“Ela Sabe” (09/08/2010)



Por onde você chegou?
Pediu alguma licença?
Armou acampamento e ficou
Sem razão social
Sem planos de partir
Agora ainda faz baderna
Grita por atenção

Quem te ensinou isso?
Ser deslumbrante e cativante?
Não é teu direito
Arrebatar todos os olhares
Fazer festa no meu âmago
Ainda bagunçar minha razão
Coisas de moleca

Como então te negar?
Seria eu o primeiro?
Tuas tolices me encantam
Teus abraços me desconcertam
Somos só sorrisos
Você habitante do meu coração
Eu procurando espaço no teu

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Uma verdade” (07/08/2010)



Por que a solidão dói tanto?
Quem abriu minha alma?
Por que não me esqueço?
Não sei se sangro ou se choro
Quero abandonar este corpo
O coração que de nada serve
Só eternamente sofre
Meu âmago grita e ecoa
Não agüento céus
Não agüento infernos
Não agüento…
Queria rasgar meu peito
Para que nunca mais o fizessem
Queria sumir desta vida
Mas carrego todo meu vazio
Não tenho igual, um breve reflexo
Não encontro outra mão no final da minha
Ardo em mil intensidades
Sobram-me somente ilusões
Estou no fim da angústia
Quero abandonar
Romances, relações, corações
Desisto de tudo
Quem sabe companheiro da solidão
Ela não me mate.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Minhas Diferenças” (07/08/2010)



Não escrevo, eternizo
Não sinto, poetizo
Não penso, precipito
Não desejo, idealizo
Não olho, sonho
Não faço, me entrego
Não abraço, me envolvo
Não digo, declamo
Não vivo, romanceio
Não amo, ardo
Não enlouqueço, apaixono
Não venço, abdico
Não argumento, calo
Não parto, abro mão
Não arrependo, sofro
Não choro, alivio
Não sou nada,
E não há nada que não possa ser.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Teu Sim” (02/08/2010)



O que nos separa é pouco
São delicadezas
São instantes
São vírgulas
São suspiros
São sussurros
São olhares
São frestas
São chuvas de verão
São pequenos sorrisos
São distrações
São omissões
São sopros
São silêncios
São realidades
São direções
São desencontros
São…
Acabaram-me as desculpas
Ainda tenho você

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Desconstrução” (31/07/2010)



Término
Limite
Final
Finito
Derradeiro
Transitório
Mortal
Efêmero
Morrer
Finar-se
Expirar
Esquecer
Desprezar
Descuidar
Acabar
Romper
Abandonar
Largar
Desamparar
Renunciar
Acordar
Avivar
Adeus
Separação
Partir
Ausentar-se
Não
Recusa
Calar
Emudecer
Desistir
Ceder
Sucumbir
Sujeitar-se
Ignorar
Censurar
Pontuar
Finalizar
Arrancar
Desenraizar
Extinguir
Erradicar
Saturar
Fartar
Exaurir
Extenuar-se
Cessar
Interromper
Assim sendo
Encerro-me

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Todo fim é um recomeço” (22/07/2010)



A chama apagou
Já não importa
Teus olhos
Nossas justificativas
Boas lembranças
Esquecidas no fim
O que serei além?
O horizonte é pálido
As manhãs são frias
Mas ainda caminho
Sobrevivo a este inverno
De céus puros
De sóis intensos
Dias longos
Vou me despindo
Proteções, cicatrizes
Algo me aquece
Tiro mágoas
Abri mão
Paguei a liberdade
Foi necessário
Foi imprescindível
Posso voltar a sorrir
Há flores no meu jardim
A primavera que desperta
Em um novo olhar

Ass: Danilo Mendonça Martinho

“Ao pé da Janela” (22/07/2010)



Te peço um silêncio
Amigo de bom tempo
Te peço sem trapaças
Um breve momento
Preste atenção nos acordes
E principalmente nas vozes
Para depois entoar a canção
Para que não seja em vão
As rimas bem trabalhadas
Na mais doce inspiração

Não é hora de palhoças
Preciso de tua ajuda
Ela me faz pirraça
São ternuras e sorrisos
Que guarda em melodias
Preciso entrar nesse jogo
Encontrar finalmente a alegria

Consegue-me uma serenata?
Não me importa as condições
Faço em cima da escada
Mas preciso de um poeta
Que me descreva em atos
Que me deixe uma porta aberta
Uma estrofe sem rima
Que me chame nos olhos
E termine em desejo

Ass: Danilo Mendonça Martinho