“O bocado de tristeza” (17/02/2016)

Ando às avessas com a vontade. Nada me conquista como o ócio e penso se é tudo que sou. Seria mais fácil aceitar o natural do que imaginar lutar em ser uma esperança ou ideal. Como quero evitar a culpa vou me sentar neste canto, vou suspirar, fazer da melancolia meu encontro já que felicidade não dá para disfarçar. Peço, pois curiosamente o silêncio não nos revela, qualquer coisa que pode ser confundida com algo bom. Eu já estive no melhor de mim, em menos dúvidas, mais coragem, mais fé…..não sei explicar, mas é como eu tivesse mais sentido. Não me leve para sua tristeza, pois não o sou. Estou apenas perdido, talvez a ilusão tenha sido ter direção. Viver é navegar entre estrelas apagadas e bússola quebrada na escuridão. Sem essa bobagem de ir contra a corrente, a gente precisa de vento na vela, vergonha na cara, destino no coração. Na ausência dos três eu espero, quem sabe noutra maré eu me levo, por enquanto serve qualquer lugar. Hoje é tudo que sou. Enganar-se é o primeiro passo para se perder. Sentir tem que ser o tempo todo, até o fim. Chora espelho, desaba corpo, entrega consciente, vocês não precisam mais tentar. Liberdade é não esconder.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Estagnado” (20/01/2016)

O que será que não enxergo agora?
O que devo fazer com todos esses sonhos?
O que me falta adicionar ao espelho?
Eu queria saber mais de tudo isso
Mas sei sobre o que é possível

Nada que acontece é o fim do mundo
Mas onde é o começo?
Qual lugar exatamente eu me encontro?
Será que eu quero mesmo mudar o que sou?
Só se segue em frente caminhando?

Eu esperava limpar as minhas dúvidas
Chorar as alegrias mais escondidas
Meu medo é não ter saída
Não existir nada além do medíocre
Que grandeza é essa que eu tenho sem respostas?

O vazio da alma é algo estranho
É ter um espaço sem ter o que preencher
É olhar o horizonte e seu rosto sem saber o que procurar
É não saber onde apoiar o coração
Não questiono a esperança, mas existe o que acredito?

O mundo gira sem nós
Eu preciso desatar o meu
Por enquanto permaneço cego
Corpo torto sem caminho certo
O amanhã é um pergunta que ainda não me faço.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Pródigo” (09/11/2015)

Quem sabe era o filho que precisava se perder
Todo mundo sabe o caminho de casa
A questão é com que cara vamos voltar

Precisamos ir longe demais
Desconhecer o nosso próprio ser
Para entender o que nos faz únicos

Tentarei me encontrar da onde parti
Onde rompeu meu espírito de vontade
A última vez que lembro de ser livre

Rezo com todas as forças por um abraço
Desejo com toda esperança um novo caminho
Espero silenciar a dúvida para nascer outra paz

Só posso lhe dizer, que siga os próprios passos
É raro não precisar buscar longe daqui
É mais fundamental ainda a coragem e sabedoria de voltar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Um vazio na imensidão” (08/11/2015)

O papel não cria vontade
A agenda não faz compromisso
Tem algo quebrado no espírito
Ou estou muito longe de casa

Cheguei aqui para viver
Não para me deixar levar
Escondi-me atrás do leme
Perdi a força para remar

A inércia é quase um alívio
Mas no espelho só fica a dor
Um incompleto retrato
De um olhar sem calor

Não me falta vento
Me falta prumo
Não me falta sonho
Me falta fé

A promessa permanece
Uma verdade e pés no chão
O medo é não lembrar o caminho
A chance de ter sido vão

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Disfarce” (01/10/2015)

Falo chuva
É onde me sinto livre
Se a alma não cabe ao menos dilui
Lamentamos a procura de salvação
Essa consciência transformou tudo em suspiro
Não tenho coragem de assumir minhas insignificâncias
Por isso peço tempestade
Meus erros cresceram em mim
Eu me diminui diante o mundo
Ou não cresci diante a idade
Apelei para promessas
Mas a mudança pode só depender de mim
Tenho medo de pedir respostas
Então pode ser garoa
Sem pressa e sem vontade
A palavra sempre carrega
Quantas viagens para levar isto daqui?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Leme” (25/09/2015)

Todo barco tem norte
Todo mar tem tempestade
Todo porto é passageiro
Toda rota tem desvio
Toda estrela é guia
Todo amor é náufrago
Todo destino tem sonho
Toda maré tem vontade
Todo encontro é tesouro
Todo vento tem favor
Todo amanhã é incerto
Todo capitão tem saudade
Todo coração levanta vela
Toda alma rema
Toda viagem é para voltar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Ensaio sobre incerteza” (17/08/2015)

