparedada e sufocada.
Essas ruas infestadas de ratos
Diariamente deixando suas casas
Todos atrás de um pedaço do queijo.
Propósitos vazios, desejos encurralados.
Noticias que se repetem em preto e branco.
Verdades que já não são manchetes.
Sinto por aqueles que não olharam uma vez para o céu
Imaginaram transpor essas fronteiras.
Sinto por aqueles que não quiseram sem porquês.

Choro e sangro ao me debater contra os tijolos
O mundo me cercou de pecados
Culpado, não estranho estar preso.
Estas linhas meramente esboçadas
Limites e conceitos puramente imaginários
Continuam a perturbar meus sentidos
Enquanto ainda tento desenhar
Algo real o suficiente para viver.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Realidade Paralela” (20/04/2009)

Distraído me embriagava
Uma bela imagem de um horizonte
Duas sombras despreocupadas em simbiose completa
Felizmente me enganava com o diálogo perfeito
Considerava até a ausência das palavras
Presumia uma simples sensação como necessária.

Perdi-me entre lindos absurdos
Requisitei uma nova vida para amanhã
Bastaria mais um giro
Uma fresta que fosse.
Sorri extasiado pelo que não tinha,
Mas sentia na ponta dos dedos
Algo que obviamente não soube manter.
Algo na minha alma que me reconheceu
Tornou-me um pedaço mais completo.
Respirei mais fundo o ar que me faltava,
e a vida preencheu algum canto vazio.

Mas logo senti o banco de plástico
Notei o chão de ferro
Ouvi o papo furado
Vi a noite sem estrelas
Acordei…e não era um sonho meu.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Adeus" (08/04/2009)

Minhas últimas memórias tinham um tom de melancolia
Como quem falava do que nunca se teve
Breves arrependimentos
Tragédias puramente pessoais

Minhas últimas palavras foram jogadas a uma multidão [indiferente
Sufocaram-se sem audiência
Assassinadas aos olhares alheios
Os argumentos bateram em retirada
Não valia a pena mais nenhuma nova discussão
Um olhar que finalmente se irritou
Uma alma que se afastou e guardou bem suas verdades.

Fora nos últimos suspiros que me libertei
Palavras acumuladas na história
algumas já vazias e pela metade
Um armário colocado a baixo
Papéis queimados que tomavam o ar de todo ambiente
A nocividade pesava, espessa a ponto de se enxergar
Só não pude prever que não sobreviveria
Entre todas as mentiras
Todas verdades evitadas
Todos gestos não feitos
Não sabia que estava aqui entre meus erros
Não sabia que tinha sido tão simples assim
Não foram as melhores frases para se guardar.

Nos últimos momentos
Levo comigo todas as lembranças
Nos meus olhos levo uma última história
e um fim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Clamo" (15/04/2009)

Manifesto-me com suave impressão…
Olhos famintos me esperam
Ávidos de emoções
Uma declaração comedida
Leves palavras amorosas
Proclamariam-se satisfeitos

Escrevo à beira de expectativas
Debato como completar
Debuto alguns sentimentos
Ações expandem-se
Quero gritar ao mundo
Quero presenciar ao sonho
Quero tanger à tua pele

Ainda ecôo
Não cruzas meus caminhos
Esquiva-se elegantemente

Tudo em essência seriam versos
Arrisco dizer: indignos
Sinto que mereça o mundo
Mereça teus ouvidos,
Mereça contar um romance,
Sinto que demandam mais.

