“Cansado de querer” (31/01/2015)

Vem sonho, me acorda pelo amor de Deus!
Deixa sentir este amanhã interminável
Que tudo possa ser daqui para frente
Que o fechar dos olhos não seja apenas ilusão

Vamos lá sonho, me acorda e aponta o caminho
Diferencie tudo que posso do que sou
Faça de toda espera este único sorriso
Dê para todo dia o nosso sentido

Por favor sonho, me acorda mas não me enlouqueça
Não faça da noite passada apenas esperança
Não peço certezas apenas um sinal
Conte pelo menos alguma verdade

Sonho, me acorda ou me esqueça
Para que tanto futuro sem realidade
Para que tanta paixão sem palavra
Para que tanto você, se há limites

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Percepção”

Os olhos jamais enganam a alma
Enxergar é sentimental
O querer constrói a realidade
Na penumbra da madrugada tudo que vê
É tão verdade quanto tudo que ignora
A vida não é explícita
Nem são cartas marcadas
O dever obscurece o desejo
Para razão crer é preciso tocar
E embora ela controle o corpo
O coração controla todo resto
Não duvide de seus olhos
Eles podem ser os únicos a saberem a direção

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“De ontem pra hoje” (10/05/2015)

Como encontrar o homem dentro de si?
Quais feições no rosto me entregam?
O que será que o consciente prefere ignorar?
Crescer muda aparências, mas e o espírito?

Não há mais promessas veladas
A responsabilidade é uma escolha
Fugir é só correr em qualquer direção
Só que não há caminhos pro passado

É preciso cumprir uma parte de nós
Para que alguma outra seja livre
Amadurecer lembra um processo natural
Mas desconheço ser humano que se possa colher

Decidi passar os dias diante o espelho
Encontrar o que mudou sem me levar
A alma é mais transparente que o corpo
Sentir é o mais sólido que se pode chegar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Teoria dos nós” (04/05/2015)

Não há exatidão nas palavras
Por isso amar não tem limites
Razões para ser são as mesmas de esquecer
Poderíamos aceitar o que é real
Mas somos a aposta da incerteza
Ser mesmo que chova ou seque
Voltar é mais natural do que seguir
A porta separa o tempo e o espaço
O abraço elimina o antes e o depois
O infinito não se aplica à escolha
Nosso caminho é através da parede
Rumo é encontrar entrada pro coração
Destino é aconchegar paz na alma
Enxergar todo dia os traços do sonho
O universo cabe no olhar
Dos meus fiz nossa morada
Com o sorriso beirando a palavra
Para quem passar ter uma ideia insensata
De como ser feliz

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Por trás da alma” (28/04/2015)

Há um solitário dentro de nós. Não sorri, não decide. Um silêncio preenchido de palavras. Verdades escondidas. Quem é que te amedronta mais do que o que pensam de você. Só há uma pessoa que sabe até onde é real e a ignoramos com toda força. Viver em meio de tantos sem trazer nada para si é uma viagem tranquila, não se compra brigas nem problemas, não se faz amizade nem amor. Seguir é extremamente fácil quando não há nada que te importe abrir mão. O resto do dia longe dos espelhos dos olhos que te despem se torna um grande palco. Somos a sociedade do parecer, satisfeitos em ouvir o que queríamos. O quanto te corrói fazer o que não é? Tuas olheiras, tua constante aflição, o medo de que tudo volte a desmoronar. Teu pessimismo é uma cicatriz no rosto, incapaz de esquecer. Enquanto isso, no íntimo de nós, permanece sozinho, sincero e livre, a parte de nós que por algum motivo preferimos esquecer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Rei e Rainha” (21/04/2015)

O amor manda?
É absoluto em suas vontades?
Há espaços para questionamentos?
Existe alguma forma de fugir?
E se o amor for ditadura?

Sob seu estado embriagante
O prazer é lei marcial
Verdades caem como chuva
Sintonizados no mesmo canal
O que divide a linha do horizonte?

O aqui tem limites no corpo
A vida não tem uma única face
A plenitude não está no que é sempre
É o que segue mesmo sem ser
O amor reina junto da dor

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Encontrar-ser” (09/04/2015)

Não me resta ser poeta
É tudo que sou antes de ser resto
Nem sempre fazemos o que somos
Fazemos de nosso todo uma parte
Pedaços espalhados pela sala de estar
O espelho ignora o que não esconde
A fé cega no que podemos ser
Não enxerga o que já não sou
A palavra procura rima
A vida procura seguir
Ninguém está pronto para ser todo
Só que não há nada que me resta

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Linhas imaginárias” (03/04/2015)

O meio do caminho
Não é metade do que sou
O que era deixei quando parti
O que quero não me pertence
Estou vazio e estar também se sente
O temporário é finito e indeterminado
Até quando não poderei vestir o que sou?
Até quando terei que estar o que sinto?
Se é meio, falta tudo que já caminhei?
Meio não é metade
É uma palavra perdida no nada
O onde é apenas um qualquer
Indiferentes somos infinitamente comuns
Na ausência do que sou quem toma a decisão?
Não ter lugar é o mesmo que não se reconhecer?
As escolhas nos fazem únicos
Pois o que me trouxe até aqui, destino ou direção?
O caminho não é um limite
Cruzamos as fronteiras das incertezas
Traçar sonhos expande a alma
Mudança não tem norte apenas desejo
Se em algum momento me deixei para trás
Foi porque amava algo o suficiente para me levar adiante
O momento que deixei de ser, deixei de estar
O meio é uma ilusão, estamos à margem….
Ou na correnteza tentando seguir o coração.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Edição de outono” (19/03/2015)

Imprimo-me seco
Na maior variedade de marrons que achei
Estalo a cada passo
Ajeitando minhas entranhas com o vento uivoso
Forro meu chão
Papéis picados e esquecidas cartas de amor
Tiro meu véu
E sobra apenas o azul, da esperança ao desespero
Acalmo a vida
Comigo há de não ter pressa o amanhã
No espelho amarelado
Reflito sobre tudo que leva até aqui
Visto outra estação
Para ver se me sirvo e descubro como seguir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Simples” (17/03/2015)

Que o dia passe
Mas não me traga esperanças
Apenas me leve
Como folha de outono libertada
Que a vida preencha
Os passos os quais não sei seguir
Me conceda um sinal
Para que o horizonte não seja infinito
Que me tome pela mão
As palavras que não devia abandonar
Nas noites frias
Quero apenas um cobertor sem sonhos
Dormir com o peso do corpo
Deixar a alma ir para onde quiser
Que seja feliz
Acabar com a busca sem propósito
Hoje sou pleno
Amanhã poderei ser tudo
Natural é ser livre
Cair no outono….renascer numa primavera qualquer

Ass: Danilo Mendonça Martinho