“Entre a luz e a sombra” (03/03/2015)

Eu gosto da penumbra, enxergar o que está lá fora sem revelar o que há por dentro. Você pode achar estranho um poeta que esconde seus sentimentos, ou você é um daqueles que enxergam as entrelinhas. O segredo das palavras é o mesmo das pessoas, é tudo que não é dito. Na penumbra me escondo para ver se encontro alguma verdade. As outras alternativas são: lhe perguntar e saber, até onde permitir, tua versão pública da verdade; Outra é me expor tentando ganhar sua confiança e você responder com algo que não terei garantia alguma da profundidade; Eu também posso mentir e você, mesmo suscetível e entregue a ilusão, será algo que imagina, mas não sente. É natural que sejamos assim…..deceptivos. Há tanto exposto que hemos de proteger o que permanece íntimo. Então não julgue meu gosto pela penumbra. Eu sinceramente viveria em luz total, mas se é aqui que te encontro livre, é aqui que poderei ser realidade.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Agenda” (28/02/2015)

Não consigo evitar de ver a chuva caindo lá fora
A cada lembrança do que preciso um raio me ataca
E permaneço inerte tentando achar o que mudou
Quando toda essa alma virou um fardo
Minha razão grita por uma liberdade que desconhece
O vento que passa é o vento que sopra…..sem resposta
Sinto que quero negligenciar minha vida por completo
Deixar de ser tantos para ser nenhum
O ônibus que passa e volta…..e se deixa levar
Querer me impõe escolhas que não me cabem
Sou insuficiente de vontade para ser o tempo todo
A decepção cotidiana do espelho me destrói
Não há um passo nessa vida que eu posso planejar
É necessário ignorar o que preciso para me distrair
Ou ignorar o que eu quero pelo que preciso
Abandonar minha liberdade para controlar o que faço
Chuva, quem te manda cair?
Vai acabar o dia e deixarei alguma parte de mim de lado
Quero seguir naturalmente como suas águas
Aceitar a cada segundo sem saber do próximo
Um querer sem planos, um relógio sem pressa
Para que nenhum final de dia eventualmente me mate

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Entre o vazio e o completo” (26/02/2015)

Ela me disse que não há verdade no amor
O que era sua vida virou de outra
Sua existência abriu mão do romance
Será tudo menos coração

Depois de uma adolescência de tempo
Os caminhos descarrilaram sem despedida
Desconhecem o passado, como hoje, o futuro
Não se falam, não se vêem, não existem

Os solitários sentem incondicionalmente
Só que pessoas tem condições
Muitos limites são determinados pelo medo
Sobra o ressentimento de um querer impotente

Quando me tiraram a esperança
Eu não soube o que fazer com a espera
Seguir em frente dos sonhos
Foi deixar todo guarda-roupa para trás

Quebraram meu brinquedo de palavras
Aprendi então a abandonar significados
Até o dia que for completo silêncio
Serei então apenas abraço

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Substantivo” (21/02/2015)

Há tanto que a palavra jamais dirá
Não é uma simples questão de vocabulário
Nos limitam todos significados
E minha gratidão não passa de obrigado

Há tanto que não cabe dentro de mim
Um tanto que permanece em silêncio
Nem mesmo as almas mais interessadas
Decifram meus olhares perdidos

Há um mundo inteiro calado
Que tenta se resolver em beijos e abraços
Que não encontra resenha do tamanho da vida
Inerte, imenso, invisível

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Uma árvore a favor do vento” (19/02/2015)

Mais um Sol que nasce
Qual a certeza de que não somos os mesmos?
A distância até o horizonte é ilusão de ótica
Nossa percepção constrói diversas verdades
Nós só tentamos acertar para onde

Nascem ainda mais dúvidas
Protegemos a esperança de um dia melhor
As certezas se extinguem nos segundos
Já é difícil saber o que se quer
O que dirá prever o que será do entardecer
No fim, vontades, são apenas vontades

Acordo na espera de um sinal
Para poder me agarrar em algum sonho
A realidade nem sempre acompanha alma
A vida precisa de um tempo
Até que o vento mude de direção

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Tênue” (15/02/2015)

Talvez tudo esteja perdido para quem ama
O mundo ficou distante da alma
As palavras viraram conveniência
E o coração está apenas em segundo plano

Talvez tudo esteja perdido para quem sonha
Sugerir novas ideias se tornou um incômodo
Colocaram um preço no seu querer
Brocharam teus desejos com o impossível

Talvez tudo esteja perdido para quem acredita
O próximo se vê como único
Tantos outros se encontram sozinhos
E todos esperam, mas já sem esperança

Talvez tudo esteja perdido
Mais causas do que queremos admitir
Mas isso não significa que não se deve lutar por elas
Pode ser a maior coisa que fizemos nesta vida.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Puro" (07/02/2015)

O que há de mais sincero em ti?
O que sem sombra de dúvidas é livre?
O que você pede quando tem a oportunidade?

Não podemos ter medo de querer
Não devemos duvidar da nossa grandeza
Não há nada mais forte que a verdade

Se pela manhã apoio os pés sobre o que acredito
Se pela noite apoio a cabeça sobre o que conquistei
Se meu sorriso encontra nos sonhos felicidade
Sei ao menos para onde ir

Desconheço meu lado mais sincero
Desconheço a liberdade da minha alma
Desconheço a certeza sobre o que quero
Só conheço a palavra e recuso a me calar  

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Voltar” (03/02/2015)

No mais escuro da noite
Entre ruas desertas
Lugares ainda não familiares
Encontro a paz no meu destino
Vou olhar a caixa do correio
Entrar no que construí
Checar todos os cômodos
Lavar os olhos do cansaço
E por fim, os teus braços

Sob as raras estrelas
O silêncio reina sobre os olhares
O onde é comum e diferente
A alegria é particular
E embora as vezes doloroso
É um privilégio voltar

Não saberia viver sem dizer adeus
Que parto com um olhar por mim
Caminho com um coração completo
O mundo pode ser imenso
Mas eu só preciso de um abraço
E estarei em casa

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Entre nós” (26/01/2015)

Somos nós bem dados
É fácil viver ao seu lado
Como respirar é involuntário
Teus medos são minhas coragens
Minhas dúvidas são tuas certezas
Há algo até no inverso de nós
Não é uma força de atração
Não é o abraço forte e incondicional
Somos um pedaço de natureza
Alguns sorrisos e lágrimas esporádicas
Nos manterão vivos e fortes
Consciente de que minha raiz cresceu
Até te encontrar
Sei onde plantei minha paz
Amor não é simplesmente nó
É a minha mais profunda escolha

Ass: Danilo Mendonça Martinho