A recusa de se transcrever,
Também é minha recusa
Este gracioso abraço;
este delicado segurar de mão;
este beijo excitante;
este breve desejo que permeia meus dias
Não permitirei que carreguem o fardo
Das páginas amareladas de meu caderno

Deixo este tribunal por desacato
Não defenderei minha causa
Aqui, argumentos seriam em vão
Não preciso lhe traduzir
Esta, a única razão do meu silêncio
Faz parte de toda bravura
Depois lhe escrevo em uma memória
Mas enquanto permanecer sonho
Não posso…

Se dormisse ao meu lado
Fechariam-se nossos olhos…
Não devo!
A madrugada já é despedida
O Sol levanta-se em breve
Pretendo vislumbrar no horizonte
E sussurrar ao pé do ouvido:
…Hoje, lhe declamo.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Dash…."(29/03/2008)

O nome ficou incompleto
Durante horas aguardou oculto
Pedia uma conversa corriqueira
Esperava uma palavra amiga
Mas ficou no silêncio
Enquanto brincavam lá fora
Ouviu algumas risadas
Poesias jogadas ao vento
Viu uma inércia impregnada
Nos olhos já sem rumo
Sentiu a mente escapando
Uma fuga da realidade
Assistiu noite adentro
Quem negava-se a ver
Quem martirizava sem razão
Um corpo cansado
Que abria janelas
Sem saber o que buscava
Escondendo o horizonte

Ali permaneceram as letras
Caprichosamente pela metade
Uma intenção sem conclusão
Uma proposta instigante
Uma prévia do que viria
Algo a ser deduzido anos daqui

Quando se deparou com a meia palavra
Lembrou da efêmera idéia
Tudo pareceu distante demais
Singelamente sorriu e se retirou
Como cavalheiro agradeceu
Não lhe pesou deixar para depois
Fechou os olhos e tranqüilamente
Dormiu sem saber

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Perspectiva" (29/03/2009)

Quando os olhos saíram da escuridão
O Sol já aguardava entre nuvens
Uma luz inconveniente na janela do trem
Uma verdade que atravessava
Uma alma em transparência
Tentando desaparecer
Em próprios desesperos
Um corpo que já não refletia
Uma noite vagando durante o dia.
Caminhava passos espaçados e ritmados
Alguma canção triste que a mente entoava.
Desistia em cada suspiro.
Os sorrisos eram mais alguns lamentos
Transpunham aquela face desgastada
Insistentemente iluminada.
Uma sombra que não se formava
Um ódio do que sentia
Um amor que amargurava
Uma vida que passeava vazia.

Quando os olhos saíram atravessados
O Sol já desaparecia entre nuvens
Uma luz transparente na janela do trem
Uma verdade inconveniente
Uma alma na escuridão
Tentando enxergar
Nos próprios reflexos
Um corpo já desgastado
Uma noite suspirando durante o dia
Caminhava passos vazios
Alguma canção triste que a mente formava
Desistia a cada desespero
Os sorrisos eram mais amargos
Transpunham aquela face vacante
Insistentemente reconhecida
Uma sombra mal projetada
Um ódio lamentável
Um amor sem ritmo
Uma vida que passeava sentida

Quando os olhos saíram iluminados
O Sol já transparecia entre nuvens
Uma luz atravessava a janela do trem
Uma verdade desgastada
Uma alma que refletia
Tentando se formar
Em seu próprio ritmo
Um corpo que já não sentia
Uma noite lamentando não ser dia
Caminhava passos vagos
Alguma canção triste que desaparecia
Desistia de suas amarguras
Os sorrisos eram mais espaçosos
Transpunham aquela face reconhecida
Insistentemente esquecida
Uma sombra na escuridão
Um ódio sem propósito
Um amor desproporcional
Uma vida que passeava sem destino

Quando os olhos apareceram vazios
O Sol já amargurava entre nuvens
Uma luz sentida na janela do trem
Uma verdade que não se formava
Uma alma iluminada
Tentando desgastar
Em próprios lamentos
Um corpo que apenas suspirava
Uma noite entoada durante o dia.
Caminhava passos espaçados e ritmados
Alguma canção triste que vagava na mente.
Desistia em cada reflexo.
Os sorrisos eram mais algum desespero
Transpunham aquela face que desaparecia
Insistentemente transparente.
Uma sombra que atravessava
Um ódio inconveniente
Um amor que aguardava
Uma vida que passeava na escuridão.

Ass: Danilo Mendonça Martinho