“Perdão” (06/08/2017)

Saiba meu amor que estou perdido quando teus olhos não encontram os meus, cabisbaixo em minhas próprias frustrações. Se tem algo que pode mudar é me dar mais teu colo e teu carinho, o eterno abrigo que protege meus sonhos adiados. Não me imagino possível longe do nosso lar, preciso de alguém que acredita em mim, que me aceita nas imperfeições, que me leva adiante. Estou tão longe de saber ao certo o que quero para minha vida, mas você meu bem, é o caminho. Eu que tanto prezo pelas palavras devo tomar cuidado para não esquecê-las em silêncio ou afiá-las na língua. Não me deixe fazer duvidar, você já é tudo que preciso. O choro é só um reequilíbrio, a vontade de ser melhor. Saiba meu amor que o que mais prezo são esses nós, os que construímos juntos, essa corda que não escapa. Meu começo e meu fim são teus braços.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Fadiga” (06/07/2018)

Algumas vezes cansa
Dá vontade de não querer
Deixar a correnteza levar
Usar a mente para esquecer
Decidir que tudo tanto faz
Ser comum a ponto de se perder
Largar o corpo no sofá
Se imaginar nos heróis da TV
Deixar a louça para amanhã
Ficar de pijama até feder
Pedir comida para entregar
Dormir quando te lembram o que fazer
Sentir o coração amargurar
Assistir o amor se desfazer
No infinito de um tempo não se preocupar
A liberdade de não reconhecer

Será que inertes o suficiente
Diminuídos e encolhidos
No escuro de um quarto
Escapamos de algo?
Estaremos protegidos de quê?

É que algumas vezes, simplesmente cansa

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Continuum” (06/07/2017)

Fim de semana
Fim de ano
Fim de namoro
Para que tanto fim numa vida só?
Para que nos despedaçar pelo caminho?
Viver não é fácil tomando as atitudes certas
Ainda arranjamos todos estes conceitos
De tempo, dor e alívio
Ficamos aqui desmentindo verdades
Para que tantas pedras no caminho?
É difícil evoluir quando repetimos o passado
Pois chega de ponto final e tudo de novo
Perceba as vírgulas da sua história
Acumule tudo que puder no coração
Amontoe os anos e os amores
Construa-se dos mais diversos sabores
Não dê fim, dê continuidade
Nessa sequência aleatória de dias
Somos tudo em um só
O fim represa seus sentimentos em um lugar
E precisamos deles o tempo todo
Mais que completo, seja infinito

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Dia de frio” (01/06/2017)

Eu queria voltar para cama e deixar a vida passar bem devagarinho. Não que minha alma não esteja ansiosa para seguir em frente, para que o tempo necessário finalmente passe e as coisas aconteçam. É que os deveres que se acumulam em meus pés não tem muito gosto e realizá-los sem ver o porquê os torna em fardos. É tudo um processo de fé. Daquilo que somos, daquilo que queremos, do que acreditamos. Eu não acho que sonhamos com o impossível. Sonhamos proporcionalmente a força de nossa alma. O que martela na nossa cabeça é esse potencial, as conquistas dentro do nosso alcance. Então talvez se ficar um tempo suficiente debaixo desse cobertor, deixando o frio soprar pela janela e a garoa escorrer sem pressa pelo vidro; Talvez eu possa fechar os olhos bem forte e enxergar como se fosse agora a felicidade que desejo, e talvez sentindo o que ainda não existe, saboreando essa realidade sublime, eu teria a força para não voltar mais para essa cama.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"O cheiro" (16/05/2017)

Sabe o cheiro que mais incomoda no mundo?
Cheiro de gente
E não estou falando do suor do trabalho
Nem do marido que chega da pelada de final de semana
Estou falando de quem dorme na rua
Que raramente toma banho ou troca de roupa
Que por circunstâncias que desconhecemos
Mas adoramos julgar
Se encontram na margem da sociedade

Você sabe o que fazemos quando sentimos esse cheiro?
Nós fechamos os olhos
Nós viramos a cara em desgosto
E ao fazê-lo você sabe o que acontece?
Nós deixamos de enxergar a humanidade
Quase perdida no olhar do outro
E ao negar nosso olhar
Negamos talvez a última coisa que ainda o fazia se sentir gente

Muitos são loucos, bêbados, doentes, desempregados
Mas quantos de nós sentimos o desespero?
Quantos de nós estivemos na beira do completo desequilíbrio?
Quantos de nós não fomos ajudados pela família e amigos?
E se no próximo minuto você se encontrasse sem nada
Ao que você se entregaria?

