"No Futuro" (22/02/2009)

Os laboratórios divulgarão suas descobertas
Curas, medicamentos, novas doenças
Os países anunciarão suas conquistas
Apenas novas guerras sem razão
A tecnologia ultrapassará seus picos
Evoluções além do limite do corpo
Os cientistas divulgarão novas teorias
Que perderão seu propósito sendo discutidas
A natureza criará novas fronteiras
O mundo se protegendo de nossa existência
As sociedades entrarão em colapso
Novas concentrações de poder surgirão
Os relacionamentos tomarão novas proporções
Pudores mudarão seus conceitos
Liberdades serão questionadas
A Vida achará um fim, ou um meio
Para continuar seu curso

Podemos divagar mais sobre o futuro
Ele virá para nos dizer certos ou errados
Mas o que realmente me preocupa
É o que ele não dirá
Em quais assuntos não tomará partido
Diante quais questões silenciará
Quais verdades abrirá mão
Quantos poderes abdicará
Quais lutas, decisões e princípios
Serão deixados a nossa escolha?

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Pela Manhã" (21/02/09)

Andava nas pedras em sinestesia
O vento ainda não esquentava
Tudo se movimentado devagar
As peças se encaixando
O Sol rasga seus raios entre as folhas,
Vem te buscar sem a mínima preocupação.

Caminhava devagar, desavisado, distraído
Na manhã ainda é tudo novo
O mundo provavelmente mudou
Sua rotina…apenas uma ilusão
O barulho de cascalho aguçando lembranças
Como se estivesse na estrada de terra
Como se estivesse sem um rumo
Como se já soubesse,
Que vou aproveitar cada minuto de luz
Talvez até das sombras lá fora.
Esquecer antes de mergulhar em obrigações
Nossos tempos mais sinceros à flor da pele.
Sem nenhuma importância para os “depois”

Algum dia eu ainda paro entre essas árvores
Me acomodo no banco, talvez mesmo no chão
Respirarei mais fundo como se respirasse cheiro de chuva
Entortarei os olhos, franzerei a testa olhando pro céu
Encarando o dia naquele silêncio onde nos entenderemos.
Tomarei um pouco mais de coragem
Me colocarei em pé, continuarei.
Só que agora…
Meio que chove debaixo das árvores
Meio que o Sol te conforta,
E o vento te ajuda a respirar.
Meio que a natureza te abraça
Nada há de ser ruim.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"A Protagonista"(15/02/2008)

Passei horas te admirando
Sabendo que era um erro perder o tempo,
Nessas breves histórias
Onde mostram um mundo de carinho

Como roteiro clichê alguém chegou
Um coração selvagem e indomável.
Eu aqui lhe desejando
Maltratando essa distância da vida real.
A vida que me lembra em momentos,
Um belo programa de TV.

Foi ali que vi quando seus olhares se encontraram
Como que por destino, sem obstáculos,
Dúvidas, medos, inseguranças;
Olhares firmes, diretos, de paixão fumegante,
De queda na certa, de jogo vencido.
Foi ali que simplesmente seus sorrisos combinaram,
Como protagonistas.
Assisti mais um momento mágico
Daqui do sofá, incapaz de trocar de canal.
Nada parece mais vazio,
Nada causa mais angústia
Do que ver o mundo sem sentir-se parte dele.
Vi-me derrotado.
Em algo que não acredito,
Que pode se decidir numa disputa.
Como concorro a este papel?
Troquei de canal, sem respostas, desliguei a TV.
Te perdi.

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Esperando Salvação" (15/02/2009)

As idéias estão por aí
A beira de precipícios
Prestes a serem enforcadas
Julgadas culpadas
Trancadas em masmorras antigas
Caçadas sem discriminação

As idéias não fogem
Não correm em desespero para suas casas
Não gritam por socorro
Não lutam contra seus agressores
Não fazem protestos
Não reagem a nenhuma ameaça

As idéias te esperam
Que venha no cavalado alado
Que venha enfrentar dragões
Que venha desarmado
Lute com as próprias mãos
Que após muito sangue e suor
As tire da escuridão

As idéias não são de ninguém
Elas vivem nas mãos de quem faz
Habitam as mentes de porta aberta
Realizam-se em desejos puros
Existem aos que não a questionam
Reais como paredes de concreto
Ilusórias como breves imaginações

