Ass: Danilo Mendonça Martinho
Categoria: Cotidiano
Sobre o fim da linha
Ass: Danilo Mendonça Martinho
Sobre o Dever
“Burocracias” (07/05/2018)
Hoje o tempo me alcançou
Tomou as pernas
Pesou nas costas
E acabou no coração
Esse suspiro que não me deixa
Essa hora que não dá trégua
Esse tanto que fica para amanhã
Traduzem o gosto do fracasso
Vontade de fechar os olhos
Mas descansar o corpo
Nem sempre cura a alma
Ela precisa se libertar
Da mesma forma que acaba
O tempo é infinito
Me mata nessa espera
Me exausta nessa luta
Não posso ser apenas esperança
Tenho que ser algo que faça
E mesmo que o tempo me engula
Vai sobrar alguma felicidade
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Jeitinho” (06/03/2018)
A gente se perde no todo
Nossos valores, princípios
Aceitamos menos
Distorcemos limites
Pesamos a consciência do outro
Mas libertamos a nossa
Com uma tranquilidade assustadora
Somos indivíduos exemplares
Somos comuns no coletivo
Apenas mais um filho de Deus
Que também falha e peca
Diluímos assim nossa responsabilidade
Na multidão a vergonha não tem cara
Bem-vindo à sociedade de aparências
Defensora da honra, moral e justiça
Só não esqueça de pagar na saída
Aproveita que estão pelo mesmo preço
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Crônicas de um diário inconstante – A paixão”
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Passageiro” (13/11/2017)
Tempo, para quê me dividir assim?
Nesse pedaço sem sonho
Nessa rotina sem avanço
Repartindo as horas sem sobras
Sempre eu que fico para trás
Tempo, para quê me separar?
Das conquistas e ambições
Me largou no meio sem vida
Longe é perto demais
A solidão desta multidão
Cheia de certezas para minha indecisão
Tempo, você é só castigo?
Louça e conta pra pagar
Trabalho e ônibus lotado
Ou você tá escondendo o depois
Nesse sorriso de olhos fechados
Tempo, passa e fica
Diz que não falta muito
Promete que é para sempre
Me deixa um momento para esquecer
E uma vida para lembrar
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Fadiga” (06/07/2018)
Algumas vezes cansa
Dá vontade de não querer
Deixar a correnteza levar
Usar a mente para esquecer
Decidir que tudo tanto faz
Ser comum a ponto de se perder
Largar o corpo no sofá
Se imaginar nos heróis da TV
Deixar a louça para amanhã
Ficar de pijama até feder
Pedir comida para entregar
Dormir quando te lembram o que fazer
Sentir o coração amargurar
Assistir o amor se desfazer
No infinito de um tempo não se preocupar
A liberdade de não reconhecer
Será que inertes o suficiente
Diminuídos e encolhidos
No escuro de um quarto
Escapamos de algo?
Estaremos protegidos de quê?
É que algumas vezes, simplesmente cansa
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Dia de frio” (01/06/2017)
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“Deserto” (20/04/2017)
Me fogem as palavras certas
Embaça o rosto no espelho
Sonhos se confundem com bobagens
Imagino enquanto não sei se vivo
Olhei para fora, dentro e para cima
Mas tudo continua em silêncio
A espera desequilibra a esperança
A fé fica sem lugar
Por que é tão difícil saber?
É apenas uma única escolha
O que me falta fazer?
Para que a alma siga em frente
Nunca conheci um lugar tão vazio
Nenhuma gota de vontade
Nenhuma ideia vinga
Vencido por uma imensidão solitária
Eu caminho pelos versos
Para largar um pouco dos pesos
Suspirar sobre algumas verdades
Manter a insanidade de não saber desistir
Ass: Danilo Mendonça Martinho
“30º” (15/02/2017)
O calor que toca a pele
Apoia minha alma
Na frágil desculpa
Que o tempo se tornou escasso
Por mais que se dividam os dias
A inércia equilibra a balança
Nessa versão do mesmo tema
Culpa disfarçada de impossibilidade
São todas chances do mundo
Mas nenhuma escolha
Nenhuma paixão que leve adiante
Apenas repetindo para não desaparecer
O sol não me derrete
A esperança não esmaece
Tortura-me com a verdade
Sou protagonista da minha solidão
Falta-me pequenas coragens
Abandonar, admitir e acreditar
É a idade do cansaço
Ou cansaço da ideia
A noite ainda guarda o bafo
Um toque final no descompasso
Os planos de um novo amanhã
A certeza velada que não o será
Ass: Danilo Mendonça Martinho