Quem sabe seja inocência os 50 centavos que levo no bolso
Quem sabe seja um simples alívio de consciência
Quem sabe seja hipócrita , pouco, ridículo, inútil
Mas como pessoas viram corpos estranhos na nossa rotina?
Quando estendo a mão talvez tire alguém do ostracismo
E um talvez é melhor que um nada
É melhor do que a verdade impregnada na nossa pele

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Para um Amanhã” (05/05/2017)

Quando me encontrar aqui neste sofá me perguntando como tudo aconteceu, muitos dos meus sonhos já serão verdade e a melancolia, que por hora mora, se tornará outra angústia que ainda não sei o gosto. Nada nessa vida é instantâneo, o que acontece é que quando estamos vivendo nossos planos não conseguimos reparar nas horas que passam e quando tudo se completa parece que foi rápido demais, como se tudo tivesse acontecido ontem. Basta olhar para o coração para entender isso. As solidões parecem ter durado muito mais do que as presenças, por mais que o calendário desminta. Envolvidos vivemos, sozinhos contamos os minutos que se arrastam pelo tempo. Por isso ao observar a chuva amiga da preguiça que escorre pelo vidro, quero me lembrar que este agora foi há muito tempo. Tenho certeza que anos nos separam e que a vida te trouxe mais do que posso imaginar. Foram sequências de aventuras, desafios, tristezas e uma felicidade perene. Talvez nada disso tenha levado ao lugar que por hora sonho. É provável que tenha mudado bastante. Mas tudo bem, não quero falar sobre sucesso ou fracasso, só quero te dar a perspectiva de tudo que passou, que cresceu, aprendeu, que foram anos bem vividos e que pode fazer tudo isso outra vez. Se tudo estagnou e nossas verdades se tornaram dúvidas, aproveite. Sente-se e olhe a chuva cair mais vezes. Aproveita para reparar nos anos que passaram correndo. Perceba enquanto é tempo o que realizou depois de mim. A vida tem diferentes belezas, o que precisamos reparar é se estamos em movimento ou parados, para então reconhecê-las. Saiba você que está tudo bem.

 

Temos uma casa, um amor, uma família, um trabalho. Temos muitos sonhos e nenhuma certeza. Alguns dias é preciso um suspiro maior que outros. Há um pouco de vazio, a palavra não vem com tanta frequência e o futuro está embaralhado. Mas continuamos seguindo com a calma possível até achar o caminho que levará até você.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Deixa estar” (04/05/2017)