A liberdade é algo perdido dentro do ser humano. Estamos presos não a nossa vontade, a nossa consciência, mas ao julgamento dos outros. E quando não há quem nos julgue, olhamos para o céu a procura de um sinal que aprove nossa decisão. Cada pedaço do que fazemos transformado em condenação ou absolvição. Nada pode simplesmente ser. Aos nossos queridos tentamos nos justificar. Contamos nossos meandros, medos, caminhos, conclusões. Ouvimos todo conforto que uma palavra pode ceder, e ainda assim não é o bastante. Precisamos perdoar a alma. Rezo, todo santo dia, como rezo com força, com sono, distraído, em silêncio…..agradeço para não ser mal educado, peço quando na verdade espero que “ele” possa assumir a responsabilidade da minha decisão. Que possa dizer o que está certo ou errado e me evitar o trabalho de tentar por meus sonhos em prática. Que então me indique a direção para que assim me acabem as desculpas de não viver por não saber para onde ir. Posso não saber até onde vai sua fé, mas hoje, mais do que qualquer outro dia, percebi o quanto ela pode ser vazia se não começar em você mesmo.
O fazer é humano, e suas consequências estão longe de serem prêmios ou castigos. São apenas rumos que a vida toma. É fácil esconder nossas vontades por trás de outras, divinas ou não. Justificar nossa inércia como efeito, quando na verdade é causa. Saber quais serão todos desdobramentos de suas atitudes e após fazê-lo enxergar o depois como uma justiça natural da vida. Bobagem! Somos livres! Eu acredito em forças naturais que nos protegem, nos guiam, as vezes ensinam. Mas o que procuro para apaziguar minha alma e dizer que esta é a melhor solução, simplesmente não existe. A escolha é livre e existe dentro de nós, esquecida, esta mesma liberdade. Não há explicação para o que fazemos se não a nossa vontade. Da mesma forma não há como esperar uma permissão para realizar teu sonho. Não tem certo, errado, muito menos um julgamento diário dos seus gestos e pensamentos. Temos apenas um coração como termômetro dizendo o que lhe agrada, e uma fundamental liberdade que se começarmos a colocá-la em prática em favor dos nossos sonhos, eu consigo imaginar vidas incríveis. Não precisamos de autorização para nada, mas precisamos ter responsabilidade com tudo. Até entendo que o meio disso tudo seja confuso, mas a saída é única. Escolha, a vida é sua caso precise voltar atrás, mas não deixe de escolher.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Percepção”

Os olhos jamais enganam a alma
Enxergar é sentimental
O querer constrói a realidade
Na penumbra da madrugada tudo que vê
É tão verdade quanto tudo que ignora
A vida não é explícita
Nem são cartas marcadas
O dever obscurece o desejo
Para razão crer é preciso tocar
E embora ela controle o corpo
O coração controla todo resto
Não duvide de seus olhos
Eles podem ser os únicos a saberem a direção

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“De ontem pra hoje” (10/05/2015)

Como encontrar o homem dentro de si?
Quais feições no rosto me entregam?
O que será que o consciente prefere ignorar?
Crescer muda aparências, mas e o espírito?

Não há mais promessas veladas
A responsabilidade é uma escolha
Fugir é só correr em qualquer direção
Só que não há caminhos pro passado

É preciso cumprir uma parte de nós
Para que alguma outra seja livre
Amadurecer lembra um processo natural
Mas desconheço ser humano que se possa colher

Decidi passar os dias diante o espelho
Encontrar o que mudou sem me levar
A alma é mais transparente que o corpo
Sentir é o mais sólido que se pode chegar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Linhas imaginárias” (03/04/2015)

O meio do caminho
Não é metade do que sou
O que era deixei quando parti
O que quero não me pertence
Estou vazio e estar também se sente
O temporário é finito e indeterminado
Até quando não poderei vestir o que sou?
Até quando terei que estar o que sinto?
Se é meio, falta tudo que já caminhei?
Meio não é metade
É uma palavra perdida no nada
O onde é apenas um qualquer
Indiferentes somos infinitamente comuns
Na ausência do que sou quem toma a decisão?
Não ter lugar é o mesmo que não se reconhecer?
As escolhas nos fazem únicos
Pois o que me trouxe até aqui, destino ou direção?
O caminho não é um limite
Cruzamos as fronteiras das incertezas
Traçar sonhos expande a alma
Mudança não tem norte apenas desejo
Se em algum momento me deixei para trás
Foi porque amava algo o suficiente para me levar adiante
O momento que deixei de ser, deixei de estar
O meio é uma ilusão, estamos à margem….
Ou na correnteza tentando seguir o coração.

Ass: Danilo Mendonça Martinho