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Cresci" (13/02/2009)

Cresço
Pois acredito que a felicidade
Não esteja somente em mim.
Uma procura pelo que me falta.
A felicidade está virando uma esquina
Escondida atrás de algum degrau ou muro
Que ainda não tenho tamanho para passar.
Freqüentando alguma escola
Que não tenho idade para entrar

Talvez cresça por simples rebeldia
De tantos avisarem para que não.
Talvez porque queira ir onde ninguém foi.
Pela arrogância de achar
Que não cometerei os mesmos erros
Que saberei exatamente aonde ir e o que dizer.
Pela ilusão de que não serei vencido.

Cresço
Por simples desaviso ou natureza.
Caminhei, brinquei, comi, bebi ,dormi
Olhei pela janela e perdi a noção
Do parapeito que me afastava do horizonte
Meu espelho me apresentava novas faces,
Conseqüência dos dias que resolvi viver.

Cresço
Talvez por gosto a desilusão.
Para bater a cara contra a parede
Descobrir as partes do mundo em branco e preto
A cada verdade que me invade
A cada realidade que deixo entrar

Cresço
Por pura ambição.
Para alcançar estrelas
Tomar o céu, voar pelas nuvens,
Conquistar montanhas, atravessar mares,
Vencer todas as batalhas.

Não cresceria.
Digo sem a mínima certeza que talvez,
E somente isso,
Ficaria satisfeito em ser criança
Se tudo fosse tão simples
Como um segurar de mão

Cresço…

Ass: Danilo Mendonça Martinho

Livremente inspirado no post:
http://www.fotolog.com/mein_herz_brennt/75155271

"Mais um dia de Sol"(08/02/2009)

Bate mais forte Sol
Vê se já ilumina o parapeito
Traz um vento para balançar a rede
Sombreia o horizonte
Traz pra perto o novo dia
Traz mais perto o cheiro de vida
Traz uma flor dessas bonitas
Levanta Sol, mais alto que puder
Não deixa nenhum canto escuro
Revela o mais longe do caminho
Acompanha a tarde como cavalheiro
Espera a noite como pai
Vai dormir no travesseiro tropical
Quando acordar não esquece
De bater para o lado desta janela
Só pra lembrar que já é dia
Que mais uma poesia vai começar
Vem Sol, dançar com as nuvens
Curtir a festa do domingo
O jogo na televisão
Mas vai com calma lá no Sertão
Presencia o casamento na praia
Joga luz no papel do escritor na varanda
Lembra para todos da vida lá fora
Como último favor Sol
Convida o mundo para seu pôr
Veste o céu de vermelho
Junta todo mundo na colina
Às sombras do dia que já se foi

Ass: Danilo Mendonça Martinho

"Segunda-Feira"(09/02/2009)

Foi uma angústia instalada no peito
Bloqueando todos gestos e ações
Foi lenta, dolorosa, quase sem importância.
Os afazeres perdendo o sentido
A mente se distraindo sem saber no que pensar
Estáticos, chocados, chorosos
Por vezes as lágrimas vinham antes das palavras
Por vezes só pudemos ficar em silêncio
Um abraço mais forte
Todos estavam precisando
Olhares que viam horizontes em vez de paredes
Risadas que foram soltas para espantar o vazio
E o dia passou e nada permaneceu
Como um planeta fora de órbita.
Como cometas brilhantes mudando de rumo.
A vida amuou-se diante o destino,
Os corpos se viram sem reação.
O que será do amanhã até preocupa,
Mas o que se sente hoje é….
É pior quando se trata dos seus queridos
Quando não está em seu poder
Os sentimentos flutuam
Procurando tua ordem.
Por alguns momentos você não quer saber
A alma perde forças de diferentes maneiras
Você só consegue olhar para mundo na esperança
Que ele gire de volta e mude de idéia
Ou que ele gire para mais longe daqui
A segunda foi longa, tensa, inexplicável
Angustiante, triste, emudecedora
Fria, cinzenta e comum
Não sei como ela segurou este fardo,
Honestamente não sei como consegue.

Ass: Danilo Mendonça Martinho