Em alguns momentos você precisa deixar as coisas serem. Isso não tem nada a ver com derrotismo, com desistir, com aceitar fracassos, com conformismo ou inércia. É na verdade deixar a vida ao seu redor tomar forma, crescer, criar oportunidades, amadurecer e que você possa encontrar as saídas, os caminhos por onde seguir. Eu sei que se pode estar totalmente longe dos sonhos, do que queremos ser, do que queríamos para vida. Mas ela, a vida, também está longe do seu final, tem muita coisa para nos ensinar e mostrar que vão alterar totalmente a nossa perspectiva deste arredor. Por isso deixe as coisas serem. E enquanto isso, o que fazer? Viver. Aproveitar o que se tem, fazer o que se gosta. Ler um livro, ver um filme, cozinhar, jogar um videogame, sair, escrever. Viver seus dias, viver com as pessoas. E não colocar nessas atitudes a pressão do sucesso, da grandiosidade, como se fossem as grandes soluções dos nossos problemas. Não colocar no teu trabalho toda esperança de crescimento, não ficar almejando que seu freela se torne o grande ganha pão, não ficar esperando teu hobby, teu talento para as artes ou algo parecido se torne um viral da internet, que você seja descoberto. Isso tira totalmente a chance de aproveitar as coisas, de compreender os momentos, de saborear o que vida te trouxe. Deixe as coisas serem. Por último, talvez o mais difícil e amedrontador disso tudo seja entender que não há nada para ser feito. Nada. Não adianta bagunçar a rotina, inverter prioridades, lamentar o tempo perdido, se martirizar pela não realização do sonho. Haverá o tempo de agir, se mantenha preparado, será claro, líquido e certo. Até lá não há nada que possa ser feito que esteja nas suas mãos a não ser viver bem, em paz e manter teus sonhos vivos. Chegará o momento de ser grande. Por mais que te doa ou pareça que a vida está passando por seus olhos, na verdade é apenas o ponto de vista, o rio está seguindo sua direção e por mais que pareça incoerente é preciso deixar as coisas serem para que o caminho tome forma e possamos ver com mais clareza o mar. Não há culpa, não há pressa, não tem nada perdido, muito pelo contrário você acabou de se encontrar. Agora permita-se apenas ser.


Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Quando” (26/04/2017)

Quando o Sol não vem
Teu sorriso me ilumina o dia
Quando a Chuva não vem
Teu colo esconde minhas lágrimas
Quando o sonho não vem
Teu abraço me sustenta
Quando a coragem não vem
Teu beijo me dá forças
Quando a vontade não vem
Tua palavra me traz esperanças
Quando me falta presença
Tua lembrança me preenche
Quando me falta inspiração
Tua alma me transborda
Quando me falta tempo
Teu amor me traz eternidade
Quando me faltam razões
Tua emoção me impulsiona
Quando me falta sentido
Teus dedos se entrelaçam com os meus
Quando não vem o que me falta
Você me completa

Só não sei o que sou meu bem
Quando você me falta
Quando você não vem

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Deserto” (20/04/2017)

Me fogem as palavras certas
Embaça o rosto no espelho
Sonhos se confundem com bobagens
Imagino enquanto não sei se vivo

Olhei para fora, dentro e para cima
Mas tudo continua em silêncio
A espera desequilibra a esperança
A fé fica sem lugar

Por que é tão difícil saber?
É apenas uma única escolha
O que me falta fazer?
Para que a alma siga em frente

Nunca conheci um lugar tão vazio
Nenhuma gota de vontade
Nenhuma ideia vinga
Vencido por uma imensidão solitária

Eu caminho pelos versos
Para largar um pouco dos pesos
Suspirar sobre algumas verdades
Manter a insanidade de não saber desistir

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Se tudo passa” (24/03/2017)

Por que entre todas as coisas que poderíamos usar de referência nessa vida fomos escolher logo o tempo? Uma coisa que contamos sem saber o fim e com medo que acabe. Algo que te persegue pelos dias e noites, que te empurra ladeira abaixo, controla nossos passos, nossos afazeres, exige presença, dispensa motivos. Mas se você colocar reparo no relógio ele continua numa calma sorrateira. Se acompanhar pelo Sol então as sombras se mexem aos milímetros. Pode demorar até mais de hora para percebemos a mudança. O fato é que ele não se importa com nossa urgência, não entra na nossa pilha, ele apenas passa como parte da paisagem, fiel a sua natureza.
A pressa está em nós, plantada em nosso âmago desde pequenos. Cada dia mais cercados. Na parede, no pulso, na TV, no celular, na rua. Sempre temos um tempo, nunca estamos em tempo e ficamos a espera de um tempo que possa parar. Somos inventores da maior parte de nossas mazelas. Agarrados a tudo que nos aflige, reféns de nossos medos, conformados com nossa rotina. Mas que grande tolice foi começar a contar o tempo. Do que importa a duração das coisas se pudermos vivê-las com alguma alegria?

Ass: Danilo Mendonça Martinho