“Meu Pecado” (23/05/2011)

Enfadado em teu mistério
Ciente do meu sentir
Vendido à minha ilusão
Sem posse do teu olhar
Peco pela razão

Temo o teu querer
Evito as profundidades
Divido meu coração
Na posse do teu sonho
Peco pela solidão

Aceitei a tua distância
Neguei um reencontro
Desisti de toda dor
Na posse do nosso vazio
Peco pelo amor

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“A escolha pela distância” (16/05/2011)

A princípio me parece insensato. Onde o outro não está, não se ama. A saudade pode doer, a palavra pode faltar. É esconder-se atrás da rotina, é não lutar. É deixar sempre para depois o sentir. É proteger o outro protegendo a si, sem ter nenhum dos dois. É fuga, um esquivo, um subterfúgio. A distância não existe é uma coisa que se impõe. O humano sempre é capaz de se fazer inalcançável sem perceber que não viver dói ainda mais. Pra que olhar para o lado? Fingir, disfarçar. Só para manter o sorriso como se fosse isenta de culpa? Escolher a distância me parece simplesmente mesquinho.
Por outro lado a distância é onde o outro não está, onde a palavra se cala, onde pode se esconder, onde se desiste. É evitar o sentir, é proteger-se, é fugir, é impor limites, é não ser afetado, é tentar esquecer. A escolha pela distância pode ser a última alternativa, de quem ainda sente, para deixar de sofrer.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Onde não existe tempo” (15/05/2011)

Aqui não bate vento, não nasce vida, é uma travessia sem alma. O caminho sem tempo faz lá fora ser qualquer lugar. Sinto-me em um deja vu eterno onde todos podemos nos perder. Nesse infinito, nesse canto de mundo, atravessam corpos igualmente estáticos, olhares sem destino. A boca seca, o horizonte se deforma, a palavra esmaece, tudo desiste. Quando entramos em um caminho onde nada se quer o mundo deixa de ter um amanhã.
Um trem que a gente embarca e nem sempre acha volta.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Aprendendo a dizer não” (13/05/2011)

Hoje é um dia triste
Teu colar sumiu do peito
Levou também o brilho do olhar
Tornei-me um fundo preto e branco
Uma presença estática
Esperando ser vencido pela ausência

Minha palavra é um rio que secou
Não podemos mais viver de flores
Se tivesse me negado o amor
Podia evitar arrancá-las pela raiz
Não restou nada entre nós
Somos apenas uma espessa distância

É temeroso não mais te imaginar
É apavorante ter que te calar
Mas o problema maior
É saber que nunca vai parar de doer
Tornou-se impossível outro verso

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Sacrifícios” (01/05/2011)

Beira tudo que é lágrima
E salta para o abismo
Mergulha no véu branco da alma
Salga a boca doce
Inunda todas as palavras
Escorre pelas cicatrizes
Ecoa onde nunca cheguei

A tua queda é o infinito
A dor, todo o viver
Onde meus olhos não visitam
Paira sobre tudo de mais sensível
Jamais será uma posse
És feita de liberdade
Resta apenas, também precipitar-me

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Outro Lugar” (26/04/2011)

A noite cai diferente
Sombreia outros recortes
Revela outros segredos
Há uma realidade para cada passo
Há uma alma para cada espaço
O mundo não precisa ser um vazio
A imensidão é um convite
E só podemos fazer parte
Não importa a linha do horizonte
Ela jamais será um limite

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Cataratas” (25/04/2011)

Uma queda por tua beleza
Um abismo natural
Um degrau sem esperança
A tua morte na beira da vida
A tua força invencível
A tua desconsideração pelo humano
Essa fuga de qualquer lógica
Essa liberdade sem controle
Essa tua alma…
És imensidão sem verso
Como todo sentimento
Um rio a procura de mar.

Ass: Danilo Mendonça Martinho