Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Completos” (29/01/2013)
O vazio da perda jamais se completa
Os olhares que virão a sorrir tristes
Fiel a ideia que a vida virou um fardo
Há quem faça sua paz com a dor
Mas e a dor que não é anunciada?
“Por que” pode ser uma busca para vida toda
Perder-se é uma escolha, mas não uma troca
Punir-se é ser dor para sempre
A morte dos nossos próximos
Parece não deixar saída para quem fica
Agora, o mundo a nossa volta não nos deixa
A existência não perde sentido
Sabemos que jamais cessaremos o choro
A alma não foi feita para andar vazia
Mas podemos enchê-la de vida mais uma vez
Há tantos sonhos, alegrias e desejos
Para serem feitos no nome de quem se foi
Há ainda uma vida que pulsa em nós
A qual não nos deixariam abandonar
Há dor, mas há todo amor da vida que aqui esteve
Ninguém merece uma perda
Mas todos merecem ficar em paz
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Próximo” (28/01/2013)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Avós” (22/01/2013)
Não é que a vida deixe de se criar
Ou que nós abandonamos nossos passos
Mas um dia a lembrança simplesmente invade
E todo agora se completa com uma história
Aquela estrada que ainda não existia
A noite mais fria da vida
Diversão tinha outras cores
Que os jovens de hoje não enxergam
Não há lugar que o passado não entre
A nostalgia vira companhia da rotina
Não sei se para suportar a realidade
Ou para adornar os dias
Perdido nas palavras eu sorrio
Há uma alma cheia de lugares na minha frente
A esperança de preencher a minha
Que amanhã eu tenha o que contar
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Descanso” (16/01/2013)
O sol sempre nasce
A natureza sempre respira
Mas nosso olhar divaga
Se perde na distração da rotina
O tempo nos pede outras coisas
Contemplar a vida permanece na lista
Mais esquecido do que lembrado
Tem uma cadeira vazia na beira da praia
Tem um banco esperando na varanda
Tem uma rede balançando em ócio
Há tanta paz nas frestas do mundo
Nós aqui sem ao menos desviar o caminho
Ninguém precisa de permissão para parar
Faça sempre que precisar
É a alma que sustenta o corpo
É a imensidão da vida que alimenta a alma
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Forças” (08/01/2012)
Há quem viva na beira do caminho
O mar carregou, mas insistiu
Ninguém volta sem marcas
A cicatriz nos diferencia tanto
É difícil aceitar sem reconhecer
Mas não há mão estendida
O estranho deve saber seu lugar
Toda essa luta para voltar
Não há espaço para pedir socorro
Existe caminho sem volta
A escolha será sempre do outro
Isso não nos faz isentos
Expulsamos tudo que é diferente
Evitamos o desconhecido
Como se um fosse fazer tudo ruim
Mas o todo não pudesse fazer desse um, bom
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Fortaleza” (07/01/2012)
É estranho defender a si
Parecemos utópicos
Contrariando por simples despeito
O diferente, o alternativo
Amaldiçoado a se arrepender
Segregado por uma escolha
Como é difícil perseguir um sonho
Ninguém quer se ver só
Se preciso destrói horizontes
Tudo por sua causa mesmo que perdida
O querer não sobrevive fora da alma
Precisa do coração certo
E de uma força desconhecida
Pois a oposição pode ser todo resto
Caminhos não faltam
A felicidade reside com nossa escolha
Cada vida tem o que a completa
A maré sempre levará alguns
Meu norte só faz sentido para mim
Por isso defendê-lo
Não há quem vá lutar por você
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Rumo ao Futuro” (02/01/2013)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Não sei se é Natal” (26/12/2012)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Terciário” (10/12/2012)
O mundo há de ter outro dono
Um que não nos assemelhe
Este lugar não tem nada de nosso
O poder é invenção humana
Para generalizar verdades particulares
A ideia é esvaziar o indivíduo
Fazer da vida descartável
Assim a consciência não cobra
Os olhos preferem não ver
O que o coração sente
Entristece as inúmeras faces da miséria
Mas o que mata não é a mão que estende
É o corpo desprovido de escrúpulos
Aqueles de posse da fábula do poder
Escolhem deixar o povo na sua escuridão
Ass: Danilo Mendonça Martinho