Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Fadiga” (06/07/2018)
Algumas vezes cansa
Dá vontade de não querer
Deixar a correnteza levar
Usar a mente para esquecer
Decidir que tudo tanto faz
Ser comum a ponto de se perder
Largar o corpo no sofá
Se imaginar nos heróis da TV
Deixar a louça para amanhã
Ficar de pijama até feder
Pedir comida para entregar
Dormir quando te lembram o que fazer
Sentir o coração amargurar
Assistir o amor se desfazer
No infinito de um tempo não se preocupar
A liberdade de não reconhecer
Será que inertes o suficiente
Diminuídos e encolhidos
No escuro de um quarto
Escapamos de algo?
Estaremos protegidos de quê?
É que algumas vezes, simplesmente cansa
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Continuum” (06/07/2017)
Fim de semana
Fim de ano
Fim de namoro
Para que tanto fim numa vida só?
Para que nos despedaçar pelo caminho?
Viver não é fácil tomando as atitudes certas
Ainda arranjamos todos estes conceitos
De tempo, dor e alívio
Ficamos aqui desmentindo verdades
Para que tantas pedras no caminho?
É difícil evoluir quando repetimos o passado
Pois chega de ponto final e tudo de novo
Perceba as vírgulas da sua história
Acumule tudo que puder no coração
Amontoe os anos e os amores
Construa-se dos mais diversos sabores
Não dê fim, dê continuidade
Nessa sequência aleatória de dias
Somos tudo em um só
O fim represa seus sentimentos em um lugar
E precisamos deles o tempo todo
Mais que completo, seja infinito
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Dia de frio” (01/06/2017)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
"O cheiro" (16/05/2017)
Sabe o cheiro que mais incomoda no mundo?
Cheiro de gente
E não estou falando do suor do trabalho
Nem do marido que chega da pelada de final de semana
Estou falando de quem dorme na rua
Que raramente toma banho ou troca de roupa
Que por circunstâncias que desconhecemos
Mas adoramos julgar
Se encontram na margem da sociedade
Você sabe o que fazemos quando sentimos esse cheiro?
Nós fechamos os olhos
Nós viramos a cara em desgosto
E ao fazê-lo você sabe o que acontece?
Nós deixamos de enxergar a humanidade
Quase perdida no olhar do outro
E ao negar nosso olhar
Negamos talvez a última coisa que ainda o fazia se sentir gente
Muitos são loucos, bêbados, doentes, desempregados
Mas quantos de nós sentimos o desespero?
Quantos de nós estivemos na beira do completo desequilíbrio?
Quantos de nós não fomos ajudados pela família e amigos?
E se no próximo minuto você se encontrasse sem nada
Ao que você se entregaria?
Quem sabe seja inocência os 50 centavos que levo no bolso
Quem sabe seja um simples alívio de consciência
Quem sabe seja hipócrita , pouco, ridículo, inútil
Mas como pessoas viram corpos estranhos na nossa rotina?
Quando estendo a mão talvez tire alguém do ostracismo
E um talvez é melhor que um nada
É melhor do que a verdade impregnada na nossa pele
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Para um Amanhã” (05/05/2017)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Deixa estar” (04/05/2017)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Quando” (26/04/2017)
Quando o Sol não vem
Teu sorriso me ilumina o dia
Quando a Chuva não vem
Teu colo esconde minhas lágrimas
Quando o sonho não vem
Teu abraço me sustenta
Quando a coragem não vem
Teu beijo me dá forças
Quando a vontade não vem
Tua palavra me traz esperanças
Quando me falta presença
Tua lembrança me preenche
Quando me falta inspiração
Tua alma me transborda
Quando me falta tempo
Teu amor me traz eternidade
Quando me faltam razões
Tua emoção me impulsiona
Quando me falta sentido
Teus dedos se entrelaçam com os meus
Quando não vem o que me falta
Você me completa
Só não sei o que sou meu bem
Quando você me falta
Quando você não vem
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Deserto” (20/04/2017)
Me fogem as palavras certas
Embaça o rosto no espelho
Sonhos se confundem com bobagens
Imagino enquanto não sei se vivo
Olhei para fora, dentro e para cima
Mas tudo continua em silêncio
A espera desequilibra a esperança
A fé fica sem lugar
Por que é tão difícil saber?
É apenas uma única escolha
O que me falta fazer?
Para que a alma siga em frente
Nunca conheci um lugar tão vazio
Nenhuma gota de vontade
Nenhuma ideia vinga
Vencido por uma imensidão solitária
Eu caminho pelos versos
Para largar um pouco dos pesos
Suspirar sobre algumas verdades
Manter a insanidade de não saber desistir
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Se tudo passa” (24/03/2017)
Ass: Danilo Mendonça